direito_penal I Visão Geral
83 pág.

direito_penal I Visão Geral


DisciplinaDireito Penal I66.248 materiais1.059.312 seguidores
Pré-visualização23 páginas
nos meios jurídicos pelo nome de 
sursis, que significa suspensão, permitindo que o condenado não se sujeite à execução de pena 
privativa de liberdade de pequena duração. 
Segundo as disposições do Código Penal, nos arts. 77 a 82, o juiz, ao condenar o réu, 
pode suspender a execução da pena privativa de liberdade, de dois a quatro anos. Essa pena 
privativa de liberdade não pode ser superior a dois anos. 
O réu é notificado pessoalmente a comparecer à audiência de advertência, também 
chamada de admonitória, onde o juiz lera a sentença, advertindo-o das conseqüências da 
nova infração penal e da transgressão das obrigações impostas. 
O réu, então, não inicia o cumprimento de pena, ficando em liberdade condicional por 
um período chamado de prova, durante o qual ficará em observação. 
 
7.1 - Formas 
O sursis apresenta quatro formas: 
 
a) suspensão simples, prevista no art. 78, § 1°, do Código Penal, em que o condenado, 
no primeiro ano do período de prova, deverá prestar serviços à comunidade, ou 
submeter-se-á a limitação de fim de semana; 
 
 
54 
 
b) suspensão especial, prevista no art. 78, § 2°, do Código Penal, em que o condenado, 
se houver reparado o dano, e as circunstâncias judiciais do art. 59 lhe forem favoráveis, 
substituídas a prestação de serviços à comunidade e a limitação de fim de semana por 
outras circunstâncias enumeradas por lei. 
 
c) suspensão etária, ou sursis etário, prevista no art. 77, § 2°, do Código Penal, em que 
o condenado é maior de 70 (setenta) anos à data da sentença concessiva. O sursis, nesse 
caso, pode ser concedido desde que a pena privativa de liberdade não seja superior a 4 
(quatro) anos, sendo o período de prova de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. 
 
d) suspensão humanitária, ou "sursis" humanitário, prevista no art. 77, § 2°, in fine, 
do Código Penal, em que as razões de saúde do condenado justificam a suspensão. O 
"sursis", também nesse caso, pode ser concedido desde que a pena privativa de liberdade 
não seja superior a 4 (quatro) anos, sendo o período de prova de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. 
 
 
 
7.2 - Requisitos 
Existem dois tipos de requisitos do "sursis ": 
 
a) requisitos de natureza objetiva, que dizem respeito à qualidade e quantidade da 
pena. Quanto à qualidade da pena, somente a pena privativa de liberdade admite a suspensão. 
Quanto à quantidade da pena, esta não pode ser superior a dois anos, ainda que resulte do 
concurso de crimes. 
 
b) requisitos de natureza subjetiva, que dizem respeito aos antecedentes judiciais do 
condenado e às circunstâncias judiciais do fato. Com relação aos antecedentes judiciais do 
condenado, é necessário que não seja reincidente em crime doloso. 
Com relação às circunstâncias judiciais, é necessário que a culpabilidade, os antecedentes, a 
conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e circunstâncias do crime 
autorizem a concessão do "sursis ". 
 
Outrossim, para que se conceda o "sursis " ao condenado, não pode ser cabível a substituição 
da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. 
 
 
55 
 
7.3 - Período de prova 
 Período de prova é o nome que se dá ao lapso de tempo fixado pelo juiz durante o 
qual fica suspensa a execução da pena. Esse período de prova é de dois a quatro anos. 
 
 Se o condenado for maior de 70 (setenta) anos de idade, ou razões de saúde 
justificarem a suspensão, o período de prova poderá variar de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. Nesse 
caso, a pena suspensa não poderá ser superior a 4 (quatro) anos. São os chamados "sursis" 
etário e humanitário.. 
 
 Tratando-se de contravenção penal, o período de prova será de um a três anos, de 
acordo com o art. 11 da Lei das Contravenções Penais. 
 
7.4 - Condições 
 Durante o período de prova, o condenado deverá cumprir determinadas 
condições. Se não as obedecer, terá o "sursis" revogado e deverá cumprir a pena privativa de 
liberdade a que foi condenado. 
 
Essas condições podem ser de duas espécies: 
 
condições legais, impostas pela lei, conforme previsão do art. 78, § 1°, do Código Penal; 
condições judiciais, impostas pelo juiz na sentença, de acordo com o disposto no art. 79 do 
Código Penal. 
 
Essas condições serão diversas conforme a espécie de "sursis ": 
 
a) Se o "sursis " for simples, deverá o condenado, no primeiro ano do período de prova, prestar 
serviços à comunidade ou submeter-se a limitação de fim de semana. 
 
b) Se o "sursis" for especial, a prestação de serviços à comunidade e a limitação de fim de 
semana serão substituídas por: 
 
56 
 
proibição de freqüentar determinados lugares; 
proibição de ausentar-se o condenado da comarca onde reside, sem autorização judicial; 
comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar 
suas atividades. 
7.5 - Revogação do "sursis" 
Se o condenado, durante o período de prova, não cumpre as condições estabelecidas, o 
"sursis " é revogado, tendo ele que cumprir integralmente a pena que lhe foi imposta. As 
causas de revogação são também chamadas de condições legais indiretas 
 
Existem duas espécies de causas de revogação: 
 
causas de revogação obrigatória, previstas no art. 81,1 a III, do Código Penal; 
causas de revogação facultativa, previstas no art. 81, § 1°, do Código Penal. 
 
7.6 - Cassação do "sursis" 
Existem duas hipóteses legais em que pode ocorrer a chamada cassação do "sursis". 
 
A primeira delas vem prevista no art. 161 da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/84), 
ocorrendo quando o réu, intimado pessoalmente ou por edital com prazo de 20 (vinte) dias, 
não comparecer à audiência admonitória. Nesse caso, a suspensão ficará sem efeito e será 
executada imediatamente a pena. 
 
A segunda hipótese de cassação do "sursis " vem prevista no art. 706 do Código de Processo 
Penal, ocorrendo quando, em virtude de recurso, for aumentada a pena, de modo que exclua a 
concessão do benefício. