CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Carac. da Narrativa Jurídica (10-08-2012)
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CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Carac. da Narrativa Jurídica (10-08-2012)

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representado em juízo pela mãe, pretende ajuizar ação de alimentos em face do pai.

Situação 3: Alexandre Conduzia seu veículo pela Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, quando parou no semáforo da esquina com a Avenida Rio Branco. Estela, dirigindo desatenta, porque acabara de terminar seu namoro com Antônio, abalroou a traseira do automóvel de Alexandre, causando-lhe dano material computado em R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais). Alexandre pretende ser ressarcido em juízo.

Situação 4: Morador do apartamento 105 de certo condomínio, que comprou o imóvel há um ano, tem problemas constantes com vazamentos provenientes do apartamento 205. Em fevereiro de 2007, além da constante umidade e do cheiro de mofo, o morador do apartamento 105 viu seu teto de gesso do banheiro cair e destruir o box de vidro. O prejuízo (contando mão-de-obra e material) foi orçado em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais).

Situação 5: Albertina, durante as férias no Rio de Janeiro, é atingida por disparo de arma de fogo, de origem desconhecida, e procura hospital público municipal para receber atendimento. Chega andando e conversando normalmente com seus familiares. Duas horas depois, ainda não havia sido atendida. Uma enfermeira informa que não há cirurgião de plantão, razão da demora. Transferida para outro hospital, chega já em estado grave e morre logo depois, em decorrência de anemia aguda.

SITUAÇÃO DE CONFLITO

João (locador)
André (locatário)

Direito

Dever

Direito

Dever

receber o aluguel

possibilitar o uso pacífico do bem

usar de forma pacífica o bem

pagar o aluguel

Tem o direito de receber o aluguel, pois o locatário não honra com essa obrigação há 3 meses

Descumpriu a obrigação de pagar os aluguéis e, assim, motivou o locador a buscar a tutela do Judiciário para garantir esse direito.

SUJEITO PASSIVO
SUJEITO ATIVO

SITUAÇÃO DE CONFLITO

João (locador)
André (locatário)

SUJEITO PASSIVO
SUJEITO ATIVO

PROCESSO

SUJEITO ATIVO
SUJEITO PASSIVO

Autor

Réu

Suposto titular do direito violado

Suposto titular de dever descumprido

PEDIDO

CONTESTAÇÃO

Pagamento dos aluguéis

em atraso e despejo

Não pode pagar os aluguéis porque passa por dificuldades financeiras

Como vimos na primeira aula, as peças processuais têm um denominador comum: precisam narrar os fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento do direito subjetivo da parte passa pela análise dos fatos importantes do conflito e das circunstâncias em que ocorreram.

NARRATIVA SIMPLES DOS FATOS
NARRATIVA VALORADA DOS FATOS

É uma narrativa sem compromisso de representar qualquer das partes. Deve apresentar todo e qualquer fato importante para a compreensão da lide, de forma imparcial.

É uma narrativa marcada pelo compromisso de expor os fatos de acordo com a versão da parte que se representa em juízo. Por essa razão, apresenta o pedido (pretensão da parte autora) e recorre a modalizadores.

Sugerimos iniciar por “trata-se de questão sobre...”

Sugerimos iniciar por “Fulano ajuizou ação de ... em face de Beltrano, na qual pleiteia ...”

VISTOS, relatos e discutidos estes autos de APELAÇÃO CÍVEL N° 1.172/96, em que é apelante CASA DE SAÚDE SANTA HELENA LTDA e apelado HAMILTON DA PAIXÃO AMARÃO E S/MULHER.
ACORDAM os Desembargadores que integram a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para restringir a indenização ao dano moral e despesas com funeral, vencido o Des. João Wehhi Dib que julgava a ação improcedente.
Ação de responsabilidade civil, pelo rito sumaríssimo, em razão da morte de criança recém-nascida. Apontou-se como fato gerador da responsabilidade da ré o fato de ter sido dado alta hospitalar ao filho dos autores logo após o seu nascimento quando ainda não tinha condições físicas para tal. É o relatório.
A sentença (fls.30/35), acolhendo parcialmente o pedido, condenou a ré a pagar aos autores indenização por dano moral – 100 salários mínimos – despesas com funeral e pensões vincendas, a serem apuradas em liquidação, durante nove anos, compreendidos entre os 16 e os 25 anos do filho dos autores.
Recorre a vencida (fls.37/41) sustentando que não existe nos autos prova da culpa da apelante, hão podendo esta ser presumida, mormente em se tratando de criança nascida de mãe desnutrida e fumante. Assim, prossegue, culpar a apelante pelo infeliz acontecimento importa em imputar-lhe responsabilidade pelo procedimento dos próprios pais que, sem condições, resolveram ter mais um filho.
Aduz não ter a sentença considerado a baixa situação social-financeira dos apelados, causa principal da mortalidade infantil, e que a introdução da sonda não foi a causa-mortis da criança. Pede a reforma da sentença.

