CCJ0009-WL-RA-03-TP na Narrativa Jurídica-Características da Narrativa Jurídica _10-08-2012_
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muito cedo que começar a trabalhar, para ajudar sua 
mãe no orçamento doméstico; ainda adolescente, menor de idade, aceitava pequenas tarefas remuneradas, 
posando para comerciais de televisão, ocasionalmente desempenhando pequenos papéis dramáticos em 
telenovelas. 
3- Terminado o curso colegial, procurou e encontrou emprego estável, indo trabalhar como secretária em 
conhecida empresa industrial. 
4- Foi progredindo em suas funções e logo, mercê de seu esforço e competência, já atendia a um dos mais 
graduados diretores da empresa. 
5- Trabalhava há algum tempo, quando, desejosa de ter formação superior, ingressou, após passar no 
concurso vestibular, na faculdade de administração. 
6- Foram mais quatro anos e meio de luta árdua e a autora, trabalhando durante o dia e estudando. à noite, 
 
2 LACERDA, Gabriel. Em segredo de justiça. Rio de Janeiro: Xenon, 1995, p. 10-20. 
 
Curso de Direito 
Turma A \u2013 Manhã - 2012.1 
Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves 
Disciplina: 
CCJ0009 
Aula: 
003 
Assunto: 
Características da Narrativa Jurídica 
Folha: 
10 de 13 
Data: 
10/08/2012 
 
MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP 
conseguiu finalmente o ambicionado diploma. 
7- Faltava-lhe agora trabalhar na profissão que escolhera e para a qual se capacitara. Era, porém, uma 
opção difícil. Como secretária, era uma profissional experiente, tendo atingido o topo da carreira; como 
administradora, tinha um diploma de curso superior completo, mas nenhuma experiência. Onde quer que fosse 
trabalhar, provavelmente deveria começar com uma remuneração inferior àquela que auferia na empresa 
industrial. 
8- Uma tarde, a autora foi procurada por seu então chefe, Sr. Horácio de Melo Alencar, que lhe perguntou 
se ela gostaria de ir trabalhar como administradora em um escritório de advocacia, por um salário igual ao que 
então percebia como secretária. 
9- A autora, de início, manifestou surpresa, chegando a duvidar do que julgava ser tanta sorte. O Sr. 
Alencar, porém, tranqüilizou-a: tinha um amigo - o Sr. Ranulfo Azevedo - homem sério, advogado conceituado, 
que procurava justamente uma administradora profissional para seu escritório de advocacia. 
10- Como se tratava de firma ainda pequena, não fazia questão o Sr. Ranulfo de um ou de uma profissional 
experiente: queria alguém que tivesse um diploma, bom senso, disposição para trabalhar, e, sobretudo, vontade 
de crescer junto com a organização. 
11- Lembra-se a autora de que, já naquela ocasião, comentara com o Sr. Alencar que \u201cpobre quando vê 
muita esmola, desconfia" e que estava achando a oportunidade "boa demais para ser \u201cverdade\u201d. 
12-O Sr. Alencar disse, contudo, que já tinha conversado a respeito com o Sr. Ranulfo e que tinha sido, 
aliás, o próprio Sr. Ranulfo o primeiro a dizer que estava procurando alguém para administrar seu escritório e que 
se manifestara entusiasmado, ao saber que ela, autora, a secretária de seu amigo Alencar, tinha recentemente se 
formado em administração. 
13- O ex-chefe da autora chegou' até a acrescentar que fora o próprio Sr. Ranulfo que, ao mesmo tempo 
em que elogiava os atributos físicos da autora, perguntara quanto ela ganhava e pedira permissão ao Sr. Alencar 
para convidá-la para trabalhar com ele, Ranulfo. 
14- Por aí já se vê, desde o primeiro momento, quais fossem as intenções do réu, misturando 
indevidamente, como qualificações para preencher o cargo vago em sua empresa, dotes de beleza física e 
aptidões profissionais. 
15- Permite-se a autora, nesse passo, a bem da precisão da narrativa dos fatos, transcrever a expressão 
exata que teria sido usada pelo réu: de fato, segundo o Sr. Alencar, seu amigo Ranulfo teria dito: 
 \u201c_ você quer me dizer que sua secretária é formada em administração? Mas ela é 'gostosa demais'! Você ia 
ficar muito chateado se eu convidasse ela para trabalhar comigo?" 
16- A frase desrespeitosa foi transmitida ipsis litteris à autora pelo Sr. Alencar. A autora, porém, 
infelizmente, não a tomou devidamente em conta. 
17- A oportunidade que se apresentava era excepcional: atendia rigorosamente àquilo com que a autora 
vinha sonhando, desde que ingressara na faculdade. O réu, além disso, era amigo de longa data do Sr. Alencar, 
um profissional conhecido, muito bem sucedido na profissão, tinha reputação de homem sério. Usara por certo 
apenas por troça, "de brincadeira\u201d, em conversa com um amigo, a expressão chula, mas certamente, em seu 
escritório, jamais ousaria ultrapassar os limites do respeito e da conveniência. 
18- Assim pensando, e encorajada por seu chefe, a autora aceitou a oferta e, em fevereiro de 1990, foi 
contratada para o cargo de gerente administrativa da firma: "Escritório de Advocacia Ranulfo Azevedo". 
19- Os primeiros meses foram gratificantes. A autora dedicava-se com afinco .às tarefas que lhe eram 
cometidas. Sua posição era especialmente. delicada, cabendo-lhe gerenciar um grupo que incluía profissionais de 
nível superior, sobre os quais não tinha qualquer ascendência hierárquica. 
20- Mas a autora: parecia vencer o desafio: organizou novas rotinas, mudou a decoração do ambiente, pôs 
em dia e modernizou a cobrança de honorários aos clientes, imaginou e implantou métodos modernos e eficientes 
de administração. 
21- Em verdade, a despeito de sua pouca idade, a autora logo se impôs no ambiente de trabalho, ganhando 
o respeito e a consideração das cerca de trinta pessoas que trabalhavam na firma, entre advogados, estagiários, 
secretárias e funcionários. 
22- O próprio réu, de início, parecia encantado, mais com a competência profissional que com os alegados 
atributos físicos da autora, comportando-se geralmente de forma respeitosa, formal,quase cerimoniosa. 
23- A seriedade do réu, contudo, era apenas hipócrita máscara, atrás da qual se escondia um verdadeiro e 
imoral sátiro, um autêntico maníaco sexual. 
24- Essa faceta começou a ficar clara em uma ocasião muito marcante. 
25- Ao final de junho, o Escritório de Advocacia Ranulfo Azevedo organizou, como fazia todos os anos, uma 
convenção em um hotel fora da cidade. 
 
