Direito Romano
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Direito Romano

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Ela nos é conhecida graças a lei romana dos Visigodos e dos Burgúndios.
Leis romanas dos bárbaros. – Os reis bárbaros que invadiram o Ocidente

respeitaram as leis dos romanos e fizeram redigir, para os vencidos,
compilações de normas romanas. São exemplos disso: a lei romana dos
Visigodos ou Breviário de Alarico (506 d.C.), a lei romana dos Burgúndios
(promulgada ca. 502), o edito de Teodorico, rei dos Ostrogodos (ca.500).

2º A Obra de Justiniano.
Finalidade. – Foi para facilitar o trabalho dos juristas, que tinham de

recorrer a grande quantidade de textos dos antigos jurisconsultos,

freqüentemente contraditórios, que Justiniano empreendeu enorme trabalho
de codificação.

Em ordem cronológica, seus esforços compreenderam as seguintes
obras:

1º O Codex (529);
2º Os Digesta (533);
3º As Institutas (533);
4º O Segundo Codex (534);
5º As Novelas.
1º O Codex (529). – O Código de Justiniano é uma compilação de

constituições imperiais em vigor no momento de sua redação.
Redação. – Para elaborar seu código, Justiniano nomeou uma comissão

de dez membros, sob a presidência de Triboniano. Ele deveria refundir os
três Códigos anteriores (o Codex Gregorianus, o Codex Hermogenianus e o
Codex Theodosianus) e nele ajuntar as novas constituições. Este primeiro
código, publicado em 529, não chegou até nós.

2º Os Digesta. (533) – O Digesto é uma coleção metódica de

fragmentos extraídos das obras dos jurisconsultos romanos, denominada
originalmente de Digesta (de digere, selecionar, ordenar, classificar) ou
Pandectas.

Redação. – A redação do Digesto foi confiada a uma comissão de
dezesseis membros, dirigida por Triboniano. Esta comissão dividiu-se
provavelmente (segundo a hipótese proposta por Bluhme, em 1823) em
três, e depois em quatro subcomissões, correspondentes às diferentes
massas de obras a consultar: a massa Sabiniana (obras de Sabinus), a
massa edital (de comentários ao Edito), a massa Papiniana (obras de
Papinianus) e a massa das demais obras não abrangidas nas três
subcomissões precedentes. No total, foram aproveitados trechos de cerca
de 2.000 obras de jurisconsultos clássicos.

As três primeiras massas, que são essenciais, correspondiam ao
programa dos três primeiros anos de ensinamento do Direito.

Composição. – O Digesto compreende cinqüenta libri (livros). Cada livro
é dividido em tituli (títulos). Cada título é dividido em leis ou fragmentos,
com o nome do jurisconsulto e da obra de onde foram extraídos. Cada lei
ou fragmento é dividido em parágrafos. Assim, a citação do Digesto
apresenta-se da seguinte forma: por exemplo, D.14,4,5,7 – isto é: Digesto,
livro XIV, título 4, fragmento 5, parágrafo 7.

O Digesto é um livro de manuseio sutil e merecedor de grande cuidado
na leitura, especialmente porque os textos originais dos juristas são, muitas
vezes, interpolados, isto é, sofrendo alterações, já não refletiam mais o
clássico direito romano. A caça às interpolações, com o fim de restabelecer
o texto original dos juristas clássicos, ocupou grande parte dos romanistas
do início do século XX.

3º As Institutas. – As Institutas são um manual de ensinamento

destinado aos estudantes de Direito de Constantinopla e de outros grandes
centros de estudos superiores (como Beirute).

Redação. – Esta obra foi redigida por Triboniano, Doroteu (professor de
Constantinopla) e Teófilo (professor de Berito), segundo o modelo dos
Comentários de Gaio, dos quais textos inteiros foram copiados.

Composição. – As Institutas são divididas em quatro livros; cada livro
em títulos; cada titulo, em parágrafos.

4º O Segundo Codex. (534) – É uma segunda edição do Codex de 529,

atualizada com as reformas legislativas de Justiniano. Seu texto chegou-nos
integralmente.

Composição. – O Código justinianeu é dividido em doze livros; cada livro
em títulos; cada título em leis (ou constituições) e cada lei em parágrafos.

5º As Novelas. – É a compilação das novas constituições (novellae

leges) promulgadas por Justiniano depois da confecção do Código. Estas
constituições novas foram objeto de compilações de natureza privada,
notadamente o epítome de Juliano e o Authenticum.

O Corpus Iuris Civilis. – O conjunto da obra de Justiniano forma um

monumento jurídico que ficou conhecido pelo o nome de Corpus Iuris
Civilis, dado no século XVI pelo humanista Denys Godefroi (Godofredus).

3º Depois de Justiniano.

As duas principais obras legislativas posteriores a Justiniano são:
a) A Paráfrase das Institutas de Justiniano, em grego, publicada

pouco depois das Institutas, de autoria de Teófilo, um dos redatores das
Institutas.

b) As Basílicas, compilação em língua grega que reúne, em 60 livros
e em uma ordem lógica e nova, extratos das Institutas, do Digesto e do
Codex. Esta compilação foi publicada no século IX, sob a ordem do
imperador Leão, o Filósofo. Ela é acompanhada de comentários, designados
escólios (da palavra grega scolia, nota), de épocas diversas, algumas
remontando ao VI século.