HDB - Anotação (9)
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HDB - Anotação (9)

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do título da constituição da

incorporação. Se não o fizer, fica responsabilizado pelo reembolso dos valores pagos pelos

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adquirentes, além de eventuais danos que possam ter sofrido. Esta responsabilidade

é solidária com a do proprietário do terreno.

A inadimplência enseja o pagamento de multa de 50% por parte do incorporador.

É responsável pela inexecução ou execução imperfeita do contrato, solidariamente com o

construtor.

O incorporador também é responsável pelas unidades que não foram vendidas.

19. RESPONSABILIDADE DOS ENCARREGADOS DA GUARDA DE VEÍCULOS

1. Depósito e guarda

Depósito é o contrato em que o depositário recebe um objeto móvel alheio obrigando-se a

guardá-lo e conservá-lo, restituindo-o quando reclamado pelo depositante.

O depositário tem, como obrigação de resultado, a de manter em segurança a coisa

depositada, havendo presunção de culpa em seu desfavor.

O contrato de depósito ou de guarda tem como uma de suas principais características a

transferência temporária da guarda de veículos, pedra de toque para a imputação de

responsabilidade por dano ou subtração da coisa.

Pode haver o dever de guarda de veículos em outras modalidades contratuais em que não se

configura o depósito por inocorrer a tradição, permanecendo as chaves do veículo com seu

possuidor, assumindo o guarda a obrigação de vigiá-lo e zelar para que não seja subtraído ou

danificado.

Para a teoria da guarda, o guardião somente se exonera do dever de reparar o prejuízo

causado se provar caso fortuito ou de força maior ou culpa exclusiva da vítima.

2. Responsabilidade dos estacionamentos

Se oneroso, o contrato de estacionamento assemelha-se ao de locação, pois aquele que o

explora somente responderia por fato provado, ao passo que, no depósito, há presunção de culpa

em desfavor do depositário.

Para a tese negativista, a pessoa empresária não responde pelos prejuízos experimentados

pelos possuidores, dada a gratuidade do estacionamento.

Para outra corrente, a gratuidade do estacionamento, via de regra, é apenas aparente. Pela

Súmula 130 do STJ, a empresa responde pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em

seu estacionamento.

O explorador de estacionamentos enquadra-se no conceito de fornecedor do CDC, tendo,

portanto, responsabilidade objetiva.

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A jurisprudência do STJ não distingue entre o consumidor que efetua

compras e o que não as efetua, pois, havendo vigilância no local, é cabível a responsabilidade.

Haverá responsabilidade dos hotéis e restaurantes em que há transferência da guarda do

veículo ao manobrista do estabelecimento.

Raramente haverá responsabilidade de escolas e universidades, porque geralmente não há

depósito, por não haver a entrega do veículo ou de suas chaves, nem há obrigação de guarda,

configurando-se apenas uma permissão de uso de determinado espaço.

3. Responsabilidade de oficinas e postos

Ao confiar-se um veículo a uma oficina ou a um posto, há transferência da guarda, o que

determina a responsabilidade do estabelecimento por subtração ou danos.

Para o STJ, a oficina que recebe um veículo responsabiliza-se por sua guarda, ainda que

diante da ocorrência de roubo à mão armada. Não cabe excludente de responsabilidade neste

particular, por se cuidar de acontecimento previsível em negócios dessa espécie.

Os postos e oficinas respondem por danos que seus empregados causarem a terceiros,

quando na guarda do veículo.

Apenas haverá responsabilidade do posto quanto aos veículos que lá pernoitam, quando

houver assunção da guarda.

Quanto à exclusão de responsabilidade em caso de assaltos à mão armada em postos, o STJ

enuncia ser a inevitabilidade e não a imprevisibilidade o que mais tem relevância para caracterizar o

caso fortuito.

20. RESPONSABILIDADE DECORRENTE DE ACIDENTES DE TRABALHO

1. Acidente de trabalho

Acidente de trabalho é o fato causador de danos ao trabalhador, vinculado ao serviço

prestado a um tomador, oriundo de acontecimento repentino, geralmente fortuito e violento,

atingindo-lhe a integridade física ou psíquica.

2. Indenização a cargo do INSS

É concedida pela Previdência Social, em regime de monopólio, ao trabalhador vítima de

infortunística de trabalho.

A responsabilidade do INSS é objetiva, cabendo a inversão do ônus da prova do nexo causal

em favor do acidentado, nos casos especificados em lei.

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O prazo prescricional da pretensão indenizatória do acidentado em face do

INSS, de competência da justiça estadual, é de 5 anos, segundo a Lei 8.213/1991.

3. Indenização a cargo do tomador de serviços

Cumulativamente à indenização do INSS, incide a responsabilidade do tomador, quando

houver agido com culpa, em razão dos danos sofridos pelo trabalhador.

A responsabilidade do tomador é, em regra, subjetiva, exceto quando a atividade

normalmente desenvolvida pelo empregador ou comitente, por sua natureza, implicarem risco para

os direitos dos trabalhadores em geral, caso em que será objetiva.

Não se compensam a indenização devida pelo explorador da atividade com os benefícios

previdenciários eventualmente percebidos, por diversos serem seus fundamentos.

O prazo prescricional para se demandar reparação é de 3 anos, com termo inicial na data em

que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral.