CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Características da Narrativa Jurídica _10-08-2012_
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Disciplina:Teoria e Prática da Narrativa Jurídica711 materiais3.529 seguidores
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que procurar rapidamente um novo emprego.

50- A autora, nervosa, entretida na conversa difícil, não observava para onde estavam se dirigindo. De
repente, em uma curva, o réu saiu com o carro da estrada e entrou em um motel, pedindo imediatamente a chave
da suíte presidencial.

51- Novamente o constrangimento; novamente o envolvimento, as insinuações, a criação de situações sem
saída. E novamente a autora é forçada a aceder aos caprichos sexuais do réu.

52- F0rmava-se assim uma situação irreversível. autora e réu, agora, eram amantes. Não havia como voltar
atrás.

53- Irremediavelmente enredada pelo patrão, era agora prostituída, obrigada a entregar seu corpo para não
perder o emprego. Nada mais restava agora à autora senão manter as aparências e associar-se ao réu no
negregando esforço de manter desconhecido o espúrio conúbio.

54- A rel.ação, vivida às ocultas, durou alguns meses. A autora, porém, sofria muito; não saía mais de casa.
Sua condição de amante fixa de um homem casado, ainda por cima seu patrão, tornava-a uma pessoa amarga,
dissimulada.

55- O único lugar que freqüentava, além do trabalho, era o motel, sempre o mesmo, uma ou duas vezes por
semana pelo menos, ao final do expediente. De vez em quando, quando o réu tinha o.pretexto de alguma viagem,
exigia que a autora o acompanhasse ou que, antes ou depois, passasse com ele uma noite inteira, o que a
obrigava a inventar mentiras constrangedoras para sua velha mãe, com quem ainda morava.

56- Mas não paravam aí os sofrimentos. Também por um outro particular a situação era cruel: além de seus
sonhos profissionais, a autora evidentemente tinha também sonhos como mulher, os sonhos de toda moça: ter
uma relação afetiva normal, sólida, casar-se, gerar e criar os próprios filhos.

57- Aos poucos esses sonhos iam se frustrando. Como poderia ela, sentindo-se como se sentia, uma
prostituta, entregando-se a práticas sexuais com um homem que não amava, conseguir desenvolver um outro tipo
de relação, mais puro e mais saudável?

58- Um dia, porém, apesar de tudo, a autora apaixonou-se por um rapaz solteiro, um jovem médico, dois
anos mais velho que ela, que conheceu na festa de casamento de sua irmã.

59- Sua paixão, para sua felicidade ou desgraça, foi correspondida e logo iniciava ela, cheia de esperanças,
um namoro saudável.

60- Estava, porém, carregada de culpas. Não podia continuar nem mais um minuto levando uma vida dupla:

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
5 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

amando com pureza o jovem médico, ao mesmo tempo em que mantinha com o patrão uma relação adúltera e
pecaminosa. O rompimento com o réu, nas circunstâncias, tornou-se inevitável.

61- O réu, porém, inconformado, insistia, prometia, ameaçava, gritava; chegou mesmo, certa vez, a agredir
fisicamente a autora.

62- Finalmente, deixou-a ir. Mas, no dia seguinte, como era de se esperar, a autora estava demitida.
63- Não parou aí a baixeza do réu. Vingativo, contou ao namorado da autora o caso que tivera com ela,

mostrando-lhe, inclusive, fotografias suas em posições obscenas.
64- A mãe da autora, por sua vez, mal recuperada da cirurgia a que se submetera, não resistiu à sucessão

de crises emocionais da filha e faleceu pouco depois.
65- A própria autora adoeceu seriamente. Não conseguia arranjar emprego; tinha vergonha. O réu, pessoa

conhecida e influente na sociedade, cuja separação recente era assunto das crônicas de intrigas, provavelmente
denegrira seu nome.

