Apostila de Introducao ao Estudo do Direito
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Apostila de Introducao ao Estudo do Direito


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Vínculo, Objeto)
- sujeito ativo e sujeito passivo
- vínculo de atributividade
- objeto
Sujeitos: 
Entre os caracteres das relações jurídicas há a chamada ALTERIDADE, 
que significa a relação de homem para homem (outro).
Nesse vínculo intersubjetivo, cada qual possui uma situação jurídica 
própria.
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Esta consiste na posição que a parte ocupa na relação, como titular de 
direito ou de dever.
SITUAÇÃO JURÍDICA ATIVA: corresponde à posição do agente 
portador de direito subjetivo.
SITUAÇÃO JURÍDICA PASSIVA: é a do possuidor de dever jurídico.
PARTE: é a pessoa ou conjunto de pessoas que possui uma situação 
jurídica ativa ou passiva.
A referência que se faz com o vocábulo parte é para distinguir os participante 
da relação dos chamados TERCEIROS, que são pessoas alheias ao vínculo 
jurídico.
SUJEITO ATIVO: é a pessoa que na relação ocupa a situação jurídica 
ativa, é o portador do dto subjetivo que tem o poder de exigir do sujeito passivo 
o cumprimento do dever jurídico. É o credor da prestação principal.
É a pessoa natural ou jurídica.
SUJEITO PASSIVO: é o elemento que integra a relação jurídica com a 
obrigação de uma conduta ou prestação em favor do sujeito ativo. É o 
responsável pela obrigação principal.
Relação jurídica:
-simples: envolve apenas duas pessoas.
-plurilateral: em que mais de uma pessoa apresenta-se na situação 
jurídica ativa ou passiva.
Vínculo de Atributividade:
Miguel Reale: \u201cé o vínculo que confere a cada um dos participantes da 
relação o poder de pretender ou exigir algo determinado ou determinável\u201d.
Tem origem na lei ou no contrato.
Objeto:
É sobre o objeto que recai a exigência do sujeito ativo e o dever do sujeito 
passivo.
Recai sempre sobre um bem. Pode ser patrimonial ou não-patrimonial, 
conforme apresente valor pecuniário ou não.
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Introdução ao Direito.
FATO JURÍDICO
O direito é um fato social. Porém, não é qualquer fato que lhe interessa.
Em decorrência de sua participação na vida social, as pessoas mantêm 
entre si uma pluralidade de relações jurídicas.6
Em algumas, figuram como titulares de direito, e em outras, como 
portadores de deveres jurídicos.
Determinadas situações jurídicas são necessárias e permanentes, ex: 
direitos personalíssimos, e outras podem ser transitórias, ex: inquilino, 
trabalhador.
\u201cFato\u201d e \u201cfato jurídico\u201d são coisas diferentes.
FATO é qualquer transformação da realidade ou transformação do 
mundo exterior.
 Nem todo fato é fato jurídico, mas somente aquele qualificado 
juridicamente por uma norma.
Fato jurídico é uma espécie do gênero fato, e é qualquer acontecimento 
que gera, modifica ou extingue uma relação jurídica.
O fato jurídico seria a realização da hipótese, a realização concreta do 
que diz na norma.
EX: nascimento, roubo, testamento, etc.
A temática do fato jurídico é estudada no direito civil.
Conceito: 
Maria Helena Diniz: \u201cO fato jurídico lato sensu é o elemento que dá 
origem aos direitos subjetivos, impulsionando a criação da relação jurídica, 
concretizando as normas jurídicas.\u201d
6 CONJUNTO DE OBRIGAÇÕES E DEVERES RECÍPROCOS SANCIONADOS PELO DIREITO. 
Elementos: sujeito ativo e passivo; objeto; fato; proteção jurídica.
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Savigny : \u201cfatos jurídicos sãos os acontecimentos em virtude dos quais as 
relações de direito nascem e se extinguem.\u201d
Washington de Barros Monteiro: \u201cfatos jurídicos são os acontecimentos 
em virtude dos quais nascem, subsistem e se extinguem as relações jurídicas.\u201d
A ideia de fato jurídico vem sempre referida à idéia de relação jurídica 
(sujeitos, objeto, conteúdo e fato).
Fato e Lei
As leis físico-matemáticas descrevem e explicam os fatos; relacionam 
suas causas e seus efeitos. Tais leis são indiferentes a qualquer juízo de valor.
