Direito Romano
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nos limites de sua 
competência, as medidas que lhe pareciam úteis. É em virtude de seu 
imperium que, desde a introdução do procedimento formulário, o pretor 
podia suprir as lacunas do direito civil, graças a quatro procedimentos: a 
imissão na posse, as estipulações pretorianas, os interditos e as in integro 
restitutiones, que serão estudados na parte que trata das ações. 
 
O Edito do Pretor. \u2013 O Pretor indicava previamente no seu edito, 
afixado no fórum, os casos nos quais ele usaria de seu imperium. As 
diversas fórmulas que ele dava às partes litigantes para a proteção de seus 
direitos. 
 
Diversos tipos de edito: edictum perpetuum, edictum repentinum. \u2013 O 
edito era obrigatório enquanto duravam os poderes de seu autor, isto é, um 
ano. Por isso, era chamado de edictuum perpetuum (perpetuum significa, 
aqui, permanente). Ao edito perpétuo se opunha o edictum repentinum que 
o pretor expedia no decorrer de suas funções, quando se encontrava diante 
de um caso especial não previsto pela lei. Esta faculdade, porque gerou 
abuso de certos pretores, que acabaram por violar o próprio edito, foi 
tolhida pela lex Cornelia, de 67 a.C. 
 
A pars translaticia do edito. \u2013 O edito era anual e sua autoridade 
expirava com os poderes de seu autor. O novo pretor publicava um edito e 
não estava mais, em princípio, obrigado a manter aquele de seu 
predecessor. Mas, de fato, o edito adquiriu uma firmeza comparável a da 
lei. Cícero o denomina lex annua (lei anual). As cláusulas do edito que 
pareciam justas e úteis eram mantidas pelos pretores sucessivos e 
formavam a pars translaticia do edito, à qual se opunha a pars nova. 
Ao lado dos editos, que eram disposições gerais e permanentes e que 
obrigavam os magistrados até o final de seus mandatos, existiam também 
medidas individuais e circunstanciais, os decretos. Da distinção entre editos 
e decretos é que se extrai uma importante distinção entre ações editais e 
ações decretais, a ser estudada na parte das ações. 
 
O direito honorário. - O conjunto de regras contidas nos editos 
formava o direito pretoriano, ius praetorium; ou, de genericamente, o 
direito honorário (ius honorarium), porque emanado de magistrados 
investidos de funções públicas, honores (pretores, edis curuis, governadores 
etc.). O direito honorário opõe-se ao direito civil, conservador, rigoroso e 
formalista. 
Ele é mais leve e mais progressista. Sua função tradicional é de 
confirmar, suplementar e corrigir o direito civil (adiuvandi vel supplendi vel 
corrigendi iuris civilis gratia). 
 
Comparação entre o edito e a lei. \u2013 Há as seguintes diferenças entre o 
edito e a lei: 
 
1º. Quanto à sua aplicação no tempo: a eficácia do edito cessa com os 
poderes do magistrado que foi o autor dela; o edito é anual, enquanto a lei 
é perpétua. 
 
2º. Quanto à sua aplicação no espaço: o edito aplica-se somente na 
região territorial do magistrado que o estabeleceu. A lei estende-se a todo 
território submisso à dominação de Roma. 
 
3º. Quanto à sua eficácia teórica: à diferença da lei, o edito não pode 
diretamente ab-rogar nem criar uma regra de direito. 
É preciso notar que esta inferioridade do edito em comparação à lei é 
mais aparente do que real. Isto por pelo menos três razões: a) como vimos, 
a pars translaticia do edito deu a ele uma estabilidade temporal igual à da 
lei; b) as cláusulas do edito do pretor urbano que eram consideradas úteis 
pelos outros magistrados eram freqüentemente reproduzidas nos seus 
editos; c) quanto à eficácia do edito, se não é teoricamente igual à da lei, 
na prática tem praticamente a mesma força. 
 
