HDB - Anotação (8)
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HDB - Anotação (8)


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OAB 1ª Fase 2011.2 
 DIREITO CIVIL \u2013 CRISTIANO SOBRAL 
 
 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosariava.com.br | 30350105 1 
 
Professor Cristiano Sobral 
 
OAB Segunda Fase 
 
Complexo de Ensino Renato Saraiva 
 
Dos contratos 
 
Conceito 
 
É o acordo de vontades, ou negócio jurídico, 
entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) com 
finalidade de adquirir, resguardar, modificar ou 
extinguir direitos de natureza patrimonial. Todos os 
contratos são atos jurídicos bilaterais, pois resultam 
de uma conjugação de duas ou mais vontades. 
 
O contrato hoje pode ser conceituado como 
um instrumento de tutela à pessoa humana, um 
suporte para o livre desenvolvimento de sua 
existência, inserindo-se a pessoa em sociedade em 
uma diretriz de solidariedade (art. 1º, III, CF), na qual 
o \u201cestar para o outro\u201d se converte em linha 
hermenêutica de todas as situações patrimoniais 
(Nelson Rosenvald, Função Social do Contrato, cit, p. 
82). 
 
Requisitos de validade 
 
a) agente capaz; 
b) objeto lícito e possível e economicamente 
apreciável; 
c) forma prescrita ou não vedada em Lei; 
 
Classificação 
 
· Unilaterais: nascem obrigações 
apenas para uma das partes; uma 
única vontade. Ex.: testamento, 
mútuo. 
· Bilaterais: geram obrigações 
para ambas as partes; duas 
manifestações de vontade. Ex.: 
contrato de compra e venda. 
· Plurilaterais: várias 
manifestações de vontade. Ex.: 
contrato social de uma sociedade 
mercantil. 
· Onerosos: são aqueles em que 
uma das partes assume o ônus e a 
outra assume as vantagens, ou ambos 
assumem o ônus e as obrigações. O 
direito de uma parte é o dever da 
outra parte. Ex.: contrato de compra 
e venda; contrato de locação, etc. 
· Gratuitos: Quando existe 
somente uma prestação. Ex.: contrato 
de doação sem encargos; testamento, 
comodato; etc. 
· Execução instantânea: é quando 
o contrato é de execução imediata, 
esgotando-se num só instante, 
mediante uma única prestação, num 
único ato. Ex.: contrato de compra e 
venda à vista; 
· Trato 
sucessivo/cativos/execução 
continuada: quando um contrato vai 
ser executado em vários atos, no 
momento futuro, continuadamente. 
Ex.: contrato de locação, contrato de 
crediário, contrato de prestação de 
serviços; etc. 
· Diferido: quando um contrato 
vai ser executado em um único ato, 
no momento futuro. Ex.: contrato de 
compra e venda a prazo com um 
único pagamento. 
· Comutativos: as prestações de 
ambas as partes são certas, podendo 
seu montante ser avaliado já no ato 
da conclusão do contrato. Ex.: 
compra e venda. 
· Aleatórios: a prestação de uma 
ou de ambas as partes depende de 
um evento futuro e incerto. Ex.: 
compra de produção da próxima safra 
de laranja, com preço fixado. No 
momento da celebração do contrato o 
preço é fixado, mas se ignora a 
quantidade da produção, e mesmo se 
haverá produção. Há, pois, um risco: a 
álea. Esta álea pode se referir tanto à 
quantidade quanto à própria 
existência da coisa. 
· Principais: possuem vida 
autônoma. Ex.: compra e venda. 
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· Acessórios: sua existência está 
subordinada a de outro contrato: Ex.: 
fiança. 
· Intuito personae: o 
consentimento é dado em razão da 
pessoa do outro contratante. 
· Impessoais: não importa a 
pessoa do outro contratante. 
· Nominados (típicos): estão 
tipificados em lei. 
· Inominados (atípicos): ainda não 
foram regulamentados. São os 
contratos criados pelas partes, dentro 
do princípio da liberdade contratual e 
que não correspondem a nenhum tipo 
previsto no Código Civil. Devem 
respeitar a função social. 
· Contratos paritários: quando as 
partes são colocadas em pé de 
igualdade discutindo amplamente e 
fixando todas as suas cláusulas. 
· Contratos de adesão: quando 
uma das partes se limita aceitar as 
cláusulas e condições previamente 
estipuladas pela outra. Aqui vale 
observarmos a regra disposta do CDC. 
Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas 
tenham sido aprovadas pela autoridade competente 
ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de 
produtos ou serviços, sem que o consumidor possa 
discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. 
§ 1° A inserção de cláusula no formulário não 
desfigura a natureza de adesão do contrato. 
§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula 
resolutória, desde que a alternativa, cabendo a 
escolha ao consumidor, ressalvando-se o disposto no 
§ 2° do artigo anterior. 
§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos 
em termos claros e com caracteres ostensivos e 
legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao 
corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo 
consumidor. (Redação dada pela nº 11.785, de 2008) 
§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito 
do consumidor deverão ser redigidas com destaque, 
permitindo sua imediata e fácil compreensão. 
 