As leis jurídicas, que fazem parte das leis culturais e éticas, dão a 
determinado fato um atributo, uma qualidade.
Assim, o homem através do direito, qualifica como jurídicos 
determinados fatos, adotando, perante eles, uma atitude crítica e valorativa, 
atribuindo-lhe determinadas conseqüências. (LEI)
Concretizado o fato previsto, haverá determinados efeitos no mundo do 
direito, conforme dispuser a norma. (Ex: matar alguém \u2013 crime)
Antes do processo normativo, já existe o fato, que não é ainda jurídico. 
A norma o qualifica, dando-lhe conseqüências jurídicas.
O fato dá origem ao fato jurídico, mas pode pôr termo a ele.
 EX: a morte resolve todas as coisas. Com a morte extingue-se a ação 
penal. As relações jurídicas são resolvidas pela morte, embora passem a ser 
integradas por um outro sujeito (o espólio do de cujus).
O tempo é outro fato natural a pôr temo ao fato jurídico. Não há interesse 
em que as situações, até mesmo de responsabilidade penal permaneçam 
indefinidamente. 
Daí o porquê da prescrição 7 e da decadência 8, institutos jurídicos ligados 
ao tempo, pelos quais os direitos materiais desaparecem depois de certo tempo 
ou permanecem, mas seus titulares não dispõe mais do direito de ação para 
exigi-los.
Os fatos constituem, extinguem e modificam direitos, são por isso, 
constitutivos, extintivos e modificativos.
Fatos jurídicos podem ser ações humanas ou de ordem natural, como o 
tempo, a tempestade, a inundação, a investida de um animal, a morte e o 
nascimento de uma pessoa e até mesmo a sua concepção.
7 PERDA DE UM DIREITO EM RAZÃO DA INÉRCIA DO SEU TITULAR E DO DECURSO DO 
TEMPO. Extinção de uma ação ajuizável em virtude da inércia do seu titular durante um certo lapso de 
tempo. Ex: os locadores tem direito de cobrar o seu aluguel por ação judicial, se os inquilinos recusarem-
se a pagar e dentro de 3 anos não formalizarem a demanda, perdem o direito de fazê-lo, porque há um 
interesse social em não permitir que as pendências fiquem sempre em aberto. 
8 PERDA DE UM DIREITO PELO FATO DE SEU TITULAR NÃO EXERCÊ-LO DENTRO DO 
PRAZO LEGAL. Ex: haverá decadência se alguém deixar passar mais de 120 dias para exercer o direito 
de impetrar mandado de segurança.
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Fato natural e Ato.
O fato natural é diferente do ato.
O ato é uma deliberação volitiva do homem.
O ato jurídico é um ato voluntário, intencional, precedido e determinado 
por um projeto consciente.
O ato jurídico é uma espécie de fato jurídico.
A temática do ato diz respeito a esse ato ser fruto de uma vontade livre. 
Se a vontade estiver viciada ou inexistir, não haverá ato jurídico plenamente 
válido, será nulo ou anulável.
A vontade do ato jurídico e os seus vícios não são explicáveis tão-
somente pela lei, mas necessitam de subsídios fora da ciência do direito 
(filosofia, psicologia, etc).
O ato jurídico é fruto de uma vontade livre. Para o direito não importa 
tanto a explicação psicológica da vontade quanto a sua manifestação, desde que 
livre de fatores que a viciam.
Para o direito, não basta que a vontade exista, mas que venha expressa 
de alguma forma, mesmo tacitamente, quando isso for admitido. É preciso 
lembrar que o silêncio constitui uma maneira de manifestar a vontade.
Uma questão que se coloca em relação à vontade e ao ato jurídico 
consiste em saber o valor a conferir-se à vontade em cotejo com o do resultado 
formal de sua manifestação.
Há duas teorias: da vontade e da declaração.
Para a teoria da vontade, a declaração é elemento exterior, enquanto que 
para a teoria da declaração, prevalece a forma, pois a vontade psicológica é 
substituída pela vontade formal. As duas se confrontam. A teoria da declaração 
pode levar a um literalismo grosseiro, se levada ao extremo.
Nosso CC adotou a teoria da vontade: Art. 85 Nas declarações de 
vontade se atenderá mais