Apostila de Introducao ao Estudo do Direito
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Apostila de Introducao ao Estudo do Direito


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a sua intenção que ao sentido literal da linguagem.
Aqui reside a liberdade de contratar. Ressalta-se que o liberalismo 
individualista levou essa questão ao extremo e possibilitou inúmeras injustiças. 
Na verdade, o mais fraco ficou na dependência das sutilezas das formas. No 
entando, será preciso proteger o desprotegido pela lei da vida, justamente para 
restabelecer o equilíbrio nas relações jurídicas.
A liberdade é que escraviza e o direito é que liberta (Lacordaire).
Deve o direito proteger o mais fraco, por isso, dará maior valor à vontade 
do que a sua expressão.
O ato jurídico deve sempre ser um ato lícito??
Segundo o CC, ato jurídico é todo o ato lícito, que tenha por fim imediato 
adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direito.
Ora, não é apenas o ato lícito que produz modificações no mundo 
jurídico.
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Diz o art. 159 do CC que aquele que por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, violar direito ou causar prejuízo a outrem, fica 
obrigado a reparar o dano.
Logo, os atos ilícitos também são atos jurídicos.
Segundo Maria Helena Diniz, o FATO JURÍDICO LATO SENSU, 
abrange:
1- o fato jurídico stricto sensu : que é o acontecimento que independe da 
vontade humana, que produz efeitos jurídicos. Pode ser classificado 
em:
A) ORDINÁRIO: como morte, nascimento, maioridade, menoridade, 
decurso do tempo, usucapião (que é a aquisição da propriedade pela 
posse da coisa durante certo tempo previsto em lei), prescrição, 
decadência, etc.
B) EXTRAORDINÁRIO: como o caso fortuito e a força maior, que se 
caracterizam pela presença de 2 requisitos: o objetivo = 
inevitabilidade do evento e o subjetivo = ausência de culpa na 
produção do acontecimento.
Na força maior conhece-se a causa que dá origem ao evento, pois se 
trata de um fato da natureza. Ex: raio que provoca incêndio, 
inundação que provoca danos.
No caso fortuito acidente que gera o dano advém de causa 
desconhecida, como o cabo elétrico aéreo que se rompe e cai sobre 
fios telefônicos causando um incêndio, a explosão de caldeira de 
usina que provoca mortes.
Acarretam a extinção das obrigações salvo se se convencionou pagá-
los ou se a lei impõe esse dever, como nos casos de resp. objetiva. 
2- o ato jurídico: depende da vontade humana. Abrange:
A) ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO: se objetivar mera 
realização da vontade do agente, gerando conseqüências 
jurídicas previstas em lei. Ex: fixação e transferência de 
domicílio, confissão, notificação, etc.
B) NEGÓCIO JURÍDICO: é a norma estabelecida pelas partes, que 
podem auto-regular, nos limites legais, seus próprios 
interesses. Ex: contratos, testamento, etc.
C) ATO ILÍCITO (Art. 186, CC): o praticado em desacordo com a 
ordem jurídica, violando direito subjetivo individual. Causa 
dano a outrem criando o dever de reparar tal prejuízo (art. 927 
CC). Ex: o delito de lesões corporais (art.949 CC e art.129 CP). 
Não são atos ilícitos: legítima defesa, exercício regular de 
direito e estado de necessidade, que consistem na ofensa de 
direito alheio para remover perigo iminente.
Referências:
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Dicionário Jurídico. Editora Rideel, 4ªed. 2000. 
DINIZ, Maria Helena. Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. São Paulo: 
Saraiva, 20ªed. 2009.
NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 30ª ed. 2008.
POLETTI, Ronaldo. Introdução ao Direito. São Paulo: Saraiva, 3ª ed. 2006.
Introdução ao Direito
Material: Ato Ilícito e Negócio Jurídico
Relembrar:
FATO JURÍDICO: acontecimento independente da vontade humana que 
produz efeitos jurídicos \u2013 cria, extingue ou modifica relação jurídica. Pode ser: 
stricto sensu, ordinário ou extraordinário.
