HDB - Anotação (9)
30 pág.

HDB - Anotação (9)

Disciplina:História do Direito Brasileiro5.783 materiais195.469 seguidores
Pré-visualização9 páginas
calúnia, difamação ou injúria, praticada por meio de veículos de

comunicação falada, escrita ou televisada.

Segundo o art. 51 da lei de Imprensa, a indenização por dano moral é tarifada, conforme a

gravidade da ofensa.

Segundo entendimento do STJ, assentado na Súmula 281, a tarifação da lei de Imprensa é

inconstitucional, por colidir como disposto no art. 5°, V e X, da CF.

7. RESPONSABILIDADE POR ATO PRÓPRIO

1. Generalidades

A responsabilidade por ato próprio decorre exclusivamente do ato pessoal do causador do

dano.

2. Indenização decorrente de cobrança de dívida não vencida ou já paga

De acordo com o art. 939, aquele que efetuar a cobrança de dívida não vencida será

obrigado a aguardar o tempo existente para o vencimento, descontando-se os juros

correspondentes, mesmo quando estipulados, bem como a pagar as custas em dobro. Trata-se de

hipótese de abuso de direito. É necessária a comprovação do comportamento doloso do credor.

Conforme o art. 940, quem demandar dívida já paga ou pedir mais do que o devido ficará

obrigado a pagar, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o mesmo que

 OAB 1ª Fase 2011.2
 DIREITO CIVIL – CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 9

dele exigir, salvo se houver prescrição. É o caso de indenização de dano moral

previamente estabelecido em lei. Assim como na hipótese precedente, também é necessária a

comprovação de má-fé do credor.

As penas previstas nos arts. 939 e 940 do CC não se aplicarão se o autor da ação desistir

desta antes de contestada a lide.

3. Responsabilidade civil nas relações de família

A quebra de promessa de casamento, ainda que esta não seja irrevogável, pode

ensejarindenização dos danos suportadospelooutro nubente em razão de sua conduta. Mister sejam

verificadas as circunstâncias em que o compromisso foi quebrado, e se destas emergiu dor e mágoa

ainda mais penosas que um rompimento normal. Pode ser invocada a tese de abuso de direito.

Pode ser concedida indenização por danos morais ao cônjuge ou companheiro ofendido,

agredido ou tratado indignamente.

Os filhos têm direito à convivência com os pais. Desrespeitado tal direito, surgirá o dever de

indenizar fundamentado no abandono afetivo.

4. Responsabilidade civil por dano atômico e dano ambiental

Dano nuclear é o que decorre da contaminação do meio ambiente por materiais radioativos

resultantes de processo de produção ou utilização de combustíveis nucleares. Por ele responde-se

objetivamente (art. 21, XXIII, d, da CF e art. 927, parágrafo único, do CC), mesmo tratando-se de

atividade lícita.

Também há responsabilidade da União, pois a exploração da atividade nuclear constitui

monopólio desta.

Tal responsabilidade é ilidida em caso de culpa exclusiva da vítima e em hipótese de “conflito

armado, hostilidade, guerra civil, insurreição ou excepcional fato da natureza” (arts. 4° e 8º da lei

6.453/1977).

O dano ecológico refere-se ao impacto nomeio ambiente causado pela atuação do homem.

O dever de repará-lo consta da CF/88 (art. 225, § 3°) e de legislação específica (Lei 6.938/81),

sendo que a responsabilidade é objetiva.

O Poder Público pode ser responsabilizado pela deficiência na fiscaliz.ï ção das atividades

empresariais.

A aplicabilidade da tese da responsabilidade objetiva pelo risco integral (na qual não se

exime da responsabilidade nem se se tratar de caso fortuito ou força maior) a esta espécie de dano é

controversa.

 OAB 1ª Fase 2011.2
 DIREITO CIVIL – CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 10

Assim como no dano atômico, a atividade pode ser perfeitamente legal e

ainda assim ensejar reparação.

8. RESPONSABILIDADE POR ATO DE TERCEIRO

1. Generalidades

A responsabilidade por ato de terceiro é a que ocorre quando uma pessoa deve responder

pelas conseqüências jurídicas da conduta de outrem, o que se verifica nas hipóteses previstas no art.

932, do CC.

É necessário que haja um vínculo jurídico entre o responsável e o autor do dano.

Esta espécie de responsabilidade enseja solidariedade entre as pessoas mencionadas no

dispositivo legal supracitado, não afastando o direito de regresso do responsável em face do

causador do dano, com algumas exceções oportunamente nomeadas.

2. Deslocamento do fundamento da responsabilidade por ato de terceiro da culpa presumida para a

responsabilidade objetiva e a responsabilidade em duplo estágio

No sistema do Código Civil de 1916, a responsabilidade por fato de terceiro era subjetiva,

tendo em vista que o art.1.523 funcionava como um entrave para a aparente objetivação que

poderia se inferir do art.1.521.

Este posicionamento, contudo, foi flexibilizado pela jurisprudência, consolidada na Súmula

341, do Supremo Tribunal Federal, bem como por legislação esparsa, notadamente o Código de

Menores de 1927, os quais previam presunção de culpa.

O Código Civil de 2002 abandonou definitivamente as presunções, adotando a

responsabilidade objetiva pelos atos praticados por terceiros, conforme se observa do art. 933.

Não se perca de vista, porém, que a responsabilidade por fato de terceiro constitui-se de

duas relações, sendo a primeira delas formada entre o verdadeiro causador do dano e a vítima,

regida pela responsabilidade subjetiva, e a segunda, estabelecida entre o agente causador e o

responsável, regida pela responsabilidade objetiva. Nada obsta, contudo, que a primeira relação seja

também ocupada pela responsabilidade objetiva, caso se trate, por exemplo, de relação de consumo.

3. Responsabilidade dos pais pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua

companhia

Os pais respondem pelos atos dos filhos que estiverem sob sua guarda e companhia. A

“guarda e companhia” é condição necessária para o reconhecimento da responsabilidade, tendo em

vista que somente assim pode o pai propiciar a efetiva vigilância da prole. É em razão disso que

 OAB 1ª Fase 2011.2
 DIREITO CIVIL – CRISTIANO SOBRAL

Complexo de Ensino Renato Saraiva | www.renatosaraiva.com.br | 30350105 KR 11

tradicionalmente se afasta a responsabilidade dos pais divorciados que não

possuem a guarda dos filhos.

O afastamento voluntário em relação ao menor, assim como a emancipação concedida pelos

pais, não os exime da responsabilidade. Estes devem comprovar que o filho não se encontrava sob

sua autoridade por motivos absolutamente alheios à sua vontade.

Se os incapazes não tiverem pessoas que por eles respondam, ou estas pessoas não tiverem

meios suficientes para responder pelos prejuízos (art. 928, do CC), o Código Civil de 2002 transfere a

responsabilidade ao próprio incapaz, ressalvando apenas que a indenização deve ser eqüitativa, não

tendo lugar se privá-lo do necessário ao próprio sustento, ou das pessoas que dele dependem,

quando, então, não haverá indenização integral do dano.

Não há responsabilidade solidária entre os menores e seus pais. A responsabilidade ou

incumbe exclusivamente aos pais, ou exclusivamente ao filho, na modalidade subsidiária e mitigada,

se os responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes para

tanto. A única hipótese admissível de solidariedade seria entre os pais e o menor emancipado por

vontade deles.

Os pais somente responderão pelos atos do filho maior se este foralienado mental. Neste

caso, porém, a responsabilidade encontra fundamento no art. 186, já que decorre de omissão

culposa (in vigilando).

Em caso de transferência de guarda para terceiros (fins empregatícios ou educacionais), a

responsabilidade também será transferida, conforme o caso, para o empregador, estabelecimento

de ensino ou hospital psiquiátrico, entre outros.

4. Responsabilidade do tutor e curador pelos pupilos e curatelados que se acharem sob sua

autoridade e companhia