HDB - Anotação (9)
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Aplicam-se a esta hipótese as mesmas observações do item precedente, mencionando-se 
que o grau de vigilância do responsável varia de acordo com o discernimento ou doença do tutelado 
ou curatelado. Do mesmo modo, a responsabilidade dos tutores ou curadores pode ser transferida 
para outras instituições, como sanatórios ou hospitais psiquiátricos. 
5. Responsabilidade do empregador ou comitente por atos de seus empregados, serviçais e 
prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele 
A responsabilidade dos empregadores variou bastante ao longo tempo. No início de vigência 
do CC/1916, tal responsabilidade era subjetiva por culpa in eligendo. A jurisprudência criou uma 
presunção relativa de culpa do responsável mediante a aplicação da teoria da substituição, 
consagrada na Súmula 341 do STF, que é considerada por alguns doutrinadores como exemplo de 
 OAB 1ª Fase 2011.2 
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presunção absoluta. A partir do CC/2002, o fundamento de responsabilidade 
deslocou-se para o risco-proveito. 
A norma abrange dois tipos de relação: a empregatícia e a de preposição. O empregado é o 
trabalhador que presta serviço nos moldes previstos pela legislação trabalhista. O conceito de 
preposto é mais amplo e abrange qualquer prestação de serviço segundo as ordens de outrem. 
A redação do artigo sofreu alteração na mudança dos códigos, promovendo-se a substituição 
do termo \u201cpor ocasião dele\u201d para \u201cou em razão dele\u201d; com intuito de ampliar a abrangência do 
instituto, para que este alcançasse também situações indiretamente relacionadas ao trabalho. 
A responsabilidade do empregador é ilidida se a vítima sabia que o empregado ou preposto 
agiu com abuso ou desvio de função, ou no caso de força maior, caso fortuito e na hipótese do ato 
ter ocorrrrido fora do exercício das atribuições do empregado ou preposto. 
 
6. Responsabilidade dos donos de hotéis, hospedarias, casas ou e estabelecimentos onde se albergue 
por dinheiro, mesmo para fins de e educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos 
A empresa hoteleira responde pelo prejuízo gerado por hóspede, seja a terceiro, seja a outro 
hóspede ou empregado do estabelecicimento. Sua responsabilidade fundamenta-se no risco peculiar 
ao desennvolvimento da atividade, restringindo-se ao período de estadia e aos lirrmites físicos do 
estabelecimento. 
A responsabilidade dos hotéis é objetiva não somente em relação ao disposto pelo Código 
Civil, mas também pela aplicação ddo art. 14 do CDC, fundamentando-se no fato do serviço. 
Com relação à vigilância das bagagens dos hóspedes, este dever decorre da configuração do 
contrato de depósito necessário, conforme disposto no art. 649, do Código Civil. 
A obrigação da empresa hoteleira é de resultado, isto é, para a que se considere adimplida, a 
prestação de serviço deve ter sido completamente alcançada, motivo pelo qual sua responsabilidade 
somentnte pode ser ilidida em caso de culpa exclusiva do hóspede, força maior orou se o dano 
decorreu de vício da própria coisa. 
A responsabilidade de hospitais, clínicas psiquiátricas e outros estabelecimentos 
semelhantes é bastante similar à dos hotéis, respondendo a instituição de saúde pelos danos 
causados por seus pacientes a a terceiros. 
O art. 932 não menciona especificamente as instituições de e ensino, mas confere abertura 
para sua inclusão ao utilizar os termos \u201cmesmo para fins de educação\u201d. Aplica-se às escolas tudo 
quanto dito com relação aos hospitais, com a ressalva de que sua responsabilidade restringe-se ao 
período de atividade escolar ou ao tempo em que os a alunos são autorizados a permanecer na 
escola. 
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Causando o aluno prejuízo a terceiro, a escola poderá ingressar com ação 
regressiva em face do próprio aluno, mas não de seus pais, já que estes confiaram seu filho à 
instituição, a ela transferindo sua guarda e responsabilidade. 
A escola responde pelos danos sofridos pelos alunos, a menos que se trate de instituição de 
ensisino superior, aplicando-se, de qualquer modo, as previsões do CDC. 
 
7. Responsabilidade dos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a 
quantia concorrente 
Aquele que participou, mesmo que gratuitamente, do produto de um crime, responderá 
solidarariamente pela quantia da qual tirou proveito. 
 
8. Ação regressiva movida pelo responsável em face do causador do dano 
O responsável tem direitoto regressivo contra o causador do dano, salvo se este for seu 
descendente, absoluta ou relativamente incapaz, ou se, sendo empregado, atuou com dolo ou culpa 
grave (art. 462, § 1°, da CLT). 
 
9. RESPONSABILIDADE POR FATO DA COISA OU DO ANIMAL 
1. Generalidades 
Em regra, cada pessoa responde pelos seus próprios atos, mas a lei prevê, excepcionalmente, 
que alguém seja chamado a responder por atos de terceiros e pelos danos causados pelas coisas 
inanimadas e animais que tivermos sob nossa guarda. 
A responsabilidade por fato das coisas e animais está ligada a uma conduta específica, qual 
seja o dever de guarda. Trata-se de conduta omissiva. 
Guardião é aquele que tem um certo poder sobre a coisa ou o animal, um poder de direção. 
O dono da coisa é seu guardião presuntivo e, portanto, o responsável pelos eventuais danos, a não 
ser que demonstre haver transferido a guarda para outra pessoa. 
 
2. Responsabilidade objetiva nu culpa presumida 
Não há consenso na doutrina e na jurisprudência sobre a natureza da responsabilidade civil 
por fato da coisa e do animal, visto que no nosso direito convivem a responsabilidade objetiva e a 
subjetiva e a nossa lei não é muito clara a esse respeito. A tendência na doutrina é a da 
responsabilidade objetiva. Na jurisprudência, ora se fundamenta a responsabilidade na culpa, ora no 
risco, de acordo com as circunstâncias do caso concreto. 
 
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3. Responsabilidade por fato do animal 
O dono, ou o detentor, responde pelos danos provocados pelo animal (art. 936). A 
responsabilidade é atribuída ao dono do animal, sempre. O detentor é equiparado ao dono, naquelas 
hipóteses em que não é possível determinar o dono. 
Não se pode falarem responsabilidade do detentor, se o dono do animal é conhecido. Por 
fim, não há falar em responsabilidade solidária entre o dono e o detentor, pois a partícula \u201cou\u201d indica 
que um ou outro deve indenizar a vítima. 
A responsabilidade é objetiva. 
 
4. Responsabilidade pela ruína de edifício ou construção 
Em caso de ruína de prédio ou construção, não cabe indagar sobre quem é o responsável: o 
dono, o construtor, o empreiteiro etc. A responsabilidade é do dono, o qual, se for o caso, tem ação 
de regresso contra essas outras pessoas (CC, art. 937). 
A lei prescreve dois requisitos para caracterizara hipótese do art. 937: que ocorra ruína do 
prédio ou construção; que tal se deva à falta de reparos cuja necessidade fosse manifesta. 
A redação do art. 937 dá a entender que o dono do prédio ou da construção pode se eximir da 
responsabilidade se demonstrar que não teve culpa no evento, mas é de impossível verificação no 
plano fático, pois sua responsabilidade não se limita a seguiras normas e padrões técnicos de 
construção; se o prédio veio abaixo, é porque essas normas técnicas não foram adequadamente 
seguidas ou foram insuficientes. 
A responsabilidade é objetiva, cabendo à vitima provar somente o dano e o nexo causal. 
 
5. Responsabilidade por coisas caídas do prédio ou lançadas fora do lugar 
O morador responde pelos danos causados em virtude de coisas que caírem do prédio ou 
que forem lançadas em lugar impróprio