66- Poderia a autora alongar-se ainda, por páginas e páginas no relato de seus tormentos. Não o faz. Não é
preciso. V. Exa. saberá, com sua sensibilidade de magistrado, avaliar com precisão quão duros foram esses
tempos de tormento e humilhação que o comportamento reprovável do réu causou à autora.
Questões
a) Resuma, em até cinco linhas, qual a versão narrada pela parte autora.
b) Identifique, na transcrição desse segmento, pelo menos três informações que a parte ré não teria narrado.
Justifique por quê.
C) Identifique pelo menos dois recursos linguísticos que visem a valorar os fatos a favor da parte autora.

[1] Barros, Orlando Mara. Comunicação & Oratória. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001, p. 138.
[2] LACERDA, Gabriel. Em segredo de justiça. Rio de Janeiro: Xenon, 1995, p. 10-20.

==XXX==

RESUMO DE AULA (WALDECK LEMOS)

3ª AULA – Características da Narrativa Jurídica
Características da Narrativa Jurídica
-impessoalidade: Utilizar a linguagem impessoal, na 3ª pessoa do singular (característico do Discurso Científico),
tem uma tendência a uma maior credibilidade, também é possível utilizar a 1ª pessoa do plural, sem o pronome
nós, começando pelo verbo: ex. sabemos.
-Verbos no Passado: A Narrativa Jurídica é marcada com os Verbos no Passado.
-Paragrafação: Dividir o texto em parágrafos. Escrever os parágrafos em torno de 6 linhas.
-Elementos Constitutivos da Demanda (Quem quer? O quê? De quem? Por quê? Quando quer? Como
quer?....).
-Correta identificação do Fato Gerador: Ver processo Civil. É o fato que da origem a LIDE.
Narrativa Jurídica Simples: Normativa com o compromisso de representar qualquer das partes, deve apresentar
todos os fatos relevantes para a compreensão da LIDE. (Narrativa do Juiz - Relatório).
Narrativa Jurídica Valorada: Normativa comprometida com a defesa dos interesses de uma das partes do
processo. (Narrativa dos Advogados – Dos Fatos).

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
6 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

FAZER Ler: Capítulo: Características da Narrativa Jurídica – Néli Luiz Cavalieri Fetzner, do livro
Interpretação e Produção de Textos Aplicadas ao Direito (Néli Luiz Cavalieri Fetzner).

FAZER Ler: Capítulo: Narrativa Jurídica Simples e Narrativa Jurídica Valorada – Néli Luiz Cavalieri Fetzner,
do livro Interpretação e Produção de Textos Aplicadas ao Direito (Néli Luiz Cavalieri Fetzner).

==XXX==

RESUMO DE AULA (PROFESSOR - AULA MAIS - ESTÁCIO)

3ª AULA – Narrativa Jurídica Simples e Narrativa Jurídica Valorada

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Professor Nelson Tavares

Aula 03

Como vimos anteriormente, as peças processuais têm um denominador comum: precisam, em primeiro
lugar, narrar os fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento de um direito passa pela
análise do fato gerador do conflito e das circunstâncias em que ocorreu. Ainda assim, vale dizer que essa
narrativa será imparcial ou parcial, podendo ser tratada como simples ou valorada, a depender da peça que se
pretende redigir.

Pode-se entender, portanto, que valorizar ou não palavras e expressões merece atenção acurada, pois
poderá influenciar na compreensão e persuasão do auditório.1 Essa valoração das informações depende dos
mecanismos de controle social que influenciam a compreensão do fato jurídico.

É preciso lembrar que são diferentes os objetivos de cada operador do direito; sendo assim, o representante
de uma parte envolvida não poderá narrar os fatos de um caso concreto com a mesma versão da parte contrária.
Por conta disso, não se poderia dizer que todas as narrativas presentes no discurso jurídico são idênticas no
formato e no objetivo, visto que dependem da intencionalidade de cada um.

NARRATIVA SIMPLES DOS FATOS NARRATIVA VALORADA DOS FATOS

É uma narrativa sem compromisso de representar
qualquer das partes. Deve apresentar todo e qualquer
fato importante para a compreensão da lide, de forma
imparcial.

É uma narrativa marcada pelo compromisso