Apostila de Introducao ao Estudo do Direito
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Apostila de Introducao ao Estudo do Direito


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pleno de respostas e soluções para todas as questões que surgem no 
meio social.
Por mais inusitado e imprevisível que seja o caso, desde que submetido à 
apreciação judicial, deve ser julgado à luz do Direito vigente.
É princípio consagrado universalmente que os juízes não podem deixar 
de julgar, alegando inexistência de normas aplicáveis ou que estão obscuras.
Se o magistrado pudesse abandonar uma causa, sob qualquer 
fundamento, a segurança jurídica estaria comprometida.
Diz o art. 126 do CPC: \u201co juiz não se exime de sentenciar ou despachar 
alegando lacuna ou obscuridade da lei.\u201d
Diz o art. 4º da LICC: \u201cquando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo 
com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.\u201d
Conceito de analogia
Analogia é um recurso técnico que consiste em se aplicar, a uma hipótese 
não-prevista pelo legislador, a solução por ele apresentada para um outra 
hipótese, fundamentalmente semelhante à não-prevista.
Para haver analogia é necessário que ocorra semelhança no essencial e 
identidade de motivos entre as duas hipóteses: a prevista e a não prevista.
Fundamento
Na necessidade que o legislador possui de dar harmonia e coerência ao 
sistema jurídico, a analogia tem o seu fundamento.
O Direito Natural através de seus princípios basilares, que preconiza 
igual tratamento para situações em que haja identidade de motivos ou razões, 
tbém dá fundamento à analogia.
A analogia pressupõe uma grande percepção e um profundo sentimento 
ético do aplicador do Direito.
Ex: A lei civil não prevê, especificamente a ineficácia de um legado, 
quando o beneficiário deixa de cumprir encargo estabelecido em testamento. Os 
tribunais, todavia, assim vem decidindo, aplicando, por analogia, o disposto no 
art. 562 do CC-2002, que permite a revogação da doação onerosa por inexecução 
de encargo.
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Analogia e interpretação extensiva
Apesar de procedimentos distintos, muitas vezes são confundidos.
Na interpretação extensiva, amplia-se a significação das palavras até 
fazê-las coincidir com o espírito da lei; com a analogia não ocorre isso, pois o 
aplicador não luta contra a insuficiência de um dispositivo, mas com a ausência 
de dispositivos.
---------------------------------PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO-----------------------
Diante de uma situação fática, os sujeitos de direito, necessitando 
conhecer os padrões jurídicos que disciplinam a matéria, devem consultar, em 
primeiro plano, a lei.
Se a lei não oferecer a solução, seja por um dispositivo específico, seja por 
analogia, verifica-se se existem normas consuetudinárias.
Na ausência de lei, analogia e costume, o preceito orientador há de ser 
descoberto mediante os princípios gerais de direito.
Conceito
\u201cSão postulados que fundamentam o sistema jurídico de modo geral, embora não 
necessariamente estejam explicitados no direito positivo.\u201d (João Batista Nunes 
Coelho)
Funções
1- na elaboração das leis
2- na aplicação do Direito
---------------------------------------EQUIDADE-----------------------------------------
\u201cÉ a decisão baseada no senso de justiça do julgador. É meio supletivo para se 
encontrar o equilíbrio entre a norma, o fato que ela rege e o valor correspondente. A 
equidade faz encontrar o direito relativo ao caso concreto.\u201d (João Batista Nunes 
Coelho)
Algumas normas há que se ajustam inteiramente ao caso prático, sem a 
necessidade de qualquer adaptação; outras há, porém, que se revelam rigorosas 
para o caso específico. Nesse momento, então, surge a equidade, que é o 
adaptar a norma jurídica geral e abstrata às condições do caso concreto.
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Equidade é a justiça do caso particular \u2013 concreto. Não é caridade nem 
misericórdia. Nem é fonte criadora do Dto, mas apenas sábio critério que 
desenvolve o espírito das leis projetando-o ao caso concreto.
Leva em conta o que há de particular em cada relação.
No direito brasileiro a equidade está prevista no art. 8° da CLT, que 
determina sua aplicação na falta de disposições legais ou contratuais.
A LICC é omissa, mas o CPC no art. 127 dispõe que o juiz só decidirá por 
equidade nos casos previstos em lei.
O CC-2002 quando fala sobre indenização- parágrafo único do art. 944 \u2013 
autoriza o juiz a reduzir equitativamente a indenização na hipótese de excessiva 
desproporção entre a gravidade da culpa e do dano.
Igualmente o autoriza a fixar o valor da indenização equitativamente 
quando a vítima não puder comprovar prejuízo material (art. 953, parágrafo 
único)
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Introdução ao Direito (Obra: Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Maria 
Helena Diniz, 13ª ed, Saraiva, 2007)
LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL (LICC)
DECRETO-LEI N° 4657, DE 04-09-1942
Importância: 
A LICC trata de normas sobre a aplicabilidade das leis em geral, dando-
lhe autonomia de lei destacada.
É um complexo de disposições preliminares que antecedem o Código 
Civil. È inspirada no modelo alemão. Porém, não é parte integrante do CC, nem 
é lei introdutória do mesmo.
É tão-somente uma lei para tornar possível uma mais fácil aplicação das 
leis em geral.
É uma \u201clei de introdução às leis\u201d.
Abrange: princípios determinativos da aplicabilidade das normas; 
questões de hermenêutica jurídica; normas de direito internacional.
Arts. 1º ao 6º: normas emanadas do espírito da Constituição Federal.
Arts. 7° ao 19: diretrizes para solução dos conflitos na lei e no espaço.
Análise Teórico-Científica da LICC:
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 
45 dias depois de oficialmente publicada.
Trata do início da obrigatoriedade da LEI.
Relembrar as etapas do Processo Legislativo:
INICIATIVA
DISCUSSÃO
DELIBERAÇÃO
SANÇÃO
PROMULGAÇÃO: Executivo autentica a lei -> existência da lei
PUBLICAÇÃO: no Diário Oficial -> obrigatoriedade da lei
\u201cvacatio legis\u201d: período que decorre do dia da publicação da lei à data 
em que entra em vigência, durante o qual vigora a anterior sobre o mesmo 
assunto.
Contagem de prazo de vigência da lei:
Conta-se o \u201cdies a quo\u201d (dia da publicação)
Incui-se o \u201cdies ad quem\u201d (último dia)
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Ex: Lei A, publicada em 02-01 para vigorar em 15 dias. 
1° dia: 02-01
Último dia: 16-01 \u2013 Vigora em 17-01 (ou, 02 + 15 = 17)
Se, o \u201cdies ad quem\u201d cair em feriado ou domingo, não se considerará 
prorrogado o prazo até o dia útil seguinte por não se tratar de cumprimento de 
obrigação.
§1º Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, 
quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada.
Trata da entrada em vigor da lei brasileira no estrangeiro, obriga países 
estrangeiros no que se refere às atribuições dos ministros, embaixadores, 
cônsules e demais funcionários de nossa representação diplomática.
§2º - não tem mais aplicação.
§3º Se, antes de entrar em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, 
destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores 
começará a correr da nova publicação.
§4° As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que 
outra a modifique ou revogue. Trata da vigência temporal da norma.
§1° A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, 
quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria 
de que tratava a lei anterior. Trata das formas de revogação.
Revogação: é tornar sem efeito uma norma, retirando sua 
obrigatoriedade.
2 espécies -> 1) ab-rogação: supressão total da norma
 2) derrogação: apenas uma parte da norma
Podem ser de 2 formas -> a) expressa: quando declara a extinção
b)tácita: quando incompatível