Direito Romano
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Direito Romano

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por autores-juristas (auctores) mais
tradicionais, enquanto que a escola de Próculo como mais inovadora.

No período dos imperadores Antonino Pio e Marco Aurélio, o jurista mais
célebre é Gaio. Sua obra principal são as Institutiones (ou Commentarii) em
quatro livros, que serviu de modelo para as Institutas de Justiniano.

O manuscrito original das Institutas de Gaio foi descoberto em 1816 na
biblioteca da Catedral de Verona, pelo historiador Barthold Georg Niebuhr.
Era um manuscrito palimpsesto, isto é, um pergaminho raspado e
reutilizado. Sobre o manuscrito de Gaio, que foi raspado no século VI, foi
copiado um texto das cartas de São Jerônimo. Com o auxílio de reagentes
químicos foi possível fazer desaparecer a segunda escrita e reconstituir a
primeira, com exceção de alguns fragmentos. A descoberta permitiu uma
grande revisão nos estudos do direito romano do período de Gaio. Em 1933,
a descoberta no Cairo de um papiro com textos das Institutas permitiu uma
luz ainda maior no conhecimento da obra de Gaio.

Mas permanecem incertos a origem de Gaio e o local em que viveu.
Provavelmente nasceu sob o império de Adriano (117-138), publicou suas
obras no período dos imperadores Antonino Pio e Marco Aurélio (138 a
180). Suas obras foram muito populares nos tempos de Teodósio II (século
V) e de Justiniano. Supõe-se que tenha sido professor em uma província
asiática, pois ele se ocupa muito do direito provincial e se denomina da
escola sabiniana, quando em Roma a distinção das duas escolas já não
estava mais na moda.

Os jurisconsultos no final do IIº século d.C. – Os principais juristas

são Paulo, Ulpiano e Papiniano, este último considerado o maior
jurisconsulto romano.

Papiniano foi prefeito do pretório no período dos imperadores Severo e
Caracala (198 a 211) e acabou assassinado, em 212, por motivos políticos,
por ordem do imperador Caracala. Suas principais obras foram os livros de
responsa e de quaestiones.

Depois de Papiniano, Paulo e Ulpiano foram ambos assessores de
Papiniano no Pretório. Foram os dois últimos grandes jurisconsultos.
Deixaram, cada um, diversos livros de comentários ao Edito do pretor e de
direito civil. Paulo também escreveu livros de responsa e de sentenças
(sententiae), e Ulpiano, de regras (regulae).

Com estes dois juristas encerra-se o período clássico da jurisprudência
romana, que não mais revelará grandes juristas, salvo talvez Modestino. A
partir de então os responsa prudentium deixam de ser uma fonte viva do
direito.

4º PERÍODO – O BAIXO IMPÉRIO

Limites. – Este período começa com a morte do imperador Diocleciano

(284 d.C.) e encerra-se com a morte do imperador Justiniano (565 d.C.). É
caracterizado, do ponto de vista político, pelo fato de o imperador governar
sozinho. À diarquia do Alto Império, sucede a monarquia.

Organização Política. – Divisão do Império. No início do século IV, com

Constantino, a sede do governo é transferida para Constantinopla. Depois
da morte de Teodósio I, o império se divide em duas partes: Império do
Oriente e Império do Ocidente. Na chefia de cada Império encontra-se um
imperador. O Império do Ocidente desaparece em 476, invadido pelos

bárbaros. O Império do Oriente manter-se-á até a tomada de
Constantinopla pelos turcos em 1.453. Mas prevaleceu o uso de limitar o
estudo do direito romano até o ano 565, data da morte de Justiniano.

O Imperador. – Ele possui um poder absoluto. Sem dúvida, seu poder, já

no Alto Império, havia de fato se tornado absoluto com a progressiva
submissão do Senado. Mas o imperador era ainda, ao menos em teoria, um
magistrado investido do poder por meio de eleições.

O imperador exerce o poder com um conselho (consistorium), antigo
consilium principis, e com a ajuda de inúmeras pessoas, ao mesmo tempo
ministros e domésticos: o quaestor sacri palatii, o magister officiorum etc.,
que estão na chefia de numerosos funcionários especializados e
hierarquizados.