ATO JURÍDICO: é todo o ato que depende da vontade humana e produz efeito 
jurídico. Pode ser: em sentido estrito, negócio jurídico ou ato ilícito.
ATO ILÍCITO:
É a conduta humana violadora da ordem jurídica.
A ilicitude implica sempre a lesão a um direito pela quebra do dever 
jurídico.
Para a configuração do ilícito concorrem os elementos: 
CONDUTA: sempre humana
ANTIJURIDICIDADE: a ação praticada é proibida pelas normas jurídicas
IMPUTABILIDADE: responsabilidade do agente pela autoria do ilícito
Exemplo: enquanto na esfera criminal a conduta antijurídica de um 
menor não torna imputável o seu pai ou responsável, o contrário se passa no 
âmbito civil, em face da culpa in vigilando.
e CULPA: é o elemento subjetivo referente ao animus do agente ao 
praticar o ato. É um elemento de ordem moral, que indica o nível de 
participação da consciência na realização do evento. Lato sensu abrange o dolo e 
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a culpa propriamente dita. Ato ilícito doloso é praticado intencionalmente. No 
ato culposo não se verifica o propósito deliberado de realização do ilícito.
A responsabilidade deriva de uma conduta imprópria do agente que, 
podendo evitar a ocorrência do fato, que é previsível, não o faz. 
Conscientemente não deseja o resultado, mas não impede o acontecimento. A 
culpa pode decorrer de 
NEGLIGÊNCIA (descaso ou acomodação, o agente do ato possui dever 
jurídico e não toma as medidas necessárias e que estão ao seu alcance), 
IMPRUDÊNCIA (é a imoderação, falta de cautela, o agente revela-se 
impulsivo, sem a noção de oportunidade) 
ou IMPERÍCIA (falhas de natureza técnica, pela falta de conhecimento ou 
de habilidade).
A conseqüência para a prática dos atos ilícitos é a reparação dos danos 
ou a sujeição a penalidades, previstas em lei ou em contrato.
Art. 186 CC : Ato ilícito é aquele que, por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que 
exclusivamente moral.
Art. 927 CC: haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de 
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os 
direitos de outrem.
CATEGORIAS:
Há duas categorias de ilícito: civil e penal.
CIVIL: o descumprimento do dever jurídico, contratual ou 
extracontratual, contraria normas de Direito Privado e tem por conseqüência a 
entrega de um bem ou de uma indenização.
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PENAL: quando a conduta antijurídica enquadra-se em um tipo de crime 
definido em lei. Em face do princípio da reserva legal, não pode haver crime e 
nem pena sem lei anterior. A sanção penal consiste geralmente em uma 
restrição à liberdade individual ou pagamento de multa.
EXCLUDENTES DO ILÍCITO:
Art. 188 CC: 
LEGÍTIMA DEFESA: esta medida é de natureza especial e extraordinária, 
pois o caminho natural para a defesa dos direitos é a via judicial. A reação 
moderada, a título de defesa, além de direito, é dever moral. Ex: quando o 
proprietário se vê privado da posse de qualquer bem.
EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO RECONHECIDO: o direito 
subjetivo é para ser exercitado. A sua utilização normal, de acordo com a sua 
finalidade, não caracteriza qualquer ilícito. Ex: proprietário que ajuíza ação de 
despejo contra uma empresa, não tem responsabilidade pelo tempo e dinheiro 
perdidos durante a paralisação temporária.
ESTADO DE NECESSIDADE: apresenta-se um conflito entre direitos 
pertencentes a titulares distintos. Para tutelar o direito próprio, alguém destrói 
ou inutiliza o bem jurídico de outrem. É ação ilícita apenas se exceder os limites 
indispensáveis à remoção do perigo. REQUISITOS: PERIGO ATUAL E 
INEVITÁVEL, NÃO PROVOCADO PELO AGENTE e QUE O SACRIFÍCIO DO 
BEM AMEAÇADO COMPENSE A DESTRUIÇÃO DA COISA ALHEIA.
ABUSO DO