HDB - Anotação (9)
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DisciplinaHistória do Direito Brasileiro10.335 materiais252.877 seguidores
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(CC, art. 938). A responsabilidade não é do proprietário, mas 
sim do habitante, que pode ser o dono, e também o inquilino, o comodatário etc. 
A hipótese é de responsabilidade objetiva. 
 
6. Responsabilidade relacionada a veículos 
A responsabilidade por danos relacionados a veículos mereceria um tratamento legal 
específico. No entanto, é tratada pela regra geral da responsabilidade por culpa, já que a maioria dos 
eventos se refere à condução dos veículos. Mas outros eventos danosos, envolvendo veículos, 
podem acontecer por falha no dever de guarda, em especial por falta de manutenção. São hipóteses 
claras de responsabilidade por fato da coisa, relacionadas à falha no dever de guarda e cuidado. 
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Nesses casos, fica evidenciado que a responsabilidade é objetiva. 
Há ainda a responsabilidade por coisas que caem ou são lançadas dos veículos parados ou 
em movimento e a responsabilidade por veículo dado em empréstimo, a que se atribui natureza 
objetiva, por falha no dever de guarda e cuidado. 
Diversa é a hipótese dos danos causados por veículo furtado, a qual não pode ser atribuída 
ao dono, posto que este é vítima do evento e não tem poder de controle sobre a coisa subtraída. 
A responsabilidade relacionada a veículos, por danos causados às propriedades fronteiriças 
das estradas, pode ganhar contornos diversos, conforme o caso concreto. De regra, trata-se de 
responsabilidade objetiva. 
 
10. Responsabilidade Civil por Abuso de Direito 
1. Generalidades 
A responsabilidade civil está relacionada à prática de ato ilícito, o abuso de direito é 
equiparado a ato ilícito (CC, art.187). 
O abuso de direito está relacionado não ao exercício propriamente dito, mas ao modo de 
exercê-lo.Trata-se de uma mesma ação, que é lícita em si, mas que se torna ilícita pelo modo. 
A responsabilidade por abuso de direito é objetiva, mais por força de interpretação 
doutrinária do que por sua própria estrutura. 
 
2. Abuso de direito na demanda de dívida não vencida ou já paga 
O Código prevê expressamente a hipótese de o credor demandar dívida ainda não vencida 
ou já paga (arts. 939 e 940). A lei fixa os limites da indenização, independentemente de verificação 
efetiva de um dano ao devedor ou que o dano seja maior do que o fixado na lei. 
Nesse caso, a responsabilidade é claramente objetiva. 
 
3. Outras modalidades de abuso de direito 
Todos os direitos devem ser exercidos dentro dos limites da boa-fé, dos bons costumes e da 
função social. Porém, todos os direitos são suscetíveis de abuso por seus titulares. Podemos apontar, 
por exemplo, abuso do direito de propriedade, abuso do direito de crédito e abuso de direito nas 
relações familiares. 
 
11. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO 
1. Generalidades 
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O Estado-Administração pratica atos por meio dos seus órgãos e agentes, 
cujos efeitos repercutem nas esferas de interesses das pessoas físicas e jurídicas de um modo geral. 
A questão é saberem que medida o Estado responde pelos danos causados às pessoas, em virtude 
dos atos por ele praticados. 
 
2. Teorias sobre a responsabilidade civil do Estado 
A teoria da responsabilidade civil do Estado passou por vários estágios de evolução, que vão 
desde a ausência total de responsabilidade até a responsabilidade objetiva. Essa evolução 
acompanhou aproximadamente a evolução da própria concepção de Estado, que vem desde o 
absolutismo, passa pelo Estado Social e alcança o atual Estado Social Democrático. 
3. A responsabilidade civil do Estado no Brasil 
O direito brasileiro jamais acolheu a tese da irresponsabilidade total do Estado. Na 
Constituição do Império e na primeira Constituição da República, os funcionários públicos eram 
responsáveis pelos atos praticados no exercício das suas funções. A partir da Constituição de 1946, 
instalou-se a responsabilidade objetiva do Estado. 
 
4. Aspectos relevantes da responsabilidade objetiva do Estado, no Brasil 
O art. 15 do Código Civil de 1916 estabelecia a responsabilidade do Estado por atos dos seus 
representantes, mediante prova da culpa. Mas a doutrina e a jurisprudência já admitiam a 
responsabilidade objetiva, com base na teoria organicista e na faute du service. 
Uma vez instalada na Constituição de 1946, a responsabilidade objetiva do Estado foi 
mantida nos textos constitucionais que se seguiram. 
A responsabilidade objetiva do Estado não implica a adoção da teoria do risco integral. 
 
5. Situação atual da responsabilidade objetiva do Estado, no Brasil 
Atualmente, a responsabilidade civil do Estado é prevista no art. 37, § 6°, da Constituição 
Federal. 
A substituição do termo funcionário público por agente implica em aumentar o alcance dessa 
expressão. 
A responsabilidade do Estado só se caracteriza se o ato danoso for praticado pelo funcionário 
durante o serviço ou em razão do cargo ou função. 
A responsabilidade do Estado afasta a responsabilidade pessoal do agente público. 
Se o Estado, no exercício de uma determinada atividade, causa danos a terceiros, responde 
pelos prejuízos, não importa se a ação foi omissiva ou comissiva. Por outro lado, se a omissão do 
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Estado se referir ao não exercício da atividade, os danos decorrentes da falta dessa 
atividade só podem ser atribuídos ao Estado mediante demonstração de sua culpa. 
 
6. Responsabilidade por danos causados pelas empresas prestadoras de serviço público 
As empresas prestadoras de serviço público são objetivamente responsáveis pelos atos dos 
seus empregados, em razão da prestação do serviço público. 
 
7. Responsabilidade por danos decorrentes de obras públicas 
Se o Estado, ao invés de executar diretamente uma obra, prefere confiar a execução a uma 
empresa privada, é sua a responsabilidade pelo fato da obra e pela execução, podendo, contudo, 
acionara empresa contratada, em caso de culpa desta e de acordo com o contrato firmado. 
Há uma falha no sistema de responsabilidade estatal, visto que, por um lapso, o art. 37, § 6°, 
da Constituição, trata de maneiras distintas as empresas prestadoras de serviço público e as 
construtoras contratadas para executar obras públicas. 
 
8. Responsabilidade pela guarda de coisas e pessoas perigosas 
O Estado é objetivamente responsável pelos eventuais danos que causar aos particulares, 
por falha no dever de guarda de coisas e pessoas consideradas perigosas. 
 
9. Responsabilidade por fato de terceiro e fato da natureza 
De regra, o Estado não responde por fato de terceiros ou da natureza, para 
cujaocorrêncianãocontribuiu nem poderia ter contribuído. No entanto, em alguns casos, as 
conseqüências dos fatos naturais são agravadas pela ação ou omissão do Estado. Ou, então, o Estado 
se omitiu quando deveria agir para evitar o evento danoso. Nessas hipóteses, pode-se falar em 
responsabilidade subjetivado Estado, poromissão, por deixar de agir como deveria para evitar o 
evento danoso. 
 
10. Responsabilidade por danos decorrentes de atos dos tabeliães 
A questão oferece certa dificuldade, porque os cargos notariais são criados por lei e providos 
por concurso público, e os atos notariais são fiscalizados pelo Estado e têm fé pública, características 
essas que são inerentes à condição de funcionário público. Isso levou o Supremo Tribunal Federal, 
em mais de uma oportunidade, a decidir pela responsabilidade objetiva do Estado. 
 
11. Responsabilidade por atos legislativos e jurisdicionais 
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