Direito Romano
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censo (recenseamento), do recrutamento do Senado e da vigilância dos 
costumes. 
 
3º. Os edis curuis (aediles curules), criados pelas leis Licinianas em 367 
a.C., receberam as atribuições de polícia da cidade, de vigilância dos 
mercados e das provisões alimentares etc. 
 
4º. Os pretores (praetores), criados no mesmo ano, foram encarregados 
da justiça. A partir de 242 a.C. são dois pretores: o pretor urbano, para os 
processos em que as duas partes forem romanas, e o pretor peregrino, para 
os processos entre romanos e peregrinos ou somente entre peregrinos. 
 
O ditador (dictator). Para remediar o perigo que poderia representar, em 
tempo de crise, a divisão de poderes entre magistrados, foi possível eleger, 
a partir de 501 a.C. um ditador (dictator), que por seis meses recebia o 
encargo de resolver, sozinho (portanto mais facilmente), uma crise 
intestina, uma sedição ou uma guerra. Ele reunia excepcionalmente em 
suas mãos os poderes de todos os magistrados ordinários. 
 
5º. Dentre outros magistrados, para a Itália surgem os praefecti iure 
dicundo, que são delegados dos pretores encarregados de dizer o direito. 
 
6º. Nas províncias os governadores (propretores ou procônsules) são 
magistrados judiciais como o pretor, ao mesmo tempo em que são 
magistrados políticos como o cônsul. Ao lado deles, os questores têm as 
mesmas funções que os edis curuis em Roma. 
 
Acesso da plebe às magistraturas. \u2013 O surgimento da República não 
modificou imediatamente a situação política da plebe. Ela não abriu o 
acesso da plebe às magistraturas, nem ao Senado. Mas pouco a pouco, 
tanto na esfera política como na do direito privado, a plebe obtém o seu 
reconhecimento. 4
 
4 O último degrau foi atingido, em 254 a.C., no dia em que um plebeu, Tibério Coruncânio, foi elevado à 
dignidade de grande pontífice. 
Graças a sua mobilização política organizada, a plebe acaba por obter o 
direito de eleger plebeus nas diversas magistraturas, antes reservadas ao 
patriciado. Edis plebeus e tribunos da plebe são eleitos desde 494 a.C. A 
partir de 367 a.C. elegem seus primeiros cônsules; em 364 a.C., os edis 
curuis; em 356 atingem a ditadura e, em 351 a censura. Os primeiros 
pretores plebeus, em definitiva conquista política, serão eleitos a partir de 
337 a.C. 
Em 254 a.C. Tibério Coruncânio, em evolução semelhante ocorrida no 
direito sacro, foi elevado à dignidade de Pontífice Máximo. 
 
Cursus honorum. \u2013 Com esta expressão os romanos designavam o 
percurso das honras, uma espécie de escala de sucessão eleitoral a que os 
candidatos se submetiam para atingirem a suma magistratura, o consulado. 
A lex Cornelia de magistratibus, do I século a.C., fixou, além disso, 
idades mínimas: 30 para questor, 32 para edil, trinta e oito para pretor, 
quarenta para cônsul e quarenta e cinco para censor. 
 
Fontes do Direito \u2013 São elas: 
 
1º. O costume; 
2º. A lei; 
3º. O plebiscito; 
4º. A interpretatio prudentium; 
5º. O edito dos magistrados. 
 
1º. O costume. \u2013 Ele conserva ainda um papel importante na formação 
do direito. 
 
2º. A lei. \u2013 A Lei das XII Tábuas \u2013 Sua redação \u2013 Durante os três 
primeiros séculos de Roma, o direito privado só teve o costume como fonte; 
sua incerteza favorecia a arbitrariedade dos magistrados patrícios, os únicos 
encarregados de administrar a justiça. A plebe exigia a redação de uma lei 
conhecida por todos, aplicável a todos os cidadãos. 
Em 462 a.C. o tribuno Tarentílio Arsa propôs que fosse nomeada uma 
comissão encarregada de redigir uma grande lei. Os patrícios e o Senado, 
composto exclusivamente de patrícios, no desejo de conservarem seus 
privilégios, resistiram por oito anos. Os plebeus, em resposta, mantiveram 
os mesmos tribunos no poder. Em 454 a.C. os patrícios cederam e se 
prontificaram a redigir uma lei que se aplicasse a patrícios e plebeus. Uma 
delegação de três patrícios foi enviada para a Magna Grécia (Itália 
meridional), com a missão de reportar cópia das leis gregas em vigor, como 
inspiração. Ao retornarem, em 452 a.C., as magistraturas ordinárias foram 
suspensas e o poder foi confiado a uma comissão de dez membros, os 
decemviri legibus scribendis, eleitos em 453 a.C. por comícios centuriatos e 
encarregados de redigir as leis. Dez tábuas de leis foram redigidas, votadas 
pelos comícios centuriatos e gravadas em dez tábuas de bronze que ficaram 
expostas no comitium, a parte do fórum na qual se desenrolava a justiça. 
No ano seguinte, em 450 a.C., outros decênviros, nomeados para redigir 
novas leis, propuseram duas novas tábuas. A tradição relata que estes 
decênviros desejaram permanecer ilegalmente no poder e foram 
derrubados. Suas tábuas foram aprovadas pelos comícios centuriatos e 
expostas no fórum com as demais. As XII Tábuas, destruídas pelo incêndio 
de Roma infligido pelos gauleses em 390 a.C., foram depois reconstituídas. 
Mas não chegaram até nós. É possível parcialmente reconstituí-las por meio 
de seus fragmentos, graças às citações e aos numerosos comentários de 
juristas, como Gaio, e de literatos, como Cícero e Aulo Gélio. 
 
Seu conteúdo \u2013 A Lei das XII Tábuas é considerada pelos romanos como 
a própria fonte do direito público e privado, fons omnis publici privatique 
iuris. Ela regulamentou matérias de direito público, direito privado e direito 
sacro. Os decênviros procuraram não modificar o direito existente, mas 
apenas codificar os costumes não escritos anteriores. Este fato é que 
explica o sucesso das XII Tábuas, talvez mais do que a própria certeza que 
produziu. É um grande erro supor que as XII Tábuas fossem uma cópia de 
leis gregas. A própria viagem de uma delegação à Itália meridional para 
conhecer as leis gregas é provavelmente lendária. A influência grega não se 
manifesta, salvo em alguns preceitos de direito sacro. O espírito da Lei das 
XII Tábuas, ao contrário, é fundamentalmente romano. Revelam uma 
legislação rude, primitiva, pouco diferente das demais civilizações pré-
Romanas. 
Afora algumas disposições relativas ao direito público (por exemplo, o 
direito de o povo julgar os delitos públicos) e ao direito sacro (como as 
normas referentes aos funerais), a Lei das XII Tábuas ocupou-se, sobretudo 
do processo civil, assunto no qual revelou seu caráter violento e 
excessivamente formalista. Poucas eram as normas concernentes à família. 
Quanto ao patrimônio, algumas regras visavam à transmissão causa mortis 
e, mais minuciosamente, à transferência de bens entre vivos, por 
procedimentos formais como o da mancipatio. 
 
Outras leis. \u2013 Leges rogatae. \u2013 A partir da lei das XII Tábuas, até o 
final da República, as novas leis são numerosas. A lei é votada pelo povo 
por proposta (rogatio) de um magistrado. Daí o nome leges rogatae (leis 
rogadas) em oposição às leges datae (leis dadas). 
Uma lei compreende três partes: a praescriptio (data e nome do 
magistrado que a propôs), a rogatio (ou dispositivo) e a sanctio (sanção, 
isto é, o enunciado das medidas que serão tomadas contra os 
transgressores). 
 
Leges datae. \u2013 No final da República, algumas leis são designadas como 
leges datae (leis concedidas). São medidas unilaterais tomadas em nome do 
povo, sem votação, por um magistrado, que impunham verdadeiros 
regulamentos para certos municípios, colônias ou províncias. 
 
3º. O plebiscito. \u2013 Definição \u2013 Os plebiscitos eram as decisões tomadas 
pela plebe nos concilia plebis, por proposta de um tribuno,. 
 
Força obrigatória. \u2013 Os plebiscitos aplicavam-se, no início, à plebe; mas 
a partir da lex Hortensia (286 a.C.), adquiriram a mesma eficácia que a lei. 
Os próprios textos passaram a designá-los com o termo lex (pl. leges). 
 
4º. A iurisprudentia ou interpretatio prudentium. \u2013 Definição. \u2013 
Depois que os costumes nacionais foram codificados e conhecidos de