DIREITO_CIVIL
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poderá fazê-lo o curador, o 
ascendente ou o irmão. 
 
DA SEPARAÇÃO JUDICIAL E SUAS ESPÉCIES 
 
\u2022 Por mútuo consentimento ou consensual ou amigável (art. 1574, CC): só 
pode ser requerida quando os cônjuges forem casados por mais de um ano. 
Desta forma a Lei 6515/77, que exigia dois anos de matrimônio para se requerer 
a separação consensual, foi revogada neste aspecto. Porém, o juiz poderá 
recusar-se a homologar e não decretar a separação judicial se apurar que a 
 
convenção não preserva suficientemente os interesses dos filhos ou de um dos 
cônjuges; 
\u2022 Litigiosa ou separação-sanção (art. 1572, CC); pode ser requerida por 
uma dos cônjuges, nas hipóteses de um imputar AP outro grave violação de 
deveres do casamento que torne insuportável a vida comum. O legislador 
exemplifica o art. 1573, CC, alguns motivos que ensejariam tal separação, a 
saber: tentativa de morte; sevícia ou injúria grave, mas o juiz poderá considerar 
outros, de acordo com o caso concreto (parágrafo único do art. 1573). 
\u2022 Por ruptura ou falência (art. 1572, § 1º, CC): ocorre em casos de 
comprovada ruptura da vida em comum há mais de um ano e da 
impossibilidade de sua restituição; 
\u2022 Remédio (art. 1572, § 2º, CC): é possível em caso de doença mental 
grave, manifestada após o casamento, que torne impossível a continuação da 
vida em comum desde que, após um duração de dois anos, a enfermidade 
tenha sido reconhecida como incurável. Conforme artigo 1572, § 3º do CC, 
reverterão ao cônjuge enfermo que não houver pedido a separação judicial, os 
remanescentes dos bens que levou para o casamento, e se o regime de bens 
adotados permitir, a meação dos adquiridos na constância da sociedade 
conjugal. Tal disposição somente se aplica a essa espécie de separação, tendo 
aplicação apenas no regime de comunhão universal. 
Com o advento da Lei 11.441/2007, a separação judicial e o divórcio 
poderão ser realizados administrativamente, isto é, por escritura pública, 
independentemente de homologação judicial, mas só é possível se houver 
concordância de ambos os cônjuges. É vedada esta separação ou divórcio por 
escritura pública, se houver filho menor ou incapaz. A separação ou divórcio por 
escritura pública só podem ser consensuais, exigindo-se, porém que os 
contratantes estejam assistidos por advogado comum ou advogados de cada 
um deles. 
De acordo com o art. 1576, a separação judicial coloca fim aos deveres de 
coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens. Porém, quanto a nome, 
alimentos e guarda dos filhos, os efeitos variam conforme o tipo de separação 
judicial (art. 1578 e 1579, CC). 
Por fim, prevê o art. 1577, CC a reconciliação, isto é, o restabelecimento da 
sociedade conjugal pelos separados judicialmente, mediante requerimento de 
ambos nos autos da separação, qualquer que seja a causa da separação. Essa 
reconciliação não implicará em alteração do regime, que permanecerá o 
mesmo. 
 
DISCUSSÃO DE CULPA NO DIVÓRCIO 
 
Não há previsão legal para analisar a culpa na ação do divórcio. Porém, a 
jurisprudência sempre admitiu a discussão de culpa para solucionar problemas 
incidentais referentes ao alimentos, direito ao nome e, mais recentemente, 
alienação parental. É necessário lembrar que a questão de culpa é inócua em 
relação à guarda de filhos e partilha de bens. 
Com a nova redação do § 6º do artigo 226 da CF, uma parte da doutrina 
passou a sustentar que a culpa não poderia ser discutida na ação do divórcio 
nem mesmo para resolver os problemas incidentais referente aos alimentos e 
direito ao nome. 
 
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial 
proteção do Estado. 
... 
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. 
 
Trata-se de uma discussão processual, que nada tem a ver com os aspectos 
constitucionais do divórcio. Decretar o divórcio sem resolver os incidentes 
familiares relacionados aos alimentos e o uso do nome, não soluciona por 
inteiro a lide familiar, gerando ações paralelas que poderiam ser evitadas 
contrariando o principio da economia processual. 
 