Curso de Direito 
Turma A \u2013 Manhã - 2012.1 
Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves 
Disciplina: 
CCJ0009 
Aula: 
003 
Assunto: 
Características da Narrativa Jurídica 
Folha: 
11 de 13 
Data: 
10/08/2012 
 
MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-003/WLAJ/DP 
26- Era reunião de dois dias, congregando advogados e estagiários e respectivas famílias. Saíam todos do 
escritório em uma sexta-feira à tarde, em um ônibus fretado. Durante todo o dia de sábado e na manhã de 
domingo os advogados e estagiários debatiam temas profissionais, ligados à gestão do escritório ou a assuntos 
propriamente jurídicos. As noites de sexta-feira e de sábado, porém, eram puramente sociais, dedicadas à 
confraternização. 
27- A autora foi convidada para o seminário. De início, teve dúvidas em aceitar o convite. Sabia que era a 
primeira vez que alguém, não diretamente ligado às atividades profissionais da firma, participava de uma 
convenção daquele tipo. Finalmente, face à insistência do réu, sentindo-se honrada, aceitou. 
28- Não levou, porém, acompanhante. Nem a autora, nem o réu, cuja esposa estava, na ocasião, ao que foi 
dito, em viagem ao exterior. 
29- Na noite de sexta-feira houve de fato uma grande confraternização. Todos conversavam 
animadamente; o jantar foi agradável e havia muita amizade e alegria. Mas nada de anormal ou grave aconteceu 
e, por volta das onze horas da noite, já todos estavam recolhidos. 
30- Aconteceu, isto sim, na noite de sábado. Nessa noite, após o jantar, um conjunto tocava música de 
dança. Sem acompanhante, o réu tirou a autora várias vezes para dançar. À medida que a noite se desenvolvia, 
cada vez mais procurava o réu a proximidade corporal com a autora. 
31- Os outros casais aos poucos iam se recolhendo aos respectivos aposentos