Direito Romano
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Direito Romano

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– Os comícios perdem seus poderes eleitoral, judiciário e

legislativo. O poder judiciário em verdade já havia perdido toda importância
no final da República, com o aumento progressivo das quaestiones
perpetuae, isto é, com os tribunais especiais compostos de certo número de
cidadãos (semelhantes aos júris modernos), presididos por um pretor, para
julgar delitos públicos específicos. No império estes tribunais caem em
desuso com o desenvolvimento de uma jurisdição denominada extra
ordinem.

O Senado. – O Senado herdou o poder eleitoral dos comícios e parte de

seu poder legislativo. Ele compartilha, com o imperador, do poder judiciário
e administra as províncias senatoriais cujas receitas revertem ao erário
público.

Por outro lado, o Senado perde a sua função de corpo consultivo. Perde
também a sua independência e se submete ao imperador, não obstante
alguns sobressaltos de independência. O equilíbrio fundado ficticiamente por
Augusto é rapidamente quebrado em favor do imperador.

As fontes do direito. – São elas:
1º. O costume;
2º. A lei;
3º. Os senátus-consultos;
4º. O edito dos magistrados;
5º. As constituições imperiais;
6º. Os responsa prudentium.
1º. O costume. – O costume continua sendo importante na formação

do direito, sob o Império.
2º. A lei. – Até o final do Iº século d.C. ainda encontramos leges

rogatae, votadas, como outrora, nos comícios. Citem-se, como exemplo,
sob Augusto, as famosas leges Iuliae. Depois disso encontramos apenas
algumas leges datae. As leges datae, surgidas no final da República, são
medidas tomadas em nome do povo, antes por um magistrado e agora pelo
imperador, em favor de certas pessoas, de certas cidades ou províncias.

3º. Os senátus-consultos. – Os senatusconsulta são medidas
legislativas emanadas do Senado.

Origem. – Na República, o Senado não tinha poder legislativo
propriamente dito. Ele se limitava a emitir um voto de aprovação de uma
medida legislativa tomada por um pretor.

O senatusconsultum era geralmente emitido por proposta (oratio) de um
cônsul, de quem recebia o nome: por exemplo, Senatusconsultum
Trebellianum.

No principado, o Senado continua por certo tempo esta prática de

injunção aos magistrados. Mas com o desaparecimento de fato dos
comícios, o Senado herda o poder legislativo. Logo todo senátus-consulto
passou a ser deliberado por proposta do imperador (oratio principis). O
Senado, com o tempo, por submissão, passa a votar as propostas do
imperador sem mesmo as discutir. Algumas vezes a própria oratio principis
é tomada como senatusconsultum. Como exemplos: a oratio Severi (de 195
d.C.) interditou o tutor de alienar os prédios rústicos ou suburbanos de seu
pupilo; a oratio Severi et Antonini (de 206) relativa à doação entre esposos.

4º. O edito dos magistrados. – Diminuição de sua importância. – O

papel do pretor, tão importante na República, diminui no principado. A
partir da metade do século I d.C., os pretores contentaram-se, em geral, a
reproduzir os editos dos pretores anteriores.

O Edictum perpetuum de Sálvio Juliano. – Em uma data

indeterminada, entre 125 e 138, o jurisconsulto Salvius Iulianus, Juliano, foi
encarregado pelo imperador Adriano de codificar os edicta perpetua
publicados pelos pretores. Este código denominou-se Edictum Perpetuum
(agora com um novo sentido para o termo perpetuum).

A publicação do Edito Perpétuo foi o golpe decisivo à legislação dos
pretores, que tiveram de se conformar às soluções nele consagradas, sem
poder fazer qualquer alteração.

Reconstituição do Edito Perpétuo. – A obra de Juliano não chegou

diretamente até a modernidade. Mas o Digesto de Justiniano reproduz
diversos fragmentos dele. O romanista Otto Lenel, em 1883, a partir desses
elementos, pôde reconstituir-lhe o texto original, que hoje se encontra à
disposição dos pesquisadores.

5º. As constituições imperiais. – As constituições imperiais são

medidas legislativas emanadas do imperador.
Origem. – No inicio, o Príncipe, como qualquer magistrado, não tinha o

poder legislativo. A partir de Adriano (imperador entre 117 e 138 d.C.), o
poder legislativo dos imperadores começa a desenvolver-se justamente
quando o edito do pretor deixa de ser uma fonte viva do direito. Em breve,
as constituições imperiais tornar-se-ão a mais importante fonte do direito.

Diferentes espécies. – Podemos distinguir quatro tipos de constituições
imperiais: os edicta, os mandata, os decreta e os rescripta.

a) Os edicta são as disposições análogas aos editos dos magistrados.
São também anunciadas pelo imperados quando assume seu cargo.

b) Os mandata são as instruções dirigidas pelo imperador aos seus
funcionários e, particularmente, aos governadores de província, traçando-
lhes uma linha de conduta no exercício de sua magistratura.

c) Os decreta são as decisões judiciárias dadas pelo imperador nos
processos em que a ele se apelou ou que ele próprio avocou a si. Os
decreta desempenharam importante papel na formação do direito porque os
magistrados e os governadores de província conformavam-se em seus
julgamentos à jurisprudência imperial.

d) Os rescripta são as respostas dadas pelo imperador a um funcionário
ou a um particular, sobre questões de direito que lhe são formuladas. A
resposta era escrita seja no próprio requerimento do particular (quando
levava o nome de subscriptio), seja em folha separada (a epistula) em
resposta à pergunta feita por um funcionário.

6º. Os responsa prudentium. – Os responsa prudentium tornaram-se

importante fonte do direito no Alto Império, especialmente depois de uma
reforma realizada por Augusto.

O ius publice respondendi. - Até Augusto, os prudentes eram simples

jurisconsultos que respondiam às consultas sem caráter oficial. Augusto
concedeu, a alguns deles, uma qualidade oficial, ao atribuir-lhes o ius
respondendi, isto é, o direito de dar respostas oficiais às consultas que lhes
fossem dirigidas.

A força dos responsa prudentium. – Os responsa (respostas, pareceres)

dos prudentes que gozavam do ius publice respondendi vinculavam, quanto
ao direito, os julgadores aos quais eram os pareceres encaminhados.
Revestidos do selo imperial, suas consultas eram estimadas como tendo
sido dadas em nome do povo (publice). Fundamentados, em tese, na
vontade popular, tinham a mesma autoridade da lei que eles interpretavam.

Neste período os responsa prudentium vinculavam somente o árbitro do
processo na ocasião em que eram emitidos. Ao contrário, segundo um texto
de Gaio (G.1,7) os pareceres têm força de lei quando eles estão todos de
acordo em um determinado assunto, em virtude de um rescrito do
imperador Adriano. Deixaram de ser, então, um mero parecer para um caso
particular e passaram a formar uma fonte de direito fundada nas opiniões
vinculantes dos jurisconsultos que gozaram do ius respondendi. Esta nova
fonte do direito encontrava-se escrita nas obras deixadas por eles ao longo
de suas vidas e deviam ser seguidas pelos órgãos julgadores.

Principais Jurisconsultos do Alto Império. – O principado é período

mais criativo da história da literatura jurídica romana.
Sabinianos e Proculianos. – Até o império de Antonino Pio, os

jurisconsultos são divididos em duas escolas rivais: a) a escola de Sabino
(Sabini schola), fundada por Capito, ao qual sucedeu Massurius Sabinus,
que deu nome à escola, e depois por Cassius, Iavolenus e Iulianus, que
codificou o Edito Perpétuo, Pomponius e Gaius; b) a escola de Próculo
(Proculi schola), fundada por Antistius Labeo, teve por sucessores Proculus,
Celsus e Neratius.

Diferenças entre as duas escolas. – É difícil reconhecer uma linha de

demarcação entre as duas escolas. É costume apresentar a escola sabiniana
como mais conservadora, representada