Apostila de Introducao ao Estudo do Direito
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Apostila de Introducao ao Estudo do Direito


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de pessoas naturais e jurídicas e de imóveis.
1.4.1.3) Sistema de publicidade:os acontecimentos da vida jurídica que, 
direta ou indiretamente, podem afetar o bem comum, devem constar de registros 
públicos e, conforme a sua natureza, ser objeto de publicidade.
1.4.2) MEIOS SUBSTANCIAIS 
1.4.2.1) Definições: a função de definir os elementos que integram o 
Direito não é própria do legislador. Essa tarefa é específica da doutrina, a quem 
compete estudar, interpretar e explicar os fenômenos jurídicos.
Definir é precisar o sentido de uma palavra ou revelar um objeto por 
suas notas essenciais.
1.4.2.2) Conceitos: enquanto que a definição é um juízo externo, que 
revela o conhecimento de alguma coisa mediante a expressão verbal, o conceito 
é um juízo interno, conhecimento pensante, que pode ou não vir a ser expresso 
por palavras.
1.4.2.3) Categorias: com o propósito de simplificar a ordem jurídica, 
dotá-la de sistematização e torná-la prática, a doutrina cria a categoria, que é um 
gênero jurídico que reúne diversas espécies que guardam afinidades entre si.
Ex: a pessoa jurídica de direito privado é uma categoria que reúne 
diversas espécies: sociedade civil, comercial, associações, fundações.
1.4.2.4) Presunções: considerar verdadeiro aquilo que é apenas provável.
Espécies: a) simples ou comum ou de homem: é feita pelo juiz com base no 
senso comum ao examinar a matéria de fato. Ocorre quando o juiz fundado em 
fatos provados ou suas circunstâncias raciocina, guiado pela sua experiência e 
pelo que ordinariamente acontece e conclui presumir a existência de um fato.
 b). legal: é estabelecida na lei.
 b.1) - Absoluta ( juris et juris): direito e de direito. Não admite 
prova em contrário. Ex: art.163 do CC-2002: \u201cpresumem-se fraudatórias dos direitos 
dura mas é lei); interpretatio cessat in claris (a interpretação cessa diante da clareza); testis unus testis 
nullus (uma só testemunha é nenhuma testemunha).
São exemplos de expressões ricas: ad impossibilia nemo tenetur (ninguém é obrigado a fazer coisas 
impossíveis), iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere (os 
preceitos do direito são os seguintes: viver honestamente, não prejudicar o próximo e dar a cada um o seu 
direito).
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dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum 
credor\u201d. 
 b.2)- Relativa ( juris tantum): até onde o direito permite. Admite 
prova em contrário. Ex: art. 1321 do CC-2002: \u201co domínio presume-se exclusivo e 
ilimitado, até prova em contrário\u201d.
 b.3) - Mista : a lei estabelece uma presunção que, em princípio, 
não admite prova em contrário, salvo mediante um determinado tipo por ela 
previsto.
1.4.2.5) Ficções : é um instrumento de técnica legislativa para transportar 
o regulamento jurídico de um fato para fato diverso que, por analogia de 
situações ou por outras razões, se deseja comparar ao primeiro. 
Ex: os acessórios de um imóvel, são móveis por natureza, mas recebem o 
tratamento jurídico próprio dos imóveis.
(1.3.2) INTERPRETAÇÃO DO DIREITO
A interpretação do direito constitui uma operação muito importante para 
a prática e a teoria jurídicas. Não há, nem pode haver, aplicação do direito sem 
que ele seja interpretado.
Toda norma merece interpretação. Quando temos diante de nós um caso 
concreto e vamos buscar no ordenamento jurídico a norma abstrata que lhe 
deve ser aplicada, já estamos perto de uma interpretação do direito, exatamente 
na escolha do mandamento aplicável.
Embora as operações INTERPRETAÇÃO e APLICAÇÃO do direito 
sejam diferentes, não pode haver aplicação sem que haja sua interpretação.
A exegese é que revela a sua clareza.
Por isso o brocardo in claris cessat interpretatio não corresponde à verdade. 
