DIREITO_CIVIL
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DIREITO_CIVIL


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em lei. 
 
 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos 
resultantes de caso fortuito ou força maior, se 
expressamente não se houver por eles responsabilizado. 
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-
se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar 
ou impedir. 
 
O inadimplemento pode ser: 
\u2022 Absoluto: se a obrigação não foi cumprida, total ou parcialmente, nem 
poderá sê-lo. A prestação se tornou inútil ao credor. 
\u2022 Relativo: se a obrigação não foi cumprida no tempo, lugar ou forma 
devidos, porém sê-lo com proveito ao credor, hipóteses em que terá a mora. A 
prestação ainda é útil ao credor. 
 
Ainda podemos dividir o inadimplemento em: 
\u2022 Voluntário: o devedor deixou de cumprir a obrigação devida sem a 
dirimente do caso fortuito ou força maior. O fato é imputável ao devedor que 
agiu com dolo (intencional) ou culpa (negligência, imperícia ou imprudência), 
tendo, portanto, que arcar com perdas e danos. 
\u2022 Involuntário: o inadimplemento ocorre por um evento estranho ao 
devedor, por caso fortuito ou força maior. Nesta hipótese, o credor não tem 
direito a indenização. 
 
MORA (art. 394 a 401, CC): ocorre quando a obrigação não foi cumprida no 
tempo, no lugar ou na forma devidos, mas poderá sê-lo proveitosamente, para o 
credor. Diferencia-se do inadimplemento absoluto, pois neste não há 
possibilidade de cumprir a obrigação, ou porque a coisa pereceu ou se tornou 
inútil ao credor. A mora ainda, pode ser purgada, o mesmo não sucedendo com 
o inadimplemento absoluto. 
 
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não 
efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo 
no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção 
estabelecer. 
 
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua 
mora der causa, mais juros, atualização dos valores 
monetários segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. 
Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar 
inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a 
satisfação das perdas e danos. 
 
Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao 
devedor, não incorre este em mora. 
 
Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e 
líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o 
devedor. 
Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui 
 
mediante interpelação judicial ou extrajudicial. 
 
Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, 
considera- se o devedor em mora, desde que o praticou. 
 
Art. 399. O devedor em mora responde pela 
impossibilidade da prestação, embora essa 
impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, 
se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar 
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando 
a obrigação fosse oportunamente desempenhada. 
 
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de 
dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga 
o credor a ressarcir as despesas empregadas em 
conservá-la, e sujeita-o a recebê- la pela estimação mais 
favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia 
estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. 
 
Art. 401. Purga-se a mora: 
I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação 
mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da 
oferta; 
II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o 
pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a 
mesma data. 
 
A mora é do devedor (mora solvendi), quando este deixa de efetuar o 
pagamento na forma, tempo, e lugar devidos, ou do credor (mora accipiendi) 
quando, sem justa causa, se recusa a receber o pagamento. 
 
PERDAS E DANOS (art. 402 a 405, CC): constituem o equivalente do 
prejuízo ou dano suportado pelo credor, em virtude do devedor não ter 
cumprido, total ou parcialmente a obrigação. Expressa-se numa soma o dinheiro 
correspondente ao desequilíbrio sofrido pelo lesado, comportando o dano 
emergente (o prejuízo efetivamente sofrido) e o lucro cessante (o que deixou de 
lucrar). 
 
Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em 
lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além 
do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente 
deixou de lucrar. 
 
Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do 
devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos 
efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e 
imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. 
 
Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de 
pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização 
 
monetária segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de 
advogado, sem prejuízo da pena convencional. 
Parágrafo único. Provado que os juros da mora não 
cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, 
pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar. 
 
Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação 
inicial. 
 
No que concerne aos lucros cessantes, duas restrições devem ser 
consideradas: só se deve cogitar daqueles lucros defluentes direta ou 
indiretamente do inadimplemento (art. 403, CC) e só se computam os lucros 
que foram ou podiam ser previstos na data da obrigação. 
 
 
 
QUESTÔES 
 
1. (OAB/CESPE \u2013 2007.3.PR) Assinale a opção correta com relação ao 
direito das obrigações. 
A - Havendo pluralidade de devedor, o inadimplemento da obrigação 
indivisível não altera os direitos do credor nem a obrigação perde esse caráter, 
podendo, assim, o credor demandar a obrigação por inteiro, mais perdas e 
danos, de qualquer dos devedores. 
B - A dação em pagamento constitui acordo entre o credor e devedor, por 
meio do qual o credor consente em receber objeto distinto do previsto no título 
constitutivo da obrigação, com o fito de extinguir a obrigação. 
C - Com a assunção de dívida, subsiste o débito originário, com os seus 
acessórios e garantias especiais, assumindo o terceiro a posição de devedor, 
independentemente da concordância do credor ou do devedor originário. 
D - O devedor de várias dívidas ainda não vencidas a um mesmo credor, 
diante da insuficiência de condições financeiras para o pagamento de todo o 
débito, poderá propor quitá-lo antecipadamente, por meio da imputação do 
pagamento. 
 
2. (OAB/CESPE \u2013 2007.1) Assinale a opção correta acerca do direito das 
obrigações e do direito das coisas. 
 
A - Mora accipiendi é a mora do devedor de obrigação líquida, certa e 
exigível. 
B - Nas obrigações provenientes de ato ilícito, em sede de ação reparatória 
ou indenizatória, contam-se os juros moratórios a partir da citação. 
C - Juros remuneratórios ou compensatórios são devidos pelo atraso no 
cumprimento da prestação por parte do devedor. 
D - A aluvião é forma de aquisição da propriedade por acessão decorrente de 
fenômenos naturais. Será própria quando os acréscimos se formarem pelos 
depósitos ou aterros naturais nos terrenos marginais do rio. De outra parte, será 
imprópria se o acréscimo se formar pelo afastamento das águas que descobrem 
 
parte do álveo. Aquele que se beneficia pela aluvião não tem de pagar 
indenização. 
 
3. (OAB/CESPE \u2013 2007.1) Considerando o direito das obrigações, coisas 
e sucessões, assinale a opção incorreta. 
A - Na cessão de crédito por título oneroso, o cedente sempre responde ao 
cessionário pela existência do crédito. Se houver acordo entre as partes, o 
cedente poderá assumir a responsabilidade também pela solvência do devedor. 
Nessa hipótese, a responsabilidade do cedente é limitada ao valor que recebeu 
do cessionário, mais juros. 
B - A usucapião é forma originária de aquisição da propriedade. Assim, 
prevalece a propriedade adquirida por usucapião extraordinária, ainda que 
sobre o imóvel usucapiendo haja cláusula de inalienabilidade instituída pelo 
proprietário anterior. 
C - Nas dívidas garantidas por penhor, este terá por objeto determinado bem 
imóvel de propriedade do devedor. 
D Falecendo o varão antes de transitada em julgado a decisão que decretou 
o divórcio, embora em execução provisória