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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
AlfaCon Concursos Públicos
Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com 
fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização do AlfaCon Concursos Públicos.
1
ÍNDICE
Lei de Tortura –9.455/97 .....................................................................................................................................2
Observações – Crimes .......................................................................................................................................................2
Ação Penal ......................................................................................................................................................................2
Conduta e Elemento Subjetivo ....................................................................................................................................2
Sujeito Ativo ...................................................................................................................................................................2
Crimes Em Espécie – Art. 1, Inciso I ...............................................................................................................................2
Art. 1, I – Dolo Genérico ..............................................................................................................................................3
Art. 1, I “a” – Tortura PROVA/CONFISSÃO .............................................................................................................4
Art. 1, I “b” – Tortura CRIME .....................................................................................................................................5
Art. 1, I “c” – Tortura DISCRIMINATÓRIA.............................................................................................................6
AlfaCon Concursos Públicos
Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com 
fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização do AlfaCon Concursos Públicos.
2
Lei de Tortura –9.455/97
Observações – Crimes
Ação Penal
Todos os crimes da Lei 9.455/97 são de ação penal pública incondicionada.
Conduta e Elemento Subjetivo
A conduta criminosa de um tipo penal pode ser praticada mediante ação ou omissão. No caso 
dos crimes da Lei de Tortura, todos serão cometidos mediação ação (conduta comissiva), exceto o 
crime do art. 1°, §2, que exigirá omissão (conduta omissiva) por parte do sujeito ativo.
Quanto ao elemento subjetivo, saiba que todos os crimes da Lei 9.455/97 são dolosos. Não existe 
em nosso ordenamento jurídico “tortura culposa”.
Sujeito Ativo
Os crimes da Lei de Tortura são classificados como comuns, ou seja, qualquer pessoa poderá 
praticá-lo, não se exigindo, via de regra, nenhuma “condição especial” do sujeito ativo. As exceções 
ficam por conta do art. 1°, II (tortura castigo) e §2° (tortura omissão) da Lei, que segundo a melhor 
doutrina são crimes próprios (conforme veremos).
Nesse ponto a Lei 9.455/97 destoa de vários documentos internacionais que tratam do tema, pois 
muitos deles restringem a incidência do crime apenas aos agentes estatais. A Lei de Tortura foi além, 
ampliando o espectro de proteção da integridade física e psíquica das vítimas, na medida em que não 
restringiu a sua incidência apenas para os casos de tortura infligida por agentes públicos.
Nas esclarecedoras palavras da 6ª Turma do STJ, veiculadas por meio do informativo 633, apren-
demos nesse sentido: (...) De início, cumpre esclarecer que o conceito de tortura, tomado a partir dos 
instrumentos de direito internacional, tem um viés estatal, implicando que o crime só poderia ser pra-
ticado por agente estatal (funcionário público) ou por um particular no exercício de função pública, 
consubstanciando, assim, crime próprio. A despeito disso, o legislador pátrio, ao tratar do tema na 
Lei n. 9.455/1997, foi além da concepção estabelecida nos instrumentos internacionais, na medida 
em que, ao menos no art. 1º, I, ampliou o conceito de tortura para além da violência perpetrada por 
servidor público ou por particular que lhe faça as vezes, dando ao tipo o tratamento de crime comum. A 
adoção de uma concepção mais ampla do tipo supracitado, tal como estabelecida na Lei n. 9.455/1997, 
encontra guarida na Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos 
ou Degradantes, que ao tratar do conceito de tortura estabeleceu – , em seu art. 1º, II – , que: o presente 
artigo não será interpretado de maneira a restringir qualquer instrumento internacional ou le-
gislação nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais amplo. (...)1
ACRÉSCIMO: Alguns doutrinadores dão a alcunha de “jabuticaba” à Lei em questão, haja vista que 
essa ampliação do sujeito ativo não existe nos diplomas normativos da grande maioria dos países.
FIQUE ATENTO! Se o crime de tortura for praticado por agente público, haverá a incidência da 
causa de aumento de pena do art. 1°, §4°, I.
Crimes Em Espécie – Art. 1, Inciso I
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I-Constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da 
vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
Pena – reclusão, de dois a oito anos.
1 REsp 1.738.264-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, por maioria, julgado em 23/08/2018.
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Art. 1, I – Dolo Genérico
Art. 1º Constitui crime de tortura:
I-Constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental
a) Conduta Típica e Elemento Subjetivo:
Tal dispositivo elenca como núcleo do tipo (verbo que descreve a conduta criminosa) a conduta 
de “constranger” alguém, ou seja, obrigar, forçar, compelir alguém. Além disso, esse constrangimen-
to será exercido mediante o emprego de violência (a chamada violência “física”) ou grave ameaça (a 
chamada violência “moral”).