A insegurança política e econômica leva ao nascimento e
desenvolvimento de um verdadeiro socialismo de Estado, que tende a
sobrecarregar uma burocracia já excessiva.

As antigas magistraturas republicanas. – As antigas magistraturas

republicanas não desapareceram, mas os magistrados perderam todas as
suas atribuições: o pretor urbano organiza os jogos, os questores cuidam de
questões municipais etc.

O Senado. – No Baixo Império é mero conselho municipal da capital.
Fontes do Direito. – Desaparecimento das antigas fontes. – As fontes

do direito antigas (leis, senátus-consultos e responsa prudentium
desapareceram).

Lei das citações. – Em 426, Teodósio II e Valentiniano III, renderam

uma Constituição Imperial, conhecida pelo nome de lei das citações,
confirmando a autoridade dos escritos de Paulo, Ulpiano, Papiniano,
Modestino e Gaio, bem como a de algumas obras de Scaevola, Sabinus e
Juliano – citadas por eles, mas desde que fosse possível apresentar um
manuscrito de suas obras. Em caso de desacordo entre os jurisconsultos,
importa decidir de acordo com a maioria. Em caso de empate entre os
jurisconsultos, importa decidir de acordo com a opinião de Papiniano. Esta
determinação livrou os juizes (freqüentemente de fraca cultura) de
discussões inextricáveis e de citações fantasiosas de advogados mal
intencionados. Por outro lado, a lei das citações revogava a regra da
unanimidade exigida por Adriano.

Única fonte: as constituições imperiais. – As constituições imperiais,

agora chamadas de leges, são as únicas fontes do direito do Baixo Império.
O poder legislativo do imperador é afirmado nas Institutas de Justiniano de
um modo enérgico, atribuído a Ulpiano: quod principi placuit, legis habet
vigorem (o que agrada ao príncipe tem força de lei). Por conseqüência,
admite-se que o imperador é, igualmente, o único e aceitável intérprete da
lei.

As diversas variedades de constituição imperial existentes no Alto
Império (mandata, decreta, edicta, rescripta) tendem a se confundir, até
que finalmente todas elas levam o nome de edicta. Mas não há qualquer

semelhança entre os antigos edicta dos magistrados com os edicta ou leges
edictales dos imperadores do Baixo Império.

Os edicta são as ordens dos imperadores dirigidas a um destinatário
específico: o Senado, um funcionário qualquer (prefeito do pretório,
governador de província etc.).

Os monumentos do direito no Baixo Império. – Para conhecê-los, é

preciso distingui-los nos três períodos:
1º Antes de Justiniano.
2º Obras de Justiniano.
3º Depois de Justiniano.

1º Antes de Justiniano.
a) Compilações privadas. – São as primeiras compilações, sem

caráter oficial.
O Código Gregoriano e o Código Hermogeniano (entre o final do IIIº

século o início do IVº século) são compilações de constituições imperiais.
Estes dois códigos não nos foram transmitidos diretamente. Eles são-nos
conhecidos por meio de fragmentos do Vaticano e de leis romanas dos
bárbaros.

Os fragmentos do Vaticano (do final do século IV) são uma compilação
de constituições imperiais e de excertos de numerosos jurisconsultos
(descobertos pelo cardeal Mai em 1821).

A collatio mosaicorum et romanorum legum, da mesma época, é uma
comparação entre a legislação romana e as leis mosaicas.

O livro siro-romano, ou leges seculares (leis seculares) é uma recolha de
direito romano aplicada na Síria. O texto original latino foi perdido e seu
conteúdo nos foi transmitido por traduções árabes e siríacas.

b) Codificações oficiais. – O Código Teodosiano. – A primeira

codificação oficial das leges é o Codex Theodosianus, promulgado no
Oriente, em 438, por Teodósio II e tornado obrigatório no Ocidente sob o
império do Valentiniano III. É uma compilação de constituições imperiais
publicadas desde Constantino.