DIREITO_CIVIL
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se divididos sem prejuízo da sua 
substância. 
\u2022 Indivisíveis: são aqueles que não podem ser divididos sob pena de 
perderem a sua real função ou diminuírem consideravelmente o seu valor ou 
causarem prejuízo ao uso a que se destinam. A indivisibilidade decorre da lei, 
da natureza do objeto ou do acordo da vontade entre as partes. 
\u2022 Singulares: são aqueles que embora reunidos, são considerados de 
forma individual. Ex. um livro em uma biblioteca. 
\u2022 Coletivo: são aqueles constituídos de várias coisas singulares, porém 
consideradas em conjunto, formando um bem único. Podem ser de fato (art. 90, 
CC) ou de direito (art. 91, CC \u2013 ex. herança). 
 
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de 
bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, 
tenham destinação unitária. 
Parágrafo único. Os bens que formam essa 
universalidade podem ser objeto de relações jurídicas 
próprias. 
 
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de 
relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor 
econômico. 
 
\u2022 No comércio (alienável): são bens negociáveis, podendo ser transferidos, 
vendidos, trocados ou doados. 
\u2022 Fora do comércio (inalienáveis): são insuscetíveis de apropriação. Ex. luz 
solar. São também aqueles que se tornam inalienáveis, por destinação ou por 
lei. 
\u2022 Imóveis: são os bens que podem ser transportados sem alteração da sua 
forma. Podem ser: 
 
a) Por natureza: o solo (art. 79, CC). 
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe 
incorporar natural ou artificialmente. 
 
b) Por acessão física natural: tudo aquilo que o homem incorporar 
naturalmente ao solo. 
c) Por acessão física artificial: tudo aquilo que o homem incorporar 
permanentemente ao solo. Ex. construção e sementes lançadas ao solo. 
d) Por determinação legal: previstos no art. 80, CC como o direito à 
sucessão aberta. 
 
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: 
 
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os 
asseguram; 
II - o direito à sucessão aberta 
 
É importante observar, ainda,a regra do art. 81, CC, segundo a qual não 
perdem o caráter de imóveis as edificações que, separadas do solo, mas 
conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais 
provisoriamente separados do solo, mas conservando a sua unidade, forem 
removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um 
prédio, para nele reempregarem. 
 
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: 
I - as edificações que, separadas do solo, mas 
conservando a sua unidade, forem removidas para outro 
local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, 
para nele se reempregarem. 
 
\u2022 Moveis: são os bens suscetíveis de movimentos próprios ou de remoção 
por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-
social. Portanto, podem ser divididos em: móveis propriamente ditos(aqueles 
que podem ser transportados mediante emprego de força alheia). E semoventes 
(aqueles que se movem por força própria, como os animais), sem que os 
primeiros se subdividem em: 
a) Pela sua natureza: ex. mesa. 
b) Por antecipação: Ex. árvore para plantação de papel. 
c) Por determinação legal: nas hipóteses previstas no art. 83, CC, como as 
energias que tenham valor econômico, o penhor, etc. 
 
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais: 
I - as energias que tenham valor econômico; 
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes; 
III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e 
respectivas ações. 
 
 A distinção entre bens imóveis e móveis é de extrema importância, já que 
os primeiros somente são adquiridos por atos entre vivos, após o registro no 
Cartório de Registro de Imóveis dos respectivos títulos, conforme art. 1.227, CC 
e necessitam da anuência conjugal para serem alienados, salvo no regime da 
separação absoluta de bens (art. 1.647, I, CC). Os bens móveis por sua vez, 
são adquiridos mediante simples tradição (art. 1.226, CC) e não necessitam da 
concordância conjugal para serem alienados. 
 
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou 
transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o 
registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos 
títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos 
neste Código 
 
 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum 
dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no 
regime da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando 
constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se 
adquirem com a tradição. 
 
BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS: analisados uns em relação 
aos outros. São eles: 
\u2022 Principal: o bem existe sobre si, abstrata ou concretamente (art. 92, CC). 
Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou 
concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a 
do principal. 
\u2022 Acessório: a sua existência pressupõe a de um bem principal (art. 92, 2ª. 
parte do CC). 
São bens considerados acessórios: 
a) Benfeitorias: são as obras levadas a efeito pelo homem, com o propósito 
de conservar, melhorar ou simplesmente embelezar uma coisa (art. 96, CC). 
Classificam-se em: necessárias, quando visam a conservação do bem; úteis, 
quando se referem a melhoramentos no bem, aumentando ou facilitando a sua 
utilização e voluptuárias, quando visam o embelezamento do bem. 
 
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou 
necessárias. 
§ 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que 
não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem 
mais agradável ou sejam de elevado valor. 
§ 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do 
bem. 
§ 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem 
ou evitar que se deteriore. 
 
b) Frutos: são as utilidades que as coisas periodicamente produz, sem que 
haja diminuição da mesma após o consumo. Classificam-se em: naturais, 
quando decorrem da própria natureza (ex. juros, alugueres). 
c) Produtos: são as utilidades que se retiram da coisa diminuindo-lhe a 
quantidade ou o valor, pois não se reproduzem periodicamente (ex. o carvão 
extraído da mina). 
d) Pertença: conforme o art. 93 CC são os bens que destinam-se, de modo 
duradouro, ao uso, serviço, ou aformoseamento de outro. Ex. o toca CD em 
relação ao automóvel. É importante frisar que as pertenças não seguem a sorte 
do bem principal. Sendo assim, os negócios jurídicos referentes ao bem 
principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da 
manifestação de vontade ou das circunstâncias do caso (art. 94, CC). 
 
 
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo 
partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao 
uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 
 
e) Acessões: é a junção de uma coisa a outra por força externa. A acessão 
pode ser: 
\u2022 Por força da natureza: aluvião, avulsão, álveo abandonado e abandono 
de ilhas; 
\u2022 Industrial ou artificial: a construção de certa obra; 
\u2022 Mista: plantações. 
 
BENS CONSIDERADOS E RELAÇÃO AO TITULAR DO DOMÍNIO: Nos 
termos do art. 98, CC, os bens são: 
\u2022 Particulares: são os pertencentes às pessoas naturais ou físicas e às 
pessoas jurídicas de direito privado. 
\u2022 Públicos: são os de domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas 
de direito público interno (União, Estados e Municípios). 
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público 
interno; todos os outros são particulares, seja qual for a 
pessoa a que pertencerem. 
Os bens públicos são divididos em: 
a) Bens de uso comum do povo: são os que, em razão de sua própria 
natureza ou da lei, podem ser utilizados por todos, de forma gratuita ou 
onerosa, sem qualquer restrição (art. 99, I, CC). Ex. rios, mares, praças e ruas. 
b) Bens de uso especial: São utilizados pelo próprio poder público (art. 99, 
II, CC). Ex. prédios onde funcionam escolas