HDB - Anotação (8)
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HDB - Anotação (8)


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de vícios aparentes 
ou de fácil constatação. 
 
Diante da impropriedade que recai sobre o 
bem adquirido, a indagação que surge é a seguinte: o 
que o adquirente pode fazer? 
 
1º) Poderia o mesmo propor ação redibitória 
em face do alienante visando retornar ao seu estado 
primitivo. Tal ação só será cabível se o vício for 
substancial. 
2º) Caso o vício não seja substancial, pode o 
adquirente propor ação estimatória ou quanti minoris 
em face do alienante visando um abatimento no 
preço. 
 
Numa palavra: quando o vício não for 
expressivo, ou seja, de grande extensão, só será 
cabível a ação estimatória. 
 
Caio Mário diz que o fundamento dos vícios 
redibitórios é o \u201cprincípio da garantia, sem a 
intromissão de fatores exógenos, de ordem 
psicológica ou moral\u201d (Caio Mário da Silva Pereira. 
Instituições..., p. 123). 
 
É importante mencionar que tal vício já deve 
ser existente ao tempo da tradição. O professor 
Gustavo Tepedino, afirma que não haverá 
responsabilização do alienante caso a perda tenha se 
dado por caso fortuito, ainda que a coisa apresentasse 
defeitos ocultos, uma vez que não existisse, no caso, 
relação, de causa e efeito entre o vício e o 
perecimento (Código Civil Interpretado conforme a 
Constituição da República, Ed. Renovar, 2006, Vol II, p. 
69). 
 
Poderá o adquirente demandar em face do 
alienante cumulando a ação com perdas e danos se 
provar que o mesmo vendeu o bem sabendo que ele 
apresentava vício. Caso não fique provado que o 
alienante conhecia o vício, só será devolvido o valor 
pago pelo bem, sem que haja a cumulação com 
perdas e danos. 
 
Os prazos para a propositura da ação estão 
mencionados no art. 445 do CC/02 e os mesmos 
possuem natureza decadencial. 
 
Serão de 30 dias tratando-se de bens móveis e 
de 1 ano se o bem for imóvel, contados da entrega 
efetiva. Se o adquirente já estava na posse do bem o 
prazo mencionado será contado reduzido a metade, 
ou seja, 15 dias para bens móveis e 6 meses para bens 
imóveis, contados da alienação. Percebam que aqui 
observamos a modalidade de tradição ficta, traditio 
brevi manu, que significa que aquele que possui em 
nome de outrem passa a possuir em nome próprio. 
 
Questão complicada surge quando estamos 
diante do parágrafo único do art. 445, pois a lei 
menciona que quando o vício só puder ser conhecido 
mais tarde o prazo passa a ser de 180 dias tratando-se 
de bens móveis e de 1 ano se for imóvel. 
 
Indaga-se: como fica o prazo para a 
propositura das ações edilícias (redibitória/ 
estimatória)? 
 
O enunciado 174 da III Jornada de Direito Civil 
nos responde. Vejamos: 
 
174 \u2013 Art. 445: Em se tratando de 
vício oculto, o adquirente tem os 
prazos do caput do art. 445 para 
obter redibição ou abatimento de 
preço, desde que os vícios se 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
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revelem nos prazos estabelecidos 
no parágrafo primeiro, fluindo, 
entretanto, a partir do 
conhecimento do defeito. 
 
 Por fim é importante mencionar que se for 
dado prazo de garantia contratual pelo alienante, não 
serão contados os prazos da lei, isso significa que os 
prazos decadenciais ficam suspensos. Realizando 
diálogo com o CDC e citando a jurisprudência do STJ, a 
questão fica dessa forma nos tribunais. 
 
Garantia= Garantia Contratual + Garantia Legal. 
 
