DIREITO_CIVIL
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DIREITO_CIVIL


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DA CAPACIDADE PLENA: São formas de aquisição da 
capacidade plena: 
 
a) Maioridade civil; aos 18 anos, art. 5º CC; 
 
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, 
quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos 
da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a 
incapacidade: 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do 
outro, mediante instrumento público, independentemente 
de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o 
tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; 
II - pelo casamento; 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela 
existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha 
economia própria. 
 
b) Levantamento de interdição: consiste no cancelamento dos efeitos da 
sentença, em razão da cessação das causas que a determinou. Ex. a pessoa foi 
interditada em razão de uma enfermidade mental. Após tratamento, ela recobra 
a sua lucidez e requer ao juiz o levantamento de sua interdição, pois ela quer 
por si mesma praticar os atos da vida civil. 
c) Integração do índio: o índio integrado à civilização brasileira é 
plenamente capaz. É possível, porém, que se emancipe, nas hipóteses dos 
artigos 9º, 10, e 11 do Estatuto do Índio (Lei n. 6.001/73). 
d) Emancipação: é o instituto jurídico que atribui capacidade plena aos 
menores de 18 anos. É a antecipação da capacidade civil. Tem como 
característica a irrevogabilidade, a perpetuidade e o fato de ser um ato puro e 
simples, ou seja, não sujeito à condição ou termo. 
 
No que diz respeito à forma, ela pode ser: 
 
\u2022 Voluntária: é concedido pelos pais, mediante escritura pública, devendo o 
menor ter 16 anos completos. 
\u2022 Legal: é a que opera automaticamente nas hipóteses de exercício de 
emprego público efetivo; colação de grau em curso superior; pelo 
estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, 
desde que em função deles o menor com 16 anos completos tenha economia 
própria e, finalmente, pelo casamento, única hipótese em que o menor pode ser 
emancipado antes dos 16 anos, com autorização judicial, mas apenas nas 
situações previstas no art. 1520 CC, é necessário saber: 
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o 
casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. 
1517), para evitar imposição ou cumprimento de pena 
criminal ou em caso de gravidez. 
a) No caso de gravidez; 
b) E para evitar imposição ou cumprimento de pena nos crimes 
sexuais. Esta última hipótese, no entanto, segundo a doutrina, foi revogada pela 
Lei 11.106/05, que alterou o Código Penal. 
\u2022 Judicial: é a concedida por sentença judicial, ouvindo-se o Ministério 
Público. Ocorre na hipótese de menor sob tutela e quando há divergência entre 
os pais. 
 
PESSOA JURÍDICA: São associações ou instituições formadas para 
realizações de um fim e reconhecidas pela ordem jurídica como sujeitos de 
direitos. Possuem personalidade jurídica distinta da de seus membros e exigem 
como requisitos para sua criação: vontade humana, finalidade lícita e 
observância dos requisitos legais. 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
 
QUANTO ÀS SUAS FUNÇÕES E CAPACIDADE: 
 
\u2022 Pessoas jurídicas de direito público, interno e externo. 
\u2022 Pessoas jurídicas de direito privado. 
 
QUANTO À NACIONALIDADE 
 
\u2022 Brasileiras: constituídas de acordo com as leis brasileiras, tendo ainda 
sede e administração no Brasil. 
\u2022 Estrangeiras: são constituídas sob a lei de outros países que desejam 
funcionar no Brasil, necessitando de autorização especial do governo e da 
nomeação de um representante para aqui se estabelecerem. 
 
QUANTO A QUANTIDADE DE MEMBROS: 
 
\u2022 Pessoas jurídicas singulares: constituídas por uma só pessoa. 
\u2022 Pessoas jurídicas coletivas: constituídas por mais de uma pessoa. 
 
QUANTO À SUA ESTRUTURA: 
 
 
\u2022 Corporação ou \u201cuniversitas personarum\u201d: união de duas ou mais pessoas 
para, através da instituição de uma pessoa jurídica, atingirem um fio comum. 
Ex. associações e sociedades. 
\u2022 Fundação ou \u201cuniversitas bonorum\u201d: consiste num patrimônio que se 
personaliza, isto é, transforma-se em pessoa jurídica. Não possui sócios, nem 
associados. 
 
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO: podem ser de direito 
público externo ou interno. 
Pessoas jurídicas de direito externo, são os Estados estrangeiros e todas as 
pessoas que forem regidas pelo direito internacional público, como é o caso da 
Santa Fé e da organização das nações unidas (art. 42 CC). 
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo 
os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem 
regidas pelo direito internacional público. 
Pessoas jurídicas de direito interno, são a União, os Estados, os Municípios, 
o Distrito Federal, os Territórios, as autarquias e demais entidades de caráter 
público criados por lei (art. 41, CC).São sempre criadas e consequentemente, 
extintas por lei. 
 
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: 
I - a União; 
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; 
III - os Municípios; 
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; 
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. 
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as 
pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado 
estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, 
quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste 
Código. 
 
No que concerne à responsabilidade civil, as pessoas jurídicas de direito 
público interno respondem pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, 
causarem a terceiros, ressalvado o direito de regresso. 
 
PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO: São as associações, as 
sociedades, as fundações, os partidos políticos e as organizações religiosas. 
Adquirem personalidade jurídica com a inscrição do ato constitutivo no 
respectivo registro, ou seja, no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas 
ou na Junta Comercial, quando se tratar de sociedade empresária (art. 45, CC). 
 
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas 
de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no 
respectivo registro, precedida, quando necessário, de 
autorização ou aprovação do Poder Executivo, 
 
averbando-se no registro todas as alterações por que 
passar o ato constitutivo. 
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a 
constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por 
defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação 
de sua inscrição no registro. 
 
Sem o registro, a sociedade será considerada como de fato, não se 
constituindo em pessoa jurídica. 
Algumas entidades, porém, dependem de autorização governamental para 
funcionarem. Sem esta autorização prévia não será permitido. São elas: as 
instituições financeiras (bancos), as seguradoras, as administradoras de 
consórcio de bens duráveis, operadoras de planos privados de assistência à 
saúde, entre outras. 
 
FUNDAÇÃO: é um patrimônio ao qual a lei atribui personalidade jurídica, em 
atenção ao fim a que se destina. Exige dois elementos: 
\u2022 Patrimônio: o ato de instituição deve conter a dotação de bens alodiais, 
ou seja, os bens livres e desembaraçados do fundador, sem ofensa à legitima 
dos herdeiros necessários e credores. 
\u2022 Fim específico, só podendo ser constituída para fins religiosos, morais, 
culturais ou de assistência. 
 
A instituição da fundação é ato solene, pois depende de escritura pública ou 
testamento. Com a instituição, a próxima etapa é a elaboração do estatuto e, 
quanto a esse aspecto, a fundação pode ser. 
\u2022 Direta: quando o estatuto é elaborado pelo próprio fundador; 
\u2022 Indireta ou fiduciária: Quando o estatuto é elaborado por uma terceira 
pessoa a quem o fundador atribui esse encargo. 
 
Após a elaboração, o estatuto será levado à aprovação do Ministério Público 
que, nos termos do art. 66, CC, é quem tem atribuição