Direito Romano
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dos artesãos e músicos comportava 8 centúrias. O voto
nas centúrias era uma espécie de revista militar; procedia-se como na guerra. Os cavaleiros (os que
combatiam a cavalo) votavam primeiro, como na guerra eram os primeiros a combater. Depois vinha a
primeira classe, e assim por diante. Quando a maioria era obtida em favor de uma proposta, encerrava-se
a votação. Ou seja, a maioria era obtida com o voto de 97 centúrias. Por conseqüência, se os cavaleiros e
a primeira classe votassem em um mesmo sentido, não se consultavam as demais classes. Os comícios
por centúria valorizavam, portanto, a fortuna e não o nascimento.
3 As leges regiae. É uma questão controvertida se existiram leis gerais na realeza. Pompônio informa que
as leis régias foram votadas em comícios curiatos e que, sob Tarquínio o Soberbo, um certo Papirius as

2º PERÍODO – A REPÚBLICA

Limites. As origens da República também são de um período lendário da

história de romana. Admite-se que em 509 a.C. (245 de Roma), depois da
expulsão do rei Tarquínio, sucedeu uma República que durará até 27 a.C.

Organização social. – A organização da cidade romana não foi

modificada pela queda da realeza. Mas Roma não tardou a sofrer, sob a
influência de diversos fatores (extensão da dominação romana,
desenvolvimento do comércio e das relações externas), uma transformação
lenta e contínua que acabou por completamente fundir, no final no IIIº
século a.C., as duas ordens outrora distintas, de patrícios e plebeus.

Pode-se até dizer que a história interna de Roma acompanha as fases
progressos realizados pela plebe.

Os tribunos da plebe. – A plebe foi fortemente ajudada, na sua conquista

pela igualdade civil e política, pela instituição do tribunato. Os tribunos
(tribuni plebis) que foram instituídos em 494 a.C., em resposta a uma
secessão da plebe que se retirou para o monte Aventino, foram magistrados
essencialmente plebeus, em número de dois, na origem. Posteriormente
foram elevados a cinco, e depois 10.

O papel dos tribunos da plebe. – Eles são invioláveis (sacrosancti) e

possuem um direito de veto contra uma decisão que irá ser tomada. Podem
até impedir, pela intercessio, que uma decisão tomada seja executada. Eles
podem oferecer oposição, em Roma ou nos arredores, às decisões de todos
os demais magistrados da cidade, sejam dos cônsules ou do próprio
Senado.

Os tribunos não se limitavam a estes poderes negativos. Foi sob a
iniciativa do tribuno Tarentilius Arsa que foi decidido, em 453 a.C., a
redação da lei das XII Tábuas. Esta lei estava longe de consagrar a
igualdade entre patrícios e plebeus (plebeus continuavam impedidos de
casar-se com patrícios e de serem eleitos para as principais magistraturas
públicas), mas a redação de uma lei conhecida por todos, aplicada a todos,
era já um verdadeiro progresso. O direito deixou de ser segredo e
patrimônio apenas de patrícios.

Os tribunos obtiveram a votação de leis importantes que conduziram à
realização da igualdade civil entre patrícios e plebeus, como a lei Canuléia
(lex Canuleia) de 445 a.C., que permitiu o casamento legítimo entre
patrícios e plebeus.

Organização política. – Os Cônsules. – O rei é substituído por dois

magistrados patrícios, os cônsules (consules), eleitos por um ano, ambos

publicou em um livro chamado ius papirianum. A existência desta compilação não é duvidosa, mas ela
não nos chegou. Suas disposições referiam-se principalmente ao direito sagrado; outras ao direito privado.
Mas o ponto controvertido é saber se realmente são do período régio. Segundo um critério moderno, esta
compilação seria uma publicação apócrifa do final da República. O direito sagrado, que é objeto das
maior parte das pretendidas leis reais, era reservado aos pontífices, pois não se admitia que o povo fosse
consultado em questões desta natureza. As leges regiae são, para alguns, disposições de direito
costumeiro, relativas aos sacra, que foram redigidas pelos pontífices a uma época posterior ao período
régio e atribuídas aos reis para dotá-las de mais autoridade.

com iguais poderes. Eles herdaram os direitos que antes pertenciam ao rei.
Todavia, os poderes religiosos do rei foram atribuídos ao rex sacrorum cuja
sede permaneceu no antigo palácio real.

O Senado. – O Senado, composto por 300 patres nomeados pelos

cônsules, depois pelos censores, permanece como corpo consultivo, embora
sua importância tenha aumentado: os cônsules, magistrados anuais,
responsáveis pessoalmente pelos cargos que ocupam, costumam ter o
cuidado de obter a opinião favorável do Senado sobre todas as questões
importantes. O Senado deve, além disso, sempre ratificar as leis votadas,
para que ela tenha eficácia. Mas este costume de confirmá-las torna-se,
com o tempo, mera formalidade e a auctoritas senatorial, depois da lei
Publilia (de 379 a.C.) passou a ser oferecida antes mesmo da votação da
lei.

O Povo. – O povo, reunião de patrícios e plebeus, reúne-se em

comícios: comícios por cúrias, por centúrias e, como novidade, em comícios
por tribos. A plebe reúne-se nas assembléias reservadas aos plebeus, os
concilia plebis.

Os comícios por centúrias são os mais importantes e os comícios por
cúrias, enfraquecidos, reduzem-se à deliberação sobre certas matérias
religiosas, até serem extintos no II século a.C., quando trinta lictores
passaram a representá-la nos atos meramente formais do direito sacro que
ainda remanesciam.

Comícios por tribos. - Os magistrados passaram a convocar o povo por

bairros, ou tribos: são os comitia tributa. Com o recrutamento do povo por
um critério territorial as decisões dos comícios passaram a ser mais
democráticas.

Concilia plebis. – Finalmente, os tribunos tomaram o costume de

convocar a plebe para reuniões, os concilia plebis, aos quais os patrícios não
compareciam e nos quais eram tomadas as resoluções com o nome de
plebiscitos (plebiscita), originalmente apenas obrigatórios para a plebe.

Um lex Hortensia (287 a.C.) torna as decisões dos plebiscita obrigatórias
também aos patrícios.

Em todos esses comícios, o povo exerce os poderes legislativo, judiciário

e eleitoral.
O poder legislativo. – As leis são votadas pelo povo, por proposição

(rogatio) de um magistrado, como outrora eram por rogatio do rei.
A lei leva o nome gentílico, colocado no feminino, do magistrado que a

propôs. Exemplo: lex Hortensia.
Se a lei foi proposta pelos cônsules, leva o nome duplo, composto dos

nomes de ambos os cônsules, ainda que tenha sido proposta por um só,
caso em que o nome do autor do projeto é colocado em primeiro. Exemplo:
lex Valeria Horatia.

O poder judiciário. – Os delitos contra o povo Romano e certos delitos

graves contra os particulares deram lugar à provocatio ad populum. Esta
assembléia judiciária era reunida por cúrias, quando o crime era punido

com a pena capital, ou por tribos, no caso de delitos menos graves. A
provocatio ad populum, que parece ter sido usada na realeza por iniciativa
do rei, tornou-se obrigatória na República com a lex Valeria de provocatione
de 300 a.C.

O poder eleitoral. A eleição dos magistrados. – O povo elege seus

magistrados. Ao lado dos cônsules (criados em 509 a.C.), surgem outros
magistrados. O crescimento da população e a intensidade da vida social
necessitam, a partir do início da República, da criação de novos
magistrados, com funções especializadas, com diminuição da sobrecarga
dos cônsules. São eles:

1º. Os questores (quaestores), criados em 449 a.C., foram encarregados

da guarda do tesouro e da administração financeira.
2º. Os censores (censores), criados entre em 443 a.C, ocupavam-se do