O emprego da violência ou grave ameaça deve ter a aptidão de causar sofrimento físico (vio-
lência) ou mental (grave ameaça) na vítima. Como exemplo de sofrimento físico, temos desde vias 
de fato, lesão corporal e até homicídio. Como exemplo de sofrimento mental, temos situações de 
extrema angústia, medo ou abalo psicológico.
Perceba que a lei não menciona o sofrimento moral. Portanto, deve haver ou sofrimento físico ou 
sofrimento mental.
Ok Professor! Então quando um criminoso constrange alguém, mediante violência ou grave ameaça, 
causando sofrimento físico ou mental a uma pessoa ele responderá por crime de tortura?
Não, necessariamente! Vamos explicar isso agora, ao falarmos a respeito do elemento subjetivo 
do crime do inciso I, que é o DOLO.
Tudo isso que falamos até o momento reflete o que a doutrina chama de dolo genérico (ou 
apenas “dolo” – presente em todos os crimes dolosos). Ocorre que o crime de tortura do inciso I exige 
também o chamado dolo específico (ou “elemento subjetivo específico” – presente em alguns crimes 
dolosos), que se consubstancia em qualquer das finalidades específicas presentes nas alíneas “a”, “b” 
e “c” do art. 1, I.
Então, dito de outra forma, para que se configure o crime de tortura do inciso I, é necessário que 
exista pelo menos a pretensão de se alcançar alguma das finalidades específicas previstas nas alíneas.
Ah, professor, então para a caracterização do crime de tortura do inciso Ié necessário que se 
alcance alguma das finalidades específicas das alíneas? Não é necessário que se alcance, mas apenas 
que haja a pretensão, a intenção inicial, o dolo específico de torturar para se chegar a alguma dessas 
finalidades (mesmo que ela não seja alcançada). Logo iremos estudar cada uma delas para esclare-
cermos todos esses pontos.
Alínea “a” Tortura PROVA/CONFISSÃO
Alínea “b” Tortura CRIME
Alínea “c” Tortura DISCRIMINATÓRIA
b) Objeto Material:
É a pessoa ou coisa sob a qual recai a conduta criminosa. No caso do crime em questão, ela 
recairá sob a pessoa física que sofre o ato de tortura.
c) Sujeito do Crime:
Como vimos, o sujeito ativo (quem pode praticar o crime) é qualquer pessoa, crime comum.
Da mesma forma, terá como sujeito passivo qualquer pessoa. É interessante notar que um mesmo 
ato de tortura poderá ter mais de uma vítima (sujeito passivo).
Ex.: Um criminoso sequestra e começa a torturar uma criança, 
com o objetivo de que seu pai confesse a prática de um crime 
cometido.
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Art. 1, I “a” – Tortura PROVA/CONFISSÃO
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou de terceira pessoa;
a) Conduta Típica (criminosa) e Elemento Subjetivo:
Nessa alínea temos a conduta do agente que constrange/obriga alguém, mediante o emprego de 
violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, a lhe fornecer alguma infor-
mação, declaração ou confissão (dela ou de terceira pessoa).
Perceba que a finalidade especifica (dolo específico) do constrangimento é a obtenção de infor-
mação, declaração ou confissão.
Ex.: Policial que tortura uma pessoa para que ela confesse a prática 
de um crime.
Ex.: Um credor vai até a casa de seu devedor, adentra em sua resi-
dência e o amarra em uma cadeira. A partir daí começa a torturá
-lo para que declare que o deve e assine um documento de confis-
são de dívida.
b) Consumação e Tentativa:
O crime se consuma no momento em que é empregada a violência ou grave ameaça, resultando 
no sofrimento físico ou mental à vítima, ainda que a finalidade específica (informação, declaração 
ou confissão) não tenha sido alcançada.
Ou seja, caso o criminoso consiga a informação, declaração ou confissão, isso é mero exauri-
mento do crime.
Cuida-se de crime formal e que admite a tentativa.
FIQUE ATENTO! Quando estudamos o tema “provas ilícitas”, em processo penal, aprendemos 
que elas são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo (art. 157 CPP). Essa é a regra. 
Contudo, a doutrina nos ensina uma exceção a essa regra, na qual a prova, mesmo ilícita, poderá 
ser aceita em juízo: quando for utilizada para provar a inocência do réu (é a chamada prova ilícita 
“pró réu”). Dessa forma, o réu poderia produzir uma prova ilícita e ela seria admitida, desde que 
com o objetivo de provar a sua inocência.
Contudo, muito cuidado. Mesmo a chamada “prova ilícita pró réu” possui seus limites. A melhor doutrina 
entende que, caso o réu se utilize de atos de tortura para provar a sua inocência, essa prova ilícita será 
considerada absolutamente inadmissível, haja vista que de maneira nenhuma se pode admitir o emprego 
métodos de tortura, mesmo que estejamos diante de uma prova que irá inocentar o réu.
c) Classificação Doutrinária:
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Art. 1, I “b” – Tortura CRIME
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
a) Conduta Típica (criminosa) e Elemento Subjetivo:
Nessa alínea temos a conduta do agente que constrange/coage alguém, mediante o emprego de 
violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, a praticar uma conduta (ação 
ou omissão) de natureza criminosa.