Ao responder o recurso (fls. 46/47), pugnam os apelados pelo seu desprovimento.

PEÇAS PROCESSUAIS

NARRATIVA SIMPLES OU VALORADA?
SE VALORADA, A FAVOR DE QUEM?

Petição inicial

Contestação

Apelação

Sentença

Parecer

Acórdão

Observação: não se trata de dizer que a PEÇA seja imparcial (simples) ou valorada, mas que a NARRATIVA assim possa ser classificada.

Para o exercício desta semana, recorremos a um trecho de importante romance da literatura jurídica – Em segredo de Justiça� – cujo enredo versa sobre o possível assédio sexual praticado por um conhecido advogado carioca contra sua jovem secretária. Sugerimos a leitura do livro.

Leiamos a narrativa extraída desse romance.

1- A autora, conforme se verifica de sua própria qualificação, detém o grau de bacharel em administração de empresas.

2- Esse diploma foi conquistado não sem esforço, melhor se diria até, com grande sacrifício. Órfã de pai aos nove anos de idade, mais velha de três irmãs, teve a autora muito cedo que começar a trabalhar, para ajudar sua mãe no orçamento doméstico; ainda adolescente, menor de idade, aceitava pequenas tarefas remuneradas, posando para comerciais de televisão, ocasionalmente desempenhando pequenos papéis dramáticos em telenovelas.

3- Terminado o curso colegial, procurou e encontrou emprego estável, indo trabalhar como secretária em conhecida empresa industrial.

4- Foi progredindo em suas funções e logo, mercê de seu esforço e competência, já atendia a um dos mais graduados diretores da empresa.

5- Trabalhava há algum tempo, quando, desejosa de ter formação superior, ingressou, após passar no concurso vestibular, na faculdade de administração.

6- Foram mais quatro anos e meio de luta árdua e a autora, trabalhando durante o dia e estudando. à noite, conseguiu finalmente o ambicionado diploma.

7- Faltava-lhe agora trabalhar na profissão que escolhera e para a qual se capacitara. Era, porém, uma opção difícil. Como secretária, era uma profissional experiente, tendo atingido o topo da carreira; como administradora, tinha um diploma de curso superior completo, mas nenhuma experiência. Onde quer que fosse trabalhar, provavelmente deveria começar com uma remuneração inferior àquela que auferia na empresa industrial.

8- Uma tarde, a autora foi procurada por seu então chefe, Sr. Horácio de Melo Alencar, que lhe perguntou se ela gostaria de ir trabalhar como administradora em um escritório de advocacia, por um salário igual ao que então percebia como secretária.

9- A autora, de início, manifestou surpresa, chegando a duvidar do que julgava ser tanta sorte. O Sr. Alencar, porém, tranqüilizou-a: tinha um amigo - o Sr. Ranulfo Azevedo - homem sério, advogado conceituado, que procurava justamente uma administradora profissional para seu escritório de advocacia.

10- Como se tratava de firma ainda pequena, não fazia questão o Sr. Ranulfo de um ou de uma profissional experiente: queria alguém que tivesse um diploma, bom senso, disposição para trabalhar, e, sobretudo, vontade de crescer junto com a organização.

11- Lembra-se a autora de que, já naquela ocasião, comentara com o Sr. Alencar que “pobre quando vê muita esmola, desconfia" e que estava achando a oportunidade "boa demais para ser “verdade”.

12-	O Sr.