· Não solenes (não formais): a lei 
não exige uma forma preestabelecida 
para reger estes contratos. A regra é 
a utilização dos contratos não solenes 
ou não formais. 
· Solenes: a forma especial deve 
estar expressa em lei. Ex.: contrato de 
compra e venda de bem imóvel; pacto 
antenupcial; contrato de locação 
residencial; doação de imóvel etc. 
 
Princípios contratuais 
 
Princípio da autonomia da vontade 
 Segundo este princípio a pessoa poderá regular 
seus direitos, ou seja, seus interesses próprios. 
Através de sua liberdade de contratar a pessoa realiza 
suas contratações. Fato que deve ser mencionado é a 
questão da limitação dessa liberdade em razão da 
ordem pública. As pessoas possuem liberdade de 
contratar, só que a questão contratual fica limitada a 
função social. 
 
Princípio da obrigatoriedade da convenção (pacta 
sunt servanda). 
 Tal princípio decorre da liberdade de contratar, 
visando fazer com que aquilo que foi contratado se 
torne lei entre as partes. Assim podemos afirmar que 
as partes ficaram obrigadas ao conteúdo contratual, o 
que gera limitação. Entretanto, tal fundamentação 
está sendo mitigada pela doutrina mais moderna, 
bem como, pela jurisprudência. A visão atual é pela 
defesa da permanência do princípio, só que não mais 
como regra geral. Caso venhamos a estar diante de 
uma cláusula abusiva o contrato poderá ser revisado, 
pois a função social permite tal ocorrência. Veja o art. 
51, § 2º do CC/02. 
 
Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos 
 
 Tal princípio encontra limitações na legislação 
vigente. Hoje o contrato não gera efeitos somente 
para as partes, sendo possível afirmar que terceiros 
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poderão sofrer seus efeitos. Estamos diante de uma 
via de mão dupla, terceiros não podem sofrer em 
razão do contrato realizado entre os parceiros 
contratuais e esses terceiros ou terceiro não podem 
criar problemas para esses parceiros contratuais. 
Exemplos modernos: art. 17 do CDC e art. 608 do 
CC/02. 
 
Princípio da boa fé 
 
Consiste em um dever de probidade entre as 
partes, de transparência e lisura. Deve ser observado 
em todas as fases do contrato. A boa-fé objetiva não 
está ligada ao ânimo interior das pessoas envolvidas 
na relação; em verdade, constitui um conjunto de 
padrões éticos de comportamento, modelo ideal de 
conduta que se espera de todos os integrantes de 
determinada sociedade. 
 
Princípio da função social 
 Tal princípio está fundamentado no art. 421 
CC/02, e vale informar que o mesmo não limitou a 
liberdade de contratar e sim legitimou a liberdade 
contratual.