INDENIZAÇÃO. CDC. GARANTIA CONTRATUAL. 
O recorrente adquiriu um automóvel utilitário (zero 
quilômetro), mas, quando da retirada, logo notou 
pontos de corrosão na carroceria. Reclamou 11 meses 
depois; contudo, apesar da realização de vários 
reparos pela concessionária, a corrosão alastrou-se 
por grande parte do veículo, o que levou ao 
ajuizamento da ação de indenização por danos morais 
e materiais em desfavor da concessionária e da 
montadora. No caso, está-se diante de vício de 
inadequação (art. 12 do CDC), pois as imperfeições 
apresentadas no produto impediram que o recorrente 
o utilizasse da forma esperada, porém sem colocar em 
risco sua segurança ou a de terceiros, daí que, 
tratando-se de bem durável e de vício de fácil 
percepção, impõe aplicar-se o prazo decadencial de 
90 dias para deduzir a reclamação, contados, em 
regra, da entrega efetiva do bem (art. 26, § 1º, do 
mesmo código). Sucede que existe a peculiaridade de 
que a montadora concedera ao veículo a garantia 
(contratual) de um ano, que é complementar à legal 
(art. 50 da citada legislação). Diferentemente da 
garantia legal, a lei não fixou prazo de reclamação 
para a garantia contratual, todavia a interpretação 
teleológica e sistemática do CDC permite estender à 
garantia contratual os mesmos prazos de reclamação 
referentes à garantia legal, a impor que, no caso, após 
o término da garantia contratual, o consumidor tinha 
90 dias (bem durável) para reclamar do vício de 
inadequação, o que não foi extrapolado. Dessarte, a 
Turma, ao renovar o julgamento, aderiu, por maioria, 
a esse entendimento. O voto vencido não conhecia do 
especial por falta de prequestionamento. Precedentes 
citados: REsp 442.368-MT, DJ 14/2/2005; REsp 
575.469-RJ, DJ 6/12/2004, e REsp 114.473-RJ, DJ 
5/5/1997. REsp 967.623-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 16/4/2009. 
 
Evicção (art. 447 ao art. 457, CC/02) 
 
A evicção se dá pela perda da coisa, adquirida 
em contrato oneroso (cuidado muitos concursos 
mencionam, contratos gratuitos), por força de decisão 
judicial, ou apreensão administrativa,mesmo se 
aquisição for hasta pública. O entendimento anterior 
era a adoção da evicção somente nos casos de 
sentença judicial, mas hoje vigora o conceito acima. 
Segue fundamentação de acordo com julgado do STJ. 
 
CIVIL. EVICÇÃO. O direito de 
demandar pela evicção não supõe, 
necessariamente, a perda da coisa 
por sentença judicial. Hipótese em 
que, tratando-se de veículo 
roubado, o adquirente de boa-fé 
não estava obrigado a resistir à 
autoridade policial; diante da 
evidência do ato criminoso, tinha o 
dever legal de colaborar com as 
autoridades, devolvendo o produto 
do crime. Recurso especial não 
conhecido.(REsp 69496/SP, Rel. 
Ministro Ari Pargendler, Terceira 
Turma, julgado em 09/12/1999, DJ 
07/02/2000, p. 149). 
 
Evicção ou evincere = privação total ou privação 
parcial. 
 
Partes na evicção: 
 
a) evicto ou evencido \u2013 é a pessoa que perde a 
coisa;adquirente. 
b) alienante \u2013 é a pessoa que transferiu; 
c) evictor ou evencente \u2013 pessoa que ganha a 
coisa por decisão judicial. 
 
Uma indagação bastante interessante em 
concursos é a seguinte: Os bens arrematados em 
hasta pública estariam garantidos contra a evicção? 
 
 
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Posição moderna: \u201co art. 447 do CC/02 
consolida posição doutrinária no sentido de estender 
a evicção à pessoa que adquire por arrematação 
judicial em processo de execução\u201d (Bezerra de Melo. 
Novo Código Civil anotado, vol. III, t. I, p. 60.). 
 
Podem as partes por cláusula expressa 
reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela 
evicção? 
 
Segundo a leitura do art. 448 do CC/02, tal 
possibilidade é perfeitamente cabível, porém entendo 
que somente nas hipóteses em que o contrato não 
seja de adesão, pois poderia ser alegada a regra do 
transcrito no art. 424 do CC/02. 
 
Qual será o valor a ser indenizado ao evicto? 
 
O art. 450 do CC/02, responde a indagação 
informando que será restituído o evicto do valor 
integral do preço ou das quantias que pagou e ainda 
aos frutos que tiver sido obrigado a restituir, a 
indenização pelas despesas dos contratos e pelos 
prejuízos sofridos, as custas judiciais e aos honorários 
do advogado por ele constituído. O problema se dá 
quando o § único do artigo menciona que o preço 
será o dá