Perceba que a finalidade especifica (dolo específico) do constrangimento é a pratica de um crime, 
por parte da vítima que foi torturada.
Ex.: Marcelo está sendo processado pela prática de crime de ho-
micídio. João, que ainda será ouvido em juízo, é uma testemunha 
chave do crime. Marcelo captura João e o submete à tortura física, 
mediante o emprego de choques elétricos, para que a testemunha, 
em seu depoimento judicial, não forneça nenhuma informação 
que possa incriminá-lo (incorrendo no crime de falso testemunho 
– art. 342 CP).
Ex.: Marcelo, exímio atirador, entra em contato com João, seu 
antigo companheiro de clube de tiro, e o constrange a praticar 
o crime de homicídio contra a pessoa de Roberto, desafeto de 
Marcelo. Ele manda para João um vídeo, gravado ao vivo, de seus 
filhos que estão com a mãe em um parque da cidade. Ele o ameaça 
dizendo que se João não matar Roberto no prazo de 30 minutos, 
irá atirar em direção à família do mesmo. João então, sabedor que 
Marcelo passa por problemas psicológicos, além dele ser um ótimo 
atirador, não vê outra alternativa a não ser cometer o crime contra 
Roberto.
b) Consumação e Tentativa:
O crime se consuma no momento em que é empregada a violência ou grave ameaça, resultando 
no sofrimento físico ou mental à vítima, ainda que a finalidade específica (provocar ação ou omissão 
de natureza criminosa) não tenha sido alcançada, ou seja, ainda que a vítima não pratique o crime.
Caso o torturador consiga que a vítima pratique a ação ou omissão criminosa, isso é mero exau-
rimento do delito de tortura. Cuida-se de crime formal e que admite a tentativa.
Saiba ainda que, se a vítima do crime de tortura pratica a ação ou omissão de natureza criminosa 
ela, obviamente, não responderá pelo crime. Como funciona isso professor?
O que temos aqui é a vítima agindo sob coação MORAL irresistível (art. 22, CP). Em Direito 
Penal aprendemos que esse tipo de coação isenta o agente de pena, na medida em que não era 
exigível, no caso concreto, que a pessoa sob coação tivesse uma conduta diversa da que teve (a prática 
da ação ou omissão de natureza criminosa). Dessa forma, presente a chamada “inexigibilidade de 
conduta diversa”, nós excluímos o elemento do crime: culpabilidade.
O autor do crime de tortura é quem também será responsabilizado pela ação ou omissão de 
natureza criminosa praticada pela vítima. Quanto à tortura, ele será autor imediato; Já quanto à 
conduta criminosa da vítima, por ele provocada, essa lhe será imputada a título de autoria mediata.
No nosso último exemplo, Marcelo irá responder pelo crime de tortura contra João (por autoria 
imediata) em concurso (material, art. 69 CP) com o crime de homicídio contra Roberto (por autoria 
mediata). João não responderá por crime nenhum (sua culpabilidade é excluída).
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FIQUE ATENTO! Como já dito, aqui poderemos ter a hipótese de coação MORAL irresistível. Não 
se trata de coação física irresistível. Esses são institutos diferentes. Enquanto a coação moral irresistí-
vel exclui a culpabilidade, a coação física irresistível exclui a conduta criminosa, e, por consequência, 
também o fato típico. Saiba também que, quando temos coação física irresistível não há o elemento 
vontade por parte da vítima, como por exemplo a pessoa que coloca à força uma arma na mão de outra 
e pressiona o dedo dela contra o gatilho, acionando o projetil e baleando um terceiro. Já na coação moral 
irresistível há o elemento vontade, porém essa vontade está viciada, na medida em que se encontra com-
pletamentedependente da coação moral a qual não se pode resistir (como nos exemplos já citados).
Por fim, temos que a alínea “b” somente restará configurada se a coação for empregada para que 
a vítima pratique ação ou omissão que resulte em crime, ou seja, se houver um constrangimento 
para a prática de contravenção penal não estaremos diante de crime de tortura, podendo configu-
rar, a depender do caso concreto, o crime de constrangimento ilegal (art. 146 CP)2.
c) Classificação Doutrinária:
Art. 1, I “c” – Tortura DISCRIMINATÓRIA
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
a) Conduta Típica (criminosa) e Elemento Subjetivo:
Nessa alínea temos a conduta do agente que constrange alguém, mediante o emprego de violên-
cia ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, em razão de discriminação racial 
ou religiosa.
Ex.: Pessoa, simpatizante das criminosas ideologias nazistas, que 
espanca um judeu, em razão de sua nacionalidade e religião.
ACRÉSCIMO: Aqui, diferentemente do que acontece nas outras duas alíneas, o torturador não 
exige que a vítima adote qualquer tipo de conduta (ação ou omissão). Nas palavras de Rogério 
Sanches Cunha: “tortura apenas por preconceito à sua raça ou religião” (Leis Penais Especiais co-
mentadas – artigo por artigo).
Para a melhor doutrina, a “discriminação” não é uma propriamente uma finalidade específica, 
mas a motivação para a prática do crime. Dito de outra forma: o agente não constrange a vítima, 
empregando violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental, para discriminar. 
É o contrário. O criminoso, motivado por discriminação racial ou religiosa, constrange a vítima, 
empregando violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental. O agente já inicia a 
tortura motivado pela discriminação3.
2 Nesse sentido:
ROQUE, Fábio; TAVORA, Nestor; ALENCAR; Rosmar Rodrigues. Legislação Criminal para concursos. 4ª ed. Salvador: Juspo-
divm, 2019, p. 509.
CUNHA, Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Leis Penais Especiais comentadas-artigo por artigo. 2ª ed. Salvador: Juspo-
divm, 2019, p. 1198.
3 ROQUE, Fábio; TAVORA, Nestor; ALENCAR; Rosmar Rodrigues. Legislação Criminal para concursos. 4ª ed. Salvador: 
Juspodivm, 2019, p. 510.
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De qualquer forma, sempre deve existir a específica motivação discriminatória, seja racial, seja religiosa.
b) Consumação e Tentativa:
O crime se consuma no momento em que é empregada a violência ou grave ameaça, resultando 
no sofrimento físico ou mental à vítima.
Para alguns trata-se de crime formal4. Já para outros, cuida-se de crime material5. Seja qual for a 
classificação, sempre admite tentativa.
FIQUE ATENTO! Essa modalidade de tortura apenas existe no caso das formas de discriminação ta-
xativamente previstas na alínea “c”, ou seja, racial ou religiosa. Se a motivação da tortura for qualquer 
outro tipo de discriminação (em razão de idade, em razão do sexo, etc.), não haverá o crime de tortura 
discriminação (podendo haver a incidência de qualquer outro tipo penal, conforme o caso concreto).
Ex.: Marcelo, simpatizante das criminosas ideologias nazistas, 
avista um casal de homossexuais saindo do metrô. Nutrido de um 
sentimento de profunda aversão e utilizando-se de um taco de 
beisebol, Marcelo vai em direção ao casal citado e começa a defe-
rir-lhes diversos golpes, causando várias lesões.
Por mais que possa soar estranho, no exemplo acima nós não temos o crime de tortura da alínea 
“c”, haja vista que a discriminação que motivou o ataque não era nem racial e nem religiosa e, como 
sabemos, a analogia in malam partem (para prejudicar o réu) é vedada no Direito Penal. Marcelo poderá 
responder pelo crime de lesões corporais, homicídio, entre outros (conforme o dolo de sua conduta).
c) Classificação Doutrinária:
Exercícios
01. O crime de tortura visando a obtenção de informação, declaração ou confissão da vítima é 
crime próprio, pois somente pode ser cometido por agentes públicos.
Certo ( ) Errado ( )
02. Na tortura designada como tortura discriminatória, em que a violência ou a grave ameaça são 
motivadas por discriminação racial, a ação penal é pública condicionada à representação da 
vítima, nos moldes dos crimes de racismo, tipificados em legislação própria.
Certo ( ) Errado ( )
03. A denominada tortura para a prática de crime ocorre quando o agente usa de violência ou 
grave ameaça para obrigar a vítima a realizar ação ou omissão de natureza criminosa. Assim, 
essa forma de tortura não abrange a provocação de ação contravencional.
Certo ( ) Errado ( )
4 Nesse sentido: Guilherme de Souza Nucci e Gabriel Habib. Acredito que esse seja o posicionamento para provas de concursos.
5 Nesse sentido: Nestor Távora e Fabio Roque; Claudia Barros Portocarrero.
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04. Situação hipotética: Um cidadão penalmente imputável, com emprego de extrema violência, 
submeteu pessoa homossexual a intenso sofrimento físico e mental, motivado, unicamente, por 
discriminação à orientação sexual da vítima. Assertiva: Nessa situação, é incabível o enquadra-
mento da conduta do autor no crime de tortura em razão da discriminação que motivou a violência.
Certo ( ) Errado ( )
05. É crime de tortura (Lei n. 9.455/1997) a conduta de constranger alguém com emprego de grave 
ameaça, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação religiosa.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito
01 - Errado
02 - Errado
03 - Certo
04 - Certo
05 - Certo

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