Pois, por mais clara que seja a lei, ainda assim merece ela alguma interpretação.
Interpretar não se confunde com integrar, preencher lacunas e aplicar o 
direito.
A integração consiste em assimilar, no sistema jurídico correspondente, o 
direito novo ou a lacuna, de maneira que dele passe a fazer parte de forma 
lógica.
O preenchimento de lacunas legais deve ser feito mediante certos 
critérios. A nossa LICC tem dispositivos importantes a respeito.
Do art. 3º, decorre a presunção do conhecimento da lei por todos.
Os juízes, presumidamente técnicos em direito, não podem deixar de 
julgar, ainda que a lei não disponha a respeito da matéria em julgamento.
Se por acaso, as fontes do direito não preordenam aquela hipótese em 
concreto (o que não é raro, sobretudo nos sistemas de direito escrito e 
positivado na lei, pois é impossível a lei tudo prever), no caso de a lei ser 
omissa, o juiz não pode se escusar de julgar o caso, julgá-lo-á de acordo com a 
analogia, os costumes e os princípios gerais do direito.
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Pela analogia utiliza-se uma norma originalmente editada para casos 
diferentes, mas semelhantes.
Ex: a aplicação da lei de responsabilidade civil nos acidentes de bonde 
para os casos de acidentes ferroviários;
a dos acidentes em usina hidroelétrica para os danos nucleares.
Em direito penal a analogia é proibida.
É possível aplicar a jurisprudência por analogia.
Há assim, analogia de lei e analogia de direito.
Se a analogia não for factível porque sequer lei existe, então se buscará o 
costume para o preenchimento da lacuna.
Se não houver lei nem jurisprudência, pode haver costume, e este valerá 
para a solução do caso concreto.
Se afirmarmos \u201canalogia, costumes e princípios gerais de direito\u201d, 
colocado em ordem de prioridade para resolver a omissão/lacuna da lei, pode 
resultar a impressão de uma certa hierarquia entre tais fontes.
NA VERDADE, NÃO É ISTO QUE ESTÁ DIZENDO A LEI!!!!!!
A prioridade consiste mais numa exigência lógica do que numa 
hierarquia valorativa.
Deve-se começar pela analogia; observar em seguida os costumes e por 
fim os princípios gerais. Depois, pesar cada uma das fontes \u2013 se possíveis \u2013 e 
avaliar de qual delas vai haurir a norma a aplicar no caso concreto.
Na verdade, o juiz supre a omissão legal, gerando normas como se fosse 
legislador. 
Segundo o art.5° da LICC: \u201cna aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins 
sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum\u201d.
A ideia de equidade continua a viger, mas o juiz só decidirá assim 
quando previsto em lei.
O romanismo, a revolução e a proibição de interpretar:
O direito romano foi obra do povo romano através da lei; dos pretores 
pelos seus editos; e dos jurisprudentes pelo esforço doutrinário.
Com a compilação de Justiniano e o seu desdobramento histórico, 
perpetuou-se o direito romano no mundo medieval.
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Por essa razão, a Revolução Francesa, que tudo repele ao antigo regime, 
passa a buscar o direito nacional como expressão da vontade do povo, 
substituindo assim pelo direito novo qualquer resquício da antiguidade.
O Código Civil Napoleônico pretendia cobrir todas as hipóteses 
possíveis, proibia a interpretação e abolia o uso da analogia ou costume.
Da proibição da interpretação, evitando-se trair a vontade do legislador, 
passou-se a uma interpretação limitada, severa, literal, dentro da \u201cletra da lei\u201d.
Era assim que pregava a Escola da Exegese da França : a lei é conforme a 
vontade do legislador, e o dogma da separação dos poderes impede que um 
poder altere a vontade do outro.
Paralelamente, desenvolveu-se a Escola Histórica de Direito na 
Alemanha (Savigny), onde a lei representa uma realidade histórica e cultural. 
Eram menos legalistas.
A Escola da livre pesquisa do direito e do Direito livre são as que 
rompem as amarras. Já não está o intérprete preso