MODALIDADES DE DIVÓRCIO 
 
São duas as modalidades de divórcio, o direto e o por convenção. Ambos 
são divórcios-remédios, porque é vedada a discussão da culpa. Portanto, não 
admitem a reconvenção. 
Em ambos os casos, o pedido deve ser formulado por um ou ambos os 
cônjuges, podendo, contudo, ser exercido, no caso de incapacidade por 
curador, ascendente ou irmão. A ação é personalíssima, extinguindo-se o 
processo com a morte de um dos cônjuges. É obrigatória a participação do 
Ministério Público, que atua como fiscal da Lei, ainda que não haja filhos, tendo 
em vista que a questão é de estado civil (art. 82 II, do CPC). 
 
Art. 82 - Compete ao Ministério Público intervir: 
I - nas causas em que há interesses de incapazes; 
II - nas causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio 
poder, tutela, curatela, interdição, casamento, declaração 
de ausência e disposições de última vontade; 
III - nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse 
da terra rural e nas demais causas em que há interesse 
público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da 
parte. 
 
DIVÓRCIO POR CONVERSÃO 
 
Pressupõe uma separação judicial transitada em julgado. Essa conversão 
pode ser consensual ou litigiosa. 
O divórcio consensual é requerido por ambos os cônjuges, aplicando-se, por 
analogia, o procedimento de jurisdição voluntária previsto para a separação 
amigável. 
O divórcio litigioso é o requerido por apenas um dos cônjuges, seja porque o 
outro não quer divorciar-se, ou também porque encontra em lugar incerto e não 
sabido. Neste último caso, será citado por edital e se não contestar a ação, será 
lhe nomeado um curador especial. 
O divórcio por conversão, seja ele consensual ou litigioso, só é possível 
após o trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação. 
Seja ele amigável ou litigioso, caso tenha sido ajuizado na mesma comarca 
que o processo de separação, será apensado nos autos da separação judicial 
(parágrafo único do art. 35 da lei nº 6.515/77) Todavia o foro competente é o 
domicilio da mulher (art. 100, I do CPC), de modo que o divórcio não é 
 
necessariamente ajuizado na comarca onde tramitou a separação. Assim, no 
caso de mudança de domicilio da mulher para outra comarca, afasta-se a 
competência por prevenção do juízo onde tramitou o processo de separação. 
Nesse caso, em vez de apensado, o pedido de conversão em divórcio será 
instruído com certidão da sentença, ou da sua averbação no assento de 
casamento (arts 47 e 48 da Lei nº 6.515/77). 
 
Art. 100 - É competente o foro: 
I - da residência da mulher, para a ação de separação dos 
cônjuges e a conversão desta em divórcio, e para a 
anulação de casamento; 
 
Quanto à audiência de conciliação, não há necessidade de realizá-la no 
divórcio por conversão. A lei não faz essa exigência talvez pelo fato de a 
tentativa de conciliação já ter sido realizada no processo de separação. 
 
DIVÓRCIO DIRETO 
 
O divórcio direto é aquele em que o casal não esta separado judicialmente. 
Para requerê-lo não há sequer a necessidade de separação de fato. Trata-se, 
pois, de um direito potestativo incondicionado. 
O divórcio direto também pode ser consensual, formulado por ambos os 
cônjuges, e litigioso, quando requerido por apenas um dos cônjuges. 
O divórcio direto consensual, por expressa determinação do § 2º do art. 40 
da Lei 6.515/77, deve observar o procedimento da separação amigável, sendo, 
pois, necessária a audiência de tentativa de conciliação. Não há necessidade de 
inquirição de testemunhas acerca da separação de fato. Em não havendo filhos 
menores ou incapazes do casal, o divórcio consensual pode ser providenciado 
por escritura pública, conforme preceitua o art. 1.124-A do CPC. 
 
Art. 1.124-A - A separação consensual e o divórcio 
consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do 
casal e observados os requisitos legais quanto aos 
prazos, poderão ser realizados