DIREITO_CIVIL
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pois o termo 
suspende do exercício, mas não a aquisição do direito. (art. 131, CC). 
\u2022 Modo ou encargo: é a cláusula ou estipulação acessória aderente, em 
regra, aos atos de liberalidade inter vivos (adoção) ou mortis causa 
(testamento), que impõem um ônus ou uma obrigação à pessoa natural ou 
jurídica contemplada pelos referidos atos. Pode consistir numa prestação em 
favor de quem o institui, de terceiros ou mesmo numa prestação sem interesse 
particular para determinada pessoa. Ex. doação de um terreno para a 
construção de uma escola. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS 
 
\u2022 Inter vivos: visam produzir seus efeitos após a morte do declarante. Ex. 
testamento. 
\u2022 Mortis causa: visam produzir seus efeitos após a morte do declarante. Ex. 
testamento. 
\u2022 Unilaterais: a manifestação de vontade provém de uma só pessoa, ou 
mais de uma, porém no mesmo sentido. Ex. promessa de recompensa. Podem 
ser receptícios, quando o efeito a ser produzido só se verificar após o 
destinatário tomar ciência da declaração e não-receptícios, quando o efeito a 
ser produzido só se produz independentemente da ciência do destinatário. 
\u2022 Bilaterais: se perfazem pelo encontro de duas vontades. Ex. contrato. 
Podem ser simples, quando concedem vantagem a uma das partes e ônus à 
outra e sinalagmáticos, quando concedem vantagens e ônus para ambas as 
partes. 
\u2022 Solenes: a lei prescreve determinada forma, que deverá ser obedecida. 
Ex. casamento, testamento. 
\u2022 Não solenes: a forma é livre. Ex. compra e venda de bens móveis. 
 
ATOS CAUSADORES DE DANO QUE NÃO CONSIDERADOS ILÍCITOS: 
são aqueles descritos no art. 188, I e II, CC, ou seja, aqueles praticados em 
legítima defesa ou no exercício regular de um direito (desde que não haja 
abuso de direito, conforme no art, 187, CC) e os praticados em estado de 
 
necessidade. Neste último caso, diz a lei que o ato somente será legítimo se for 
absolutamente necessário diante das circunstâncias concretas e desde que não 
exceda os limites do indispensável para remoção do perigo. 
 
 
 
DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 
 
FUNDAMENTO E CONCEITO: A prescrição encontra seu fundamento na 
paz social, pois a ordem pois a ordem pública estaria comprometida se a ação 
tivesse prazo indeterminado para ser ajuizada. 
A doutrina destaca duas espécies de prescrição: 
a) extintiva: é a perda do direito de ação e de toda sua capacidade 
defensiva, em razão do decurso do tempo. Ressalta-se que na prescrição 
opera-se não só a perda do direito de ação, como também o direito de exceção, 
conforme dispõe o art. 190, CC. 
 
Art. 190. A exceção prescreve no mesmo prazo em que a 
pretensão. 
 
b) aquisitiva: é o usucapião, consistindo num modo de obtenção do direito de 
propriedade pela posse prolongada da coisa. 
Enquanto a prescrição aquisitiva é modo de adquirir apenas o direito de 
propriedade e alguns direitos reais, como o usufruto, uso, entre outros, a 
extintiva atinge quase todos os direitos, indistintamente, salvo aqueles que são 
imprescritíveis como os referentes aos direitos de personalidade, ao estado da 
família, os bens públicos, a ação de nulidade absoluta, as ações constitutivas 
que a lei não indique prazo entre outros. 
Decadência, por sua vez, é a perda do direito material, em razão do tempo, 
eliminando-se, por conseqüência, o direito da ação e demais pretensões. Na 
decadência o que se extingue é o próprio direito e não a ação que o protege. 
 
DISTINÇÕES ENTRE DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. 
 
O prazo prescricional pode ser impedido, suspenso e interrompido, nas 
hipóteses previstas nos artigos 197 a 202 do Código Civil. \u201cSalvo disposição 
legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas impedem, 
suspendem ou interrompem a prescrição\u201d. Ressalta-se que o artigo 208 do CC 
é a única exceção a tal regra, pois o prazo decadencial não corre contra 
incapaz. 
 
Art. 197. Não corre a prescrição: 
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade 
conjugal; 
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder 
familiar; 
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou 
curadores, durante a tutela ou curatela. 
 
Art. 198. Também não corre a prescrição: 
 
I - contra os incapazes de que trata o art. 3º; 
II - contra os ausentes do País em serviço público da 
União, dos Estados ou dos Municípios; 
III - contra os que se acharem servindo nas Forças 
Armadas, em tempo de guerra. 
 
Art. 199. Não corre igualmente a prescrição: 
I - pendendo condição suspensiva; 
II - não estando vencido o prazo; 
III - pendendo ação de evicção. 
 
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser 
apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes 
da respectiva sentença definitiva. 
 
Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos 
credores solidários, só aproveitam os outros se a 
obrigação for indivisível. 
 
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente 
poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: 
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que 
ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e 
na forma da lei 
processual; 
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; 
III - por protesto cambial; 
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de 
inventário ou em concurso de credores; 
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o 
devedor; 
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, 
que importe reconhecimento do direito pelo devedor. 
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a 
correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato 
do processo para a interromper. 
 
O prazo prescricional só pode emanar da lei. O prazo decadencial advém 
também da lei (decadência legal), mas se o direito for disponível, pode ainda 
resultar da vontade unilateral ou bilateral das partes (decadência convencional). 
Um testador, por exemplo, pode fixar um prazo decadencial. Destacando-se 
também o prazo prescricional não pode ser alterado por acordo das partes (art. 
192 do CC), o prazo decadencial, desde que o direito seja disponível, pode ser 
convencionado. 
 
Art. 192. Os prazos de prescrição não podem ser 
alterados por acordo das partes. 
 
A lei permite que o devedor renuncie à prescrição, ou seja, que abra mão de 
arguí-la, mas somente depois de consumada e desde que não prejudique 
 
terceiros (art. 191, CC). No tocante à decadência, nula é a sua renúncia quando 
se trata de decadência legal (art. 209 CC); se convencional, a renúncia é 
permitida, pouco importando se o prazo encontra-se em curso ou já consumado. 
 
Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou 
tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, 
depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia 
quando se presume de fatos do interessado, 
incompatíveis com a prescrição. 
 
Art. 209. É nula a renúncia à decadência fixada em lei. 
 
Finalmente, nos termos do art. 210, CC, a decadência, quando estabelecida 
em lei, deve ser conhecida de ofício pelo juiz. Quando à prescrição, também 
deve ser reconhecida de ofício pelo juiz, em razão da revogação do art. 194 
pela lei 11.280/06 que alterou o Código de Processo Civil. 
 
Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, 
quando estabelecida por lei. 
 
MOMENTO DE ARGUIÇÃO DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA: a 
prescrição e a decadência podem ser alegadas em qualquer grau de jurisdição 
(artigo 193 e 211 do CC). 
 
Art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau 
de jurisdição, pela parte a quem aproveita. 
 
Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a 
quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de 
jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. 
 
Contudo, o momento adequado para a arguição é a contestação. Se o réu 
negligenciou, argüindo-as posteriormente, arcará com todas as custas e 
despesas processuais, a partir do saneamento do processo, além de perder os 
honorários advocatícios, não obstante tenha sido vencedor da causa. 
A sentença que acolhe a prescrição ou decadência,