CCJ0009-WL-RA-04-TP na Narrativa Jurídica-Polifonia e Intertextualidade _17-08-2012_
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pois, se não o fizer, deixará escapar significados 
importantes, ou pior ainda, concordará com idéias ou pontos de vista que rejeitaria se os percebesse. Assim, para 
ser um bom produtor de texto jurídico, é necessário que o emissor esteja apto a utilizar os recursos disponíveis na 
língua a serviço da modalização. 
Não se trata de mentir ou manipular, o que constituiria verdadeiro problema de ética profissional e humana. 
Trata-se, isso sim, de construir versões verossímeis sobre como se desenvolveu a lide. 
 
Orientações gerais de norma culta aplicadas à linguagem jurídica: 
1) Não há dúvida de que, se os reiterados "através de" forem substituídos, com propriedade, pelas 
preposições "por", "com", "em" ou "de", conforme o caso, a frase ganhará em elegância e vernaculidade. 
2) O uso forense consagrou há muito a locução "a folhas", da mesma forma que também o fez com a 
expressão "de fls.". É freqüente encontrar essa locução como se antes de folhas houvesse também o 
artigo "as" ("às folhas"). Contudo, o correto é dizer "a folhas" da mesma forma que nos referimos a 
"documento de folhas". Vem a propósito a lição de NAPOLEÃO MENDES DE ALMEIDA, que em verbete 
do seu Dicionário de Questões Vernáculas, diz que "a folhas vinte e duas" significa "a vinte e duas folhas 
do início do trabalho", como quem diz "a vinte e duas braças". A respeito do uso da expressão "a fls.", 
convém assinalar que freqüentemente ela trunca desnecessariamente as frases da sentença. Parece 
 
Curso de Direito 
Turma A \u2013 Manhã - 2012.1 
Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves 
Disciplina: 
CCJ0009 
Aula: 
004 
Assunto: 
Polifonia e Intertextualidade 
Folha: 
6 de 7 
Data: 
17/08/2012 
 
MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-004/WLAJ/DP 
mesmo às vezes que o juiz, ao prolatar a sentença, está mais voltado para "documentos" e "peças do 
processo" do que para o conteúdo e significado deles. A referência \u201ca fls.\u201d constitui mero expediente para 
facilitar ao leitor da sentença a localização do documento ou peça. Por isso muitas vezes será melhor 
retirar a referência do contexto, colocando-a entre parênteses. 
3) Esse (e variantes) \u2013 pronome demonstrativo utilizado para retomar referentes cujas idéias já foram 
apresentadas no discurso. Este (e variantes) \u2013 pronome demonstrativo utilizado para indicar idéias que 
ainda serão apresentadas no discurso. 
4) Entre os vícios de linguagem que devem ser combatidos inclui-se o estrangeirismo desnecessário, por se 
encontrarem, no vernáculo, vocábulos equivalentes. Quando não houver equivalente, porém, em língua 
materna, segundo a ABNT, deve ser grafado o vocábulo com destaque em itálico. 
5) O italianismo "em sede de\u201d pode, em geral, ser substituído por outros termos mais apropriados. 
6) Napoleão Mendes de Almeida, em o Dicionário de Questões Vernáculas, registra como ERRO o emprego 
do demonstrativo \u201cmesmo" com função pronominal. Aurélio Buarque de Holanda, em seu Dicionário anota 
ser conveniente evitar o uso de \u201co mesmo\u201d como equivalente dos pronomes "ele\u201c, "o" etc. 
7) Nenhum dicionário autoriza o neologismo \u201cinobstante\u201d, que circula nos meios forenses a par de outras 
expressões de formação semelhante. Preferível o uso das expressões vernáculas já consagradas: "não 
obstante" ou "nada obstante". A mesma observação se pode fazer em relação a outros neologismos como 
\u201cinacolhida\u201d. 
8) A expressão \u201cocorre que\u201d não tem objetividade redacional na formulação da peça processual. Alguns 
professores de Língua Portuguesa chamam isso de \u201cmuleta redacional\u201d. 
9) Para orientações quanto à indicação de dispositivos legais em textos jurídicos, recomendamos a edição 
atualizada de \u201cPortuguês no Direito\u201d, de Ronaldo Caldeira Xavier. 
 
 
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Capítulo: Modalizadores 
Livro: Interpretação e Produção de Textos Aplicadas ao Direito 
(Néli Luiz Cavalieri Fetzner) 
 
 
 
 
 
 
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Capítulo: A Polifonia na Narrativa Jurídica 
 
Curso de Direito 
Turma A \u2013 Manhã - 2012.1 
Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
Prof.: Francysco Pablo Feitosa Gonçalves 
Disciplina: 
CCJ0009 
Aula: 
004 
Assunto: 
Polifonia e Intertextualidade 
Folha: 
7 de 7 
Data: 
17/08/2012 
 
MD/Direito/Estácio/Período-02/CCJ0009/Aula-004/WLAJ/DP 
Livro: Interpretação e Produção de Textos Aplicadas ao Direito 
(Néli Luiz Cavalieri Fetzner) 
 
 
 
 
 
 
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