HDB - Anotação (9)
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de algum modo, vincula o proponente, servindo 
como meio hábil a se provar a intenção pré-contratual. 
Os interessados recorrem às tratativas preliminares para decidir se lhes convinha ou não 
contratar, sendo justo que do contrato desertem, se verificada sua inconveniência. 
O pré-contrato não exige consentimento deliberado e nem obriga quem dele participa. 
O abandono injustificado, fruto de mero capricho de um dos interessados, conflita com os 
princípios de boa-fé, probidade, função econômica e social do contrato, além de poder configurar 
abuso de direito. 
 
4. Quantum indenizatório 
Para uma corrente, o quantum indenizatório não deve ser fixado no mesmo montante do 
equivalente à vantagem pretendida pelo interessado com a conclusão do contrato, mas deve ser 
capaz de possibilitar o retorno de seu patrimônio àquele estado em que se encontrava antes de ter 
realizado as necessárias despesas que levariam à sua conclusão. 
Para outra corrente, o quantum indenizatório deve ser equivalente ao proveito que o 
interessado teria obtido, caso as sérias tratativas desembocassem na conclusão contratual. 
 
5. Responsabilidade pré-contratual no CC e no CDC 
No CC, a responsabilidade pré-contratual resolve-se a partir da teoria do abuso de direito, 
cabendo ao prejudicado pleitear indenização pelos danos decorrentes da não conclusão do contrato. 
Jamais poderá ajuizar ação de obrigação de fazer com a finalidade de compelir o outro interessado a 
concretizar o contrato. 
Nas relações disciplinadas pelo CDC, se o fornecedor furtar-se ao cumprimento 
daoferta,apresentaçãoou publicidade em seus exatostermos, o consumidor poderá exigir o 
cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade. 
6. Responsabilidade pós-contratual 
Apesar de concluído o contrato, uma ou ambas as partes poderá continuar responsável por 
eventuais danos dele decorrentes, porque persistem os chamados deveres anexos das partes, 
inerentes à boa-fé que norteiam toda a contratação. 
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Caracterizam-se como responsabilidade pós-contratual o dever do fran-
queado de não utilizar ou revelar as técnicas de mercado que lhes foram passadas pelo franqueador; 
e o dever de não colocação de produtos no mercado, que acarretem alto grau de periculosidade ou 
nocividade à saúde dos consumidores. 
 
15. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR 
1. O contrato de transporte 
É característica do contrato de transporte a cláusula de incolumidade que encerra uma 
obrigação de resultado, isto é, a garantia do êxito da diligência. 
O transportador responde por prejuízos e lesões, além de atrasos e suspensões das viagens. 
A responsabilidade do transportador nem sempre é contratual, podendo este se relacionar, 
além dos passageiros, com empregados ou terceiros. Com relação aos empregados, trata-se da 
órbita do acidente de trabalho. No que tange a terceiros, a responsabilidade é aquiliana e objetiva, 
por força do art. 37, § 6°, da CF, bem como pela aplicação do art. 17 do CDC. 
 
2. Evolução da responsabilidade do transportador 
A origem desta responsabilidade remonta ao Decreto 2.681, de 1912, que se destinava 
exclusivamente ao transporte ferroviário, mas acabou sendo utilizado analogicamente a outros tipos 
de transporte. Seu art. 17 é clássico exemplo de responsabilidade objetiva, que somente pode ser 
ilidida por culpa do viajante, força maior e caso fortuito. 
O Código de Defesa do Consumidor mantém a responsabilidade objetiva, deslocando, 
contudo, seu fundamento para o vício ou defeito do produto. 
O CC/2002 consolidou as mudanças promovidas pela doutrina e pela jurisprudência. 
 
3. As excludentes de responsabilidade do transportador 
São excludentes da responsabilidade do transportador o fortuito externo e o fato exclusivo 
da vítima ou do terceiro, com ressalvas. 
O fortuito interno, assim como o externo, refere-se a evento imprevisível e inevitável, porém 
relacionado à organização daquele que desenvolve uma determinada atividade. Já o fortuito externo 
desvincula-se da atividade desenvolvida. 
O fato exclusivo da vítima deve ser preponderante no evento danoso, permitindo-se, 
contudo, a minoração da responsabilidade em caso de culpa concorrente. 
Fato culposo de terceiro não ilide a responsabilidade do transportador, mas tão-somente a 
conduta dolosa que possa se desvincular da atividade normal do transportador. 
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4. Limite temporal da responsabilidade do transportador 
A responsabilidade do transportador não necessariamente inicia-se com o pagamento da 
passagem. No caso do transporte ferroviário, por exemplo, tem início com o ingresso do passageiro. 
 
5. Transporte gratuito 
Na vigência do Código Civil de 1916, ao transporte gratuito se aplicava a tese contratualista 
com responsabilidade atenuada (Súmula 145, do STJ). Atualmente se utiliza a tese da 
responsabilidade extracontratual (art. 736, CC). 
 
6. Responsabilidade do transportador aéreo 
A responsabilidade no transporte aéreo internacional é igualmente objetiva, conforme já 
consolidado pela jurisprudência e depois pelo CDC. Há controvérsias no que tange à indenização 
tarifada prevista na Convenção de Varsóvia, a qual, segundo nosso entender, não tem aplicação em 
razão do disposto no art. 732, do CC/2002. 
O mesmo se observa no Código Brasileiro de Aeronáutica, que contém disposições 
pertinentes ao transporte aéreo nacional, prevendo responsabilidade objetiva também no caso de 
responsabilidade extracontratual. 
 
7. Transporte de mercadorias 
Também no transporte de mercadoria tem-se obrigação de resultado (art. 749, CC), sendo 
que, neste caso, a indenização pode ser tarifada (art. 734, parágrafo único). 
 
16. RESPONSABILIDADE NO CONTRATO DE SEGURO 
1. Contrato de seguro 
Seguro é o contrato pelo qual uma pessoa jurídica empresária assume a obrigação de 
ressarcir os prejuízos advindos de riscos lícitos sofridos por outrem, em virtude de ocorrência de 
evento futuro e incerto, mediante contraprestação, geralmente consistente no pagamento de 
determinada quantia em dinheiro. 
Seguro de dano é aquele que visa assegurar coisas ou pessoas de riscos advindos de eventos 
futuros e incertos. Pode ser dividido em seguro de coisas e em seguro de responsabilidade civil. 
Seguro de pessoas, com base na duração da vida humana, é aquele que visa garantir ao 
segurado ou a terceiro beneficiário, o pagamento de uma indenização, quando da ocorrência do 
sinistro. Pode ser subdividido em seguro de vida e em seguro contra acidentes pessoais. 
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2. Obrigações do segurador 
Emitir a apólice, após concluído o contrato, nos termos da proposta aceita pelo segurado. 
Cumprir os pactos celebrados por seus agentes corretores. 
Pagar a indenização referente ao prejuízo resultante da verificação do sinistro. 
Pagar juros e atualização monetária, se incorrerem mora no cumprimento de sua 
contraprestação. 
Responder pelo dobro do prêmio pago pelo segurado de boa-fé, se expediu apólice sabendo 
que o risco já havia cessado. 
 
3. Obrigações do segurado 
Pagar o prêmio conforme o avençado. 
Prestar fielmente as informações que constarão da proposta, que servirá de base para a 
emissão da apólice. 
Comunicar ao segurador primevo a contratação de novo seguro sobre o mesmo bem e 
contra os mesmos riscos. 
Comunicar ao segurador, logo que tome conhecimento, a ocorrência de todo e qualquer 
incidente capaz de agravar consideravelmente o risco coberto, sob pena de perda da garantia, em 
caso de má-fé. 
4. Seguro de responsabilidade civil