HDB - Anotação (9)
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A rigor, somente os atos da Administração deveriam gerar riscos e, 
eventualmente, causar danos à coletividade. Mas o Poder Legislativo e o Poder Judiciário também 
praticam atos de administração e, nesse caso, produzem risco e eventuais danos para a coletividade. 
A atividade estatal envolve concomitantemente o exercício do poder e a prestação de 
serviço público. No que se refere aos atos de administração, não resta nenhuma dúvida: o Estado 
responde objetivamente pelos eventuais danos causados aos usuários. Dúvida pode existir quanto à 
responsabilidade do Estado por atos de poder: edição de leis e decisões judiciais. 
Entendemos que a responsabilidade civil do Estado alcança os danos decorrentes dos atos 
judiciais não somente nas hipóteses de erro judicial e excesso de prisão (art.5°, LXXV, CF), mas em 
todos os casos em que as conseqüências do ato judicial ultrapassarem os limites que devam ser 
regularmente suportados pelas partes e por terceiros. 
O art. 37, § 6°, da Constituição, se não revogou o art. 133, I e II, do Código de Processo Civil e 
o art. 49, I e II, do Estatuto da Magistratura, os tornou letra morta, ao assegurar que o prejudicado 
pode acionar diretamente o Estado para se ressarcir dos danos decorrentes dos atos judiciais. 
12. Responsabilidade por atos legislativos 
Afirma-se a regra da irresponsabilidade do Estado por atos legislativos, uma vez que estes 
não são aptos a produzir danos diretamente às pessoas, com exceção das chamadas leis formais, 
destinadas à regulamentação de situações concretas individuais. 
 
13. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL 
1. Generalidades 
No plano jurídico, o dever de conduta decorre da lei, visto que ninguém é obrigado afazer ou 
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude dela (art. 5°, II, CF). A lei especifica as condutas 
exigidas, enuncia um padrão de conduta ou então autoriza que as pessoas estabeleçam deveres de 
conduta, por livre manifestação de vontade. 
Na responsabilidade civil contratual, o deverde conduta decorre diretamente da lei, é 
genérico e indeterminado; na responsabilidade contratual, o dever decorre indiretamente da lei, mas 
é específico e determinado por força do contrato. 
Na responsabilidade contratual, há uma delimitação da conduta a ser praticada pelas partes 
e, na maioria dos casos, uma determinação dos efeitos decorrentes da sua não observância. 
Há uma relação de subsidiariedade entre responsabilidade contratual e extracontratual, no 
tocante à conduta e aos efeitos decorrentes do descumprimento. Não havendo especificação da 
conduta a ser prestada ou dos efeitos do descumprimento, aplica-se a cláusula geral de não lesar 
ditada pela lei - responsabilidade extracontratual. 
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Na responsabilidade extracontratual, a relação jurídica se constitui a partir 
da conduta lesiva, enquanto na responsabilidade civil contratual a relação jurídica é pré-existente. 
Na responsabilidade extracontratual, há um dever negativo de conduta, qual seja o de não 
prejudicar nem causar dano a ninguém; na responsabilidade contratual, há em regra um dever 
positivo de prestar determinada conduta e, com isso, adimplir a obrigação. 
Na responsabilidade civil extracontratual, a obrigação de indenizar, em regra, está 
relacionada à extensão do dano (art. 944, caput e parágrafo único, CC), enquanto na 
responsabilidade civil contratual existe o dever de prestar a conduta pactuada, cujo inadimplemento 
produz as conseqüências igualmente pactuadas. 
A responsabilidade contratual e a responsabilidade extracontratual apresentam mais 
diferenças do que semelhanças, razão pela qual se poderia dizer que se tratam de institutos 
completamente diversos, tendo em comum apenas a finalidade de promover a reparação de danos 
decorrentes do descumprimento de um dever jurídico. 
 
2. Pressupostos da responsabilidade civil contratual 
Para que exista responsabilidade civil contratual, é necessária a existência de um contrato 
válido, a inexecução do contrato e o dano conseqüente. Para que surja a responsabilidade civil 
contratual, é necessário que haja um vínculo contratual entre as partes. Além disso, impõe-se que o 
contrato seja válido e eficaz. 
Uma vez firmado o contrato válido e eficaz, é preciso que ocorra o seu descumprimento total 
ou parcial para que surja o dever de reparar os danos. 
Para que haja dever de indenizar, é necessário que do descumprimento do contrato resulte 
dano para a outra parte. 
 
3. Inadimplemento 
O inadimplemento da prestação ajustada pode ser total ou parcial, absoluto ou relativo. 
Dá-se o inadimplemento total nos casos em que o devedor deixa de cumprir integralmente a 
obrigação; parcial, naqueles em que o devedor cumpre apenas uma parte da obrigação, deixando 
outra parte em aberto, ou então cumpre a obrigação em tempo, modo e lugar diversos do que foi 
ajustado. 
Ocorre inadimplemento absoluto nos casos em que, devido à natureza da obrigação, uma 
vez descumprida, torna-se impossível o seu cumprimento pelo devedor, ainda que essa seja a sua 
vontade. O inadimplemento relativo se dá quando o descumprimento total ou parcial da obrigação 
deixa em aberto a possibilidade de seu adimplemento. 
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4. Mora 
Mora é o inadimplemento relativo da obrigação, pois quem se acha em mora sempre tem a 
possibilidade de cumprira obrigação. Mas o inadimplemento relativo pode se tornar absoluto, por 
causa superveniente, como, por exemplo, a morte do credor. 
A mora pode ser do credor (accipiendi ou creditoris) ou do devedor (solvendi ou debitoris). 
A mora pode ser ex re, quando a obrigação tiver que ser cumprida em termo certo, hipótese 
em que se consuma independentemente de notificação do devedor (art. 397, CC); ou ex persona, em 
que não há data fixada para o cumprimento da obrigação, fazendo-se necessária a notificação do 
devedor para constituí-lo em mora (art. 397, parágrafo único). 
 
5. Juros demora e cláusula penal 
Os juros demora são uma estimativa dos danos para ocaso de inadimplemento relativo. 
Caso as partes não tenham previsto no contrato a contagem de juros moratórios, estes serão 
contados à mesma taxa que incide sobre a mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda 
Nacional (art. 406, CC). Atualmente, seria a taxa Selic. 
Há uma polêmica acerca da legalidade da taxa Selic, mas prevalece o entendimento de que a 
mesma é válida. 
A cláusula penal é uma estimativa das perdas e danos decorrentes do inadimplemento do 
contrato. Conforme o art. 409 do Código Civil, a cláusula penal aplica-se tanto ao inadimplemento 
absoluto quanto à mora ou inadimplemento relativo. 
A cláusula penal é um contrato acessório. 
Cláusula penal compensatória é aquela que incide sobre o inadimplemento integral da 
obrigação. 
Cláusula penal moratória é aquela estipulada para o caso de atraso no cumprimento da 
obrigação, ou em segurança especial de outra cláusula contratual. 
 
14. Responsabilidade Pré e Pós-Contratual 
1. Formação do contrato 
 A autonomia da vontade, a boa-fé objetiva e a confiança devem sempre estar presentes nas 
manifestações de vontade. 
Os efeitos resultantes da relação contratual podem ser delineados na fase pré-contratual, na 
conclusão do contrato e na fase pós-contratual. 
 
2. Recusa em contratar 
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Ninguém é obrigado a concluir um contrato se assim não o desejar. 
Quando a não-contratação tem fins nocivos, transmuda-se em abuso de direito e como tal 
deve ser punida. 
 
3. Vinculação das tratativas preparatórias 
A proposta dirigida ao seu destinatário,