CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Características da Narrativa Jurídica _10-08-2012_
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de expor
os fatos de acordo com a versão da parte que se
representa em juízo. Por essa razão, apresenta o
pedido (pretensão da parte autora) e recorre a
modalizadores.

Sugerimos iniciar por “trata-se de questão sobre...” Sugerimos iniciar por “Fulano ajuizou ação de .___ em
face de Beltrano, na qual pleiteia .____.”

O aluno deverá ser capaz de:

- Distinguir a narrativa jurídica simples da narrativa jurídica valorada;

- Identificar as características que marcam esses dois tipos de narrativa;

- - Compreender a relação entre o tipo de narrativa e a peça processual produzida;

- - Conhecer as principais características da narrativa jurídica.

1 Barros, Orlando Mara. Comunicação & Oratória. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001, p. 138.

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
7 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

Situação 1: André reside em certo imóvel, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, de propriedade de João.

André deixa de pagar o aluguel e João pretende ajuizar ação de cobrança cumulada com despejo.

Situação 2: Maurício é filho de Marcos, que registrou a criança assim que essa nasceu. Aos quatro anos do

menor, Maurício constitui nova família e cessa o pagamento da pensão alimentícia. Marcos, representado em

juízo pela mãe, pretende ajuizar ação de alimentos em face do pai.

Situação 3: Alexandre Conduzia seu veículo pela Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, quando parou no

semáforo da esquina com a Avenida Rio Branco. Estela, dirigindo desatenta, porque acabara de terminar seu

namoro com Antônio, abalroou a traseira do automóvel de Alexandre, causando-lhe dano material computado em

R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais). Alexandre pretende ser ressarcido em juízo.

Situação 4: Morador do apartamento 105 de certo condomínio, que comprou o imóvel há um ano, tem problemas

constantes com vazamentos provenientes do apartamento 205. Em fevereiro de 2007, além da constante umidade

e do cheiro de mofo, o morador do apartamento 105 viu seu teto de gesso do banheiro cair e destruir o box de

vidro. O prejuízo (contando mão-de-obra e material) foi orçado em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais).

Situação 5: Albertina, durante as férias no Rio de Janeiro, é atingida por disparo de arma de fogo, de origem

desconhecida, e procura hospital público municipal para receber atendimento. Chega andando e conversando

normalmente com seus familiares. Duas horas depois, ainda não havia sido atendida. Uma enfermeira informa

que não há cirurgião de plantão, razão da demora. Transferida para outro hospital, chega já em estado grave e

morre logo depois, em decorrência de anemia aguda.

SITUAÇÃO DE CONFLITO

João (locador) André (locatário)
Direito Dever Direito Dever

receber o aluguel possibilitar o uso pacífico do
bem

usar de forma pacífica o
bem

pagar o aluguel

Tem o direito de receber o aluguel, pois o locatário
não honra com essa obrigação há 3 meses

Descumpriu a obrigação de pagar os aluguéis e, assim,
motivou o locador a buscar a tutela do Judiciário para
garantir esse direito.

SUJEITO PASSIVO SUJEITO ATIVO

SITUAÇÃO DE CONFLITO

João (locador) André (locatário)

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
8 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

SUJEITO PASSIVO SUJEITO ATIVO

PROCESSO

SUJEITO ATIVO SUJEITO PASSIVO

Autor Réu
Suposto titular do direito violado Suposto titular de dever descumprido

PEDIDO CONTESTAÇÃO
Pagamento dos aluguéis

em atraso e despejo
Não pode pagar os aluguéis porque passa por

dificuldades financeiras

Como vimos na primeira aula, as peças processuais têm um denominador comum: precisam narrar os
fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento do direito subjetivo da parte passa pela
análise dos fatos importantes do conflito e das circunstâncias em que ocorreram.

NARRATIVA SIMPLES DOS FATOS NARRATIVA VALORADA DOS FATOS

É uma narrativa sem compromisso de representar
qualquer das partes. Deve apresentar todo e qualquer
fato importante para a compreensão da lide, de forma
imparcial.

É uma narrativa marcada pelo compromisso de expor os
fatos de acordo com a versão da parte que se representa
em juízo. Por essa razão, apresenta o pedido (pretensão
da parte autora) e recorre a modalizadores.

Sugerimos iniciar por “trata-se de questão sobre...” Sugerimos iniciar por “Fulano ajuizou ação de ... em
face de Beltrano, na qual pleiteia ...”

VISTOS, relatos e discutidos estes autos de APELAÇÃO CÍVEL N° 1.172/96, em que é apelante CASA DE
SAÚDE SANTA HELENA LTDA e apelado HAMILTON DA PAIXÃO AMARÃO E S/MULHER.
ACORDAM os Desembargadores que integram a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de
Janeiro, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para restringir a indenização ao dano moral e despesas
com funeral, vencido o Des. João Wehhi Dib que julgava a ação improcedente.
Ação de responsabilidade civil, pelo rito sumaríssimo, em razão da morte de criança recém-nascida. Apontou-se
como fato gerador da responsabilidade da ré o fato de ter sido dado alta hospitalar ao filho dos autores logo após o
seu nascimento quando ainda não tinha condições físicas para tal. É o relatório.
A sentença (fls.30/35), acolhendo parcialmente o pedido, condenou a ré a pagar aos autores indenização por dano
moral – 100 salários mínimos – despesas com funeral e pensões vincendas, a serem apuradas em liquidação,
durante nove anos, compreendidos entre os 16 e os 25 anos do filho dos autores.
Recorre a vencida (fls.37/41) sustentando que não existe nos autos prova da culpa da apelante, hão podendo esta
ser presumida, mormente em se tratando de criança nascida de mãe desnutrida e fumante. Assim, prossegue,
culpar a apelante pelo infeliz acontecimento importa em imputar-lhe responsabilidade pelo procedimento dos
próprios pais que, sem condições, resolveram ter mais um filho.
Aduz não ter a sentença considerado a baixa situação social-financeira dos apelados, causa principal da
mortalidade infantil, e que a introdução da sonda não foi a causa-mortis da criança. Pede a reforma da sentença.
Ao responder o recurso (fls. 46/47), pugnam os apelados pelo seu desprovimento.

PEÇAS PROCESSUAIS

NARRATIVA SIMPLES OU
VALORADA?

SE VALORADA, A FAVOR DE QUEM?

Curso de Direito
Turma A – Manhã - 2012.1

Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves

Disciplina:
CCJ0009

Aula:
003

Assunto:
Características da Narrativa Jurídica

Folha:
9 de 13

Data:
10/08/2012

MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP

Petição inicial

Contestação

Apelação

Sentença

Parecer

Acórdão

Observação: não se trata de dizer que a PEÇA seja imparcial (simples) ou valorada, mas que a NARRATIVA
assim possa ser classificada.

Para o exercício desta semana, recorremos a um trecho de importante romance da literatura jurídica – Em
segredo de Justiça2 – cujo enredo versa sobre o possível assédio sexual praticado por um conhecido advogado
carioca contra sua jovem secretária. Sugerimos a leitura do livro.

Leiamos a narrativa extraída desse romance.

1- A autora, conforme se verifica de sua própria qualificação, detém o grau de bacharel em administração
de empresas.

2- Esse diploma foi conquistado não sem esforço, melhor se diria até, com grande sacrifício. Órfã de pai aos
nove anos de idade, mais velha de três irmãs, teve a autora