Direito das Gentes ou ius gentium. \u2013 O velho ius civile, conservador 
e restrito, sofreu a concorrência não somente do direito honorário. Ele foi 
igualmente rivalizado por um outro direito progressista, o ius gentium. 
A oposição entre ius civile e ius gentium é de essência internacional. O 
ius civile é o direito nacional, autóctone da comunidade romana. O ius 
gentium é, ao contrário, um direito que é comum aos romanos e aos 
demais povos da civilização mediterrânea. É, por exemplo, o direito que o 
pretor peregrino aplica entre dois estrangeiros de lei nacional diferente ou 
entre um Romano e um peregrino. 
Naturalmente, na proporção em que Roma conquista o Mediterrâneo e 
desenvolve suas relações comerciais e intelectuais, o ius gentium é aplicado 
com mais freqüência em Roma. No final do período republicano, ele torna-
se o que poderíamos denominar uma espécie de direito comum do Estado 
romano. 
Mas sua influência não pára aí. Os Romanos, verificando que as 
disposições dele eram muitas vezes mais perfeitas de que as suas, 
adotaram-nas até mesmo para as relações entre eles. É assim, por 
exemplo, que a tradição substitui progressivamente o antigo modo de 
transferência da propriedade, que é a formal mancipatio, que a sponsio 
romana foi trocada pela fidepromissio etc. 
 
Direito Natural. \u2013 Finalmente, neste mesmo período final de República, 
os filósofos e certos juristas começam a falar de um direito natural, um 
direito superior, ideal, vindo dos deuses ou da natureza. Cícero refere-se a 
ele como a vera lex naturae congruens... constans, sempiterna. 
Com certa variação, mas com semelhanças, os jurisconsultos clássicos 
definirão o ius naturale desde como uma espécie de ius gentium estendido a 
toda humanidade até como um direito comum ao seres vivos em geral. 
Mas, apesar das divergências conceituais, o direito natural terá uma grande 
influência sobre o direito positivo, sobretudo quando a doutrina estóica 
tornar-se uma prestigiada corrente de pensamento no período do Alto 
Império. 
 
3º PERÍODO \u2013 O ALTO IMPÉRIO 
 
 
Limites. \u2013 Este período começa com o principado de Augusto (27 a.C.) 
e termina com a morte de Diocleciano (284 d.C.). O período do Alto 
Império, ou Principado, é caracterizado pelo fato de o imperador (princeps) 
dividir, teoricamente, o poder com o Senado. É uma diarquia, um governo 
por dois. 
 
Organização política. \u2013 As magistraturas: o imperador; seus 
agentes; os antigos magistrados. \u2013 O imperador, princeps, primeiro 
magistrado, reúne todas as atribuições que, na República, eram divididas 
entre os diversos magistrados. Sua autoridade repousa: a) no imperium 
proconsular que ele recebe do exército e do Senado, em virtude dos quais 
ele tem o comando do exército, o direito fazer a nomeação de todos os 
empregos civis e militares, o direito de fazer a guerra ou a paz etc.; b) no 
poder tribunício que ele recebe do povo, no dia sua ascensão, por uma lex 
de império em virtude da qual ele é inviolável. 
Ele tem a administração das províncias imperiais e o gozo de seu 
tesouro privado, o fiscus. O que era uma província imperial? Em 
conseqüência das guerras, as províncias romanas tornaram-se numerosas. 
Distinguiam-se: a) as províncias imperiais, submetidas à administração do 
imperador e cujas receitas somavam-se ao tesouro do imperador; b) as 
províncias senatoriais ou províncias do povo, administradas pelos 
procônsules ou pelos propretores, designados, ao menos em teoria, pelo 
Senado e cujas receitas eram revertidas ao tesouro público, o aerarium. 
Em geral, as províncias imperiais eram as das novas fronteiras ou 
aquelas para as quais era necessária a presença de forças armadas. 
 
Os antigos magistrados republicanos. \u2013 Os magistrados da República não 
desapareceram. Cônsules, pretores, edis etc. continuam a ser eleitos pelos 
comícios até 14 d.C.; depois pelo Senado, que herda, nesta data, os 
poderes eleitorais dos comícios, isto é, na verdade, pelo imperador, que 
exerce sobre as eleições um influência cada vez maior. Mas a autoridade 
dos antigos magistrados romanos é completamente ofuscada pela 
autoridade do imperador e de seus delegados. O papel deles será apenas 
honorífico. 
 
Os comícios.