Apostila UNIJUÍ - Redes empresariais e gestão da qualidade
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Apostila UNIJUÍ - Redes empresariais e gestão da qualidade

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racional e divisão do trabalho;
a observância da impessoalidade
nas relações; hierarquia de auto-
ridade; rotinas e procedimentos

padronizados; competência técni-
ca e meritocracia; especialização

da administração; profissiona-
lização dos participantes, bem
como completa previsibilidade
do funcionamento. Dentro do

cientificismo estruturado de
Max Weber as ações humanas
devem obedecer a um rígido e

disciplinado princípio hierárquico:
nada deve “sair” daquilo que

está previamente determinado.
Um dos pontos mais duramente

criticados pelos opositores de
Weber na chamada “burocracia

weberiana”, analisando-a a partir
da Teoria Organizacional, teve

como fator determinante a rigidez
que Weber tentou “impregnar”
nas ações humanas. Veja mais

em http://www.forumseguranca.
org.br/artigos/burocracia-uma-

reflexao

Autocracia

– Literalmente significa, a partir
dos radicais gregos autos (por
si próprio), e cratos (governo),

governo por si próprio. O sentido
do termo tem uma denotação

histórica concreta e política que
converge em muitos pontos. Veja
mais em: http://pt.wikipedia.org/

wiki/Autocracia

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redes empresariais e gestão da qUalidade

(...) podem surgir das oportunidades de economias de custo pelo compartilhamento de recursos ou

combinação de atividades em qualquer ponto da respectiva cadeia de valor do negócio e do comparti-

lhamento de utilização de nome de marca. ... quanto maior a economia, maior é o potencial da empresa

criar vantagem competitiva baseada em custos mais baixos (2002, p. 259).

Juntas, as pequenas e médias empresas (PMEs) podem buscar cooperação, também, com

outros elos da cadeia, estabelecendo parcerias com fornecedores, distribuidores, prestadores de

serviços e outros.

O estudo das redes interempresariais não é recente, porém é de forma geral

muito abrangente e complexo, uma vez que compreende vários tipos de redes

organizadas e constituídas de formas diferentes.

Porter define redes como sendo “... o método organizacional de atividades

econômicas através da coordenação e/ou cooperação interfirmas” (1999).

Amato Neto (2000) afirma que as relações intra e interempresas vêm se intensi-

ficando na economia moderna como uma das principais tendências, com relevância tanto para as

economias dos países industrializados, como Itália, Japão e Alemanha, quanto para países emer-

gentes ou de economias em desenvolvimento como o México, Chile, Argentina e o próprio Brasil.

Para o autor, a cooperação interempresarial pode viabilizar o atendimento de diversas necessidades

que seriam difíceis de satisfazer em caso de atuações isoladas das pequenas empresas.

Para Amato Neto,

... as redes estão situadas no âmago da teoria organizacional, e pode-se compreender que

uma rede interfirmas constitui-se no modo de regular a interdependência de sistemas com-

plementares (produção, pesquisa, engenharia, coordenação e outros... (2000, p. 46).

Dessa forma, as empresas não estão agregadas em uma única firma e as

competências e atribuições de uma rede estão ligadas muito mais aos processos

de coordenação do que à coalizão interfirmas.

Nas palavras de Fayard (2000), as redes intensificam a

interação entre atores sociais, promovendo uma redução do tempo e do espaço

nas inter-relações, fatores altamente estratégicos para a competitividade das

organizações no século 21.

Casarotto Filho e Pires (1999) abordam os mecanismos de rede como estratégias empre-

sariais e de competitividade para as pequenas empresas. Apresentam um estudo sobre cadeia

de valor e vantagens competitivas, relatando os principais tipos e características de consórcios.

Um dado interessante nessa obra é o exemplo de mecanismos de integração na região da Emília

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Romagna, que relata a experiência italiana, abordando a criação do consórcio para gestão da

marca, organização do agricultor, avanços tecnológicos e soluções para o crédito, por meio de

cooperativas e consórcios e as comparações do exemplo da Itália com a situação brasileira.

Para Barquero (2001, p. 98), “... a rede caracteriza-se por um conjunto de vínculos fracos,

cuja inter-relação atua no sentido de fortalecê-la com base no acesso à informação, na aprendi-

zagem interativa e na difusão da inovação”.

Já no entendimento de Balestrin e Werschoore (2008, p. 79), “... redes de cooperação

constituem grupos de empresas coesas e amplamente inter-relacionadas, orientadas a gerar e

oferecer soluções competitivas de maneira coletiva e ordenada”.

Prosseguem os autores afirmando:

As redes de cooperação empresarial podem ser definidas como organizações compostas por um grupo

de empresas formalmente relacionadas, com objetivos comuns, prazo de existência ilimitado e escopo

múltiplo de atuação. Nelas, cada membro mantém sua individualidade legal, participa diretamente

das decisões e divide simetricamente com os demais os benefícios e ganhos alcançados pelos esfor-

ços coletivos. Elas são compreendidas como um modelo organizacional dotado de estrutura formal

própria, com um arcabouço de coordenação específico, relações de propriedade singulares e práticas

de cooperação características. Suas especificidades exigem novas práticas organizacionais e de ges-

tão, encontrando limites a replicação de modelos de gestão vigentes e utilizados nas configurações

empresariais tradicionais.

Sendo assim, o que se percebe de comum entre os diversos autores citados é a unanimidade

em apontar para a importância das redes empresariais como uma alternativa aos pequenos e

médios empresários para que possam viabilizar a sua manutenção no mercado.

Após termos estabelecido esses conceitos primários e contextualizado algumas experiências

em termos de redes empresariais e os benefícios possíveis por meio delas, passaremos à próxima

Unidade, na qual avançamos para o tema classificação de redes.

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redes empresariais e gestão da qUalidade

classiFicação de redes interorganizacionais

O objetivo desta Unidade é apresentar possibilidades de classificação de redes interorga-

nizacionais, diferenciando-as em redes verticais e horizontais. Também dá destaque ao apoio do

governo de Estado do Rio Grande do Sul no fomento à constituição e desenvolvimento de redes

horizontais de cooperação.

introdUção

O fato de existir uma grande variedade de conceitos e aplicações sobre redes de empresas

dificulta a operacionalização de um conceito, no entanto apresentaremos algumas tipologias e

classificações propostas por diversos autores.

Para Castells (2001), as redes de empresas

aparecem sob diferentes formas, em diferentes contextos e a partir de expressões culturais diversas.

Redes familiares nas sociedades chinesas e no norte da Itália; redes de empresários oriundos de ricas

fontes tecnológicas dos meios de inovação, como o Vale do Silício; redes hierárquicas comunais do

tipo Keiretsu japonês; redes organizacionais de unidades empresariais descentralizadas de antigas

empresas verticalmente integradas, forçadas a adaptar-se às realidades da época; e redes internacio-

nais resultantes de alianças estratégicas entre empresas (p. 204).

Cândido (2001), por seu turno, alerta que as redes organizacionais e as alianças sofrem um

grande conjunto de variações e aplicações que dependem do tipo de ambiente em que a empre-

sa ou o conjunto de empresas atue, em termos de pressões ambientais, que envolvem pessoas,

estratégias, estrutura organizacional, tecnologia e outros fatores. Para melhor compreendê-las,

entretanto, adotaremos a subdivisão em redes verticais e horizontais, conforme explicamos na

seqüência.

Unidade 2

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seção 2.1

redes verticais de cooperação

Para Santos et. al. (1994), numa rede vertical as relações ocorrem entre uma empresa e os

componentes dos diferentes elos ao longo de uma cadeia produtiva. As empresas, nesse caso,

cooperam com seus parceiros comerciais: produtores, fornecedores,