Apostila de Introducao ao Estudo do Direito
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Apostila de Introducao ao Estudo do Direito


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aos interesses humanos.
Enquanto a ciência se dirige ao conhecimento humano, a técnica dirige-se à 
atividade humana . 
A técnica, de um modo geral, é neutra em relação aos valores. Pode tanto 
ser empregada para promover os elevados interesses do gênero humano, 
quanto para destruí-lo.
É desejável que as duas andem juntas: a ciência indicando O QUE e a 
técnica COMO.
O saber que apenas se situa no plano da abstração e não se projeta sobre 
a experiência humana revela-se estéril.
O mundo da cultura, composto por realizações humanas, é também o 
mundo da técnica. 
1.2 Conceito e significado da técnica jurídica
Para que o Direito cumpra a finalidade de prover o meio social de 
segurança e justiça, é indispensável que, paralelamente ao seu desenvolvimento 
filosófico e científico, avance também no campo da técnica.
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Técnica jurídica é o conjunto de meios e de procedimentos que tornam prática e 
efetiva a norma jurídica.
1.3 ESPÉCIES DE TÉCNICA JURÍDICA (elaboração, interpretação e aplicação)
1.3.1) ELABORAÇÃO (ato legislativo \u2013 técnica legislativa \u2013 processo legislativo).
A denominação técnica legislativa envolve: 
a) processo legislativo;
b) apresentação formal e
c) apresentação material do ato legislativo.
b)- APRESENTAÇÃO FORMAL DOS ATOS LEGISLATIVOS:
Conceituação: diz respeito à estrutura do ato, são as seguintes:
b.1)-preâmbulo: reúne apenas os elementos necessários à identificação do 
ato legislativo. Compõem-se dos seguintes elementos:
b.1.1) epígrafe: contém a indicação da espécie ou natureza do ato, o seu 
numero de ordem e a data em que foi assinado. Lei, decreto, medida provisória.
Ex: Lei n° 11.419, de 19 de dezembro de 2006.
b.1.2) rubrica ou ementa: define o assunto disciplinado pelo ato.
Ex: Decreto-Lei n° 1681, de 07.05.79, altera a alínea \u201ci\u201d, do item III, do 
art.13, da Lei n° 4.452, de 05 de novembro de 1964.
b.1.3) autoria ou fundamento legal da autoridade: ao indicar a espécie do ato, 
a epígrafe indiretamente consigna a autoria; não o faz porém, de modo 
completo, pois não esclarece se a lei ou decreto é de âmbito federal, estadual ou 
municipal.
Ex: Poder Executivo: \u201cO Presidente da República, no uso de suas 
atribuições que lhe confere o item IV do art. 81 da CF.....\u201d
Poder Legislativo: \u201cO Presidente da República \u2013 faço saber que o 
Congresso Nacional decreta......\u201d
b.1.4) causas justificativas: só eventualmente se recorre a esse elemento 
pelo qual o legislador declara as razões que o levaram a editar o ato.
Ex: são os considerandos (o Decreto-Lei n° 1098, de 25 de março de 1970, 
que alterou os limites do mar territorial do Brasil para duzentas milhas 
marítimas de largura: ´considerando que o interesse especial do Estado 
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costeiro......´) e as exposições de motivos ( é elaborada pelos próprios autores de 
anteprojetos e códigos.)
b.1.5) ordem de execução ou mandado de cumprimento: é a parte com que se 
encerra o preâmbulo e que se identifica por uma fórmula imperativa, que 
determina o cumprimento do complexo normativo que a seguir é apresentado.
Ex: \u201cFaço saber\u201d ou \u201cCongresso Nacional decreta e eu sanciono...\u201d
b.2) corpo ou texto: é a parte substancial do ato.
b.3) disposições complementares: podem ser:
b.3.1) preliminares: antecedem às regras principais e têm a finalidade de 
fornecer esclarecimentos prévios, como a localização da lei no tempo e no 
espaço, os objetivos do ato legislativo, definições de alguns termos e outras 
distinções básicas); 
b.3.2) gerais e finais: regulam questões materiais da lei, e
b.3.3) transitórias: regulam situações passageiras.
b.4) cláusulas de vigência e de revogação: 
b.4.1) a primeira consiste na referência à data em que o ato se tornará 
obrigatório. Normalmente entre em vigor na data de sua publicação .
Ex: esta lei entrará em vigor na data de sua publicação .
Pode ocorrer a vacatio legis em outros casos, ou seja, o intervalo que 
medeia a data da publicação e o início da vigência.
b.4.2) A cláusula de revogação consiste na cláusula que a lei faz aos atos 
legislativos que perderão a sua vigência.
Ex: ficam revogadas as disposições em contrário. 
b.5) fecho: indica o local e a data da assinatura, bem como os anos que 
são passados da Independência e da Proclamação da República.
Ex: Brasília, 21 de julho de 2004; 182° da Independência e 115° da 
República.
b.6) assinatura: garante a sua autenticidade.
b.7) referenda: no plano federal consiste no fato dos ministros de Estado 
acompanharem a assinatura presidencial. Atualmente não é essencial, mas é 
praxe. 
c) DA APRESENTAÇÃO MATERIAL DOS ATOS LEGISLATIVS: 
c.1) Artigos: unidade básica para a apresentação, divisão ou 
agrupamento de assuntos.
Os 9 primeiros pela seqüência ordinal e os demais cardinal.
Quando o artigo é dividido em parágrafos, o caput é o principal.
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- Parágrafo: § 
- Inciso, alínea e item: 
Agrupamentos dos artigos:
Os artigos formam a seção ou subseção; As subseções formam as seções
As seções formam o capítulo; Os capítulos formam o título
Os títulos formam o livro; Os livros formam a parte
As partes formam o código.
 1.3.2) INTERPRETAÇÃO: Revela o significado das expressões jurídicas. 
Os principais meios empregados são: gramatical, lógico, histórico e sistemático.***4
1.3.3) APLICAÇÃO DO DIREITO:
A técnica de aplicação tem por finalidade a orientação dos juízes e 
administradores, na tarefa de julgar.
Não se limita à simples aplicação das normas aos casos concretos, mas 
compreende os meios de apuração das provas e pressupõe o conhecimento da 
técnica de interpretação.
Tradicionalmente a aplicação do Direito é considerada um silogismo: 
premissa maior é a norma jurídica, premissa menor o fato e conclusão é a 
sentença.
Restringir a decisão a um silogismo é um erro grave, pois implica reduzir 
a atividade do juiz a um automatismo de enquadrar fatos e normas.
Porém, vale ressaltar que o silogismo somente é estruturado após a apuração 
dos fatos e a compreensão do direito.
1.4) Conteúdo da técnica jurídica: (formais e substanciais)
1.4.1) MEIOS FORMAIS (formalidades e elementos estruturais)
 
1.4.1.1)Linguagem: O direito positivo está intimamente ligado à 
linguagem. Na vida jurídica, não apenas a linguagem da lei deve reunir os 
predicados de simplicidade, clareza e concisão, também a constante nos contratos, 
sentenças, petições iniciais, contestações e outras modalidades de negócios 
jurídicos.
1.4.1.1) Vocábulos: além de termos correntes, há os de 
sentido estritamente jurídico.
1.4.1.2) Fórmulas: era mais comum no direito primitivo de 
fundo religioso. Há tendência de desaparecer. Ex: art.1535 do CC-
2002: \u201cde acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante 
mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos 
declaro casados.\u201d
1.4.1.3) Aforismos: argumentos e palavras de origem 
romana. Ex: \u201cdata vênia\u201d, \u201ca priori\u201d, etc.5
4 Abordaremos esse assunto adiante.
5 Faz parte do discurso jurídico a utilização de brocardos ou aforismos. São frases elegantes e consagradas 
que servem à prática e teoria jurídicas. Seu valor é relativo. Quase sempre vêm mencionados em latim e 
são colhidos no Digesto (de Justiniano). São brocardos sem qualquer significado: dura lex sede lex (a lei é 
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1.4.1.4) Estilos: a sobriedade, simplicidade, clareza e 
concisão devem ser as notas dominantes no estilo jurídico. 
1.4.1.2) Formas: as formalidades exigidas pelo ordenamento jurídico têm 
a finalidade de proteger os interesses dos que participam na realização dos fatos 
jurídicos, bem como de manter organizados os assentamentos públicos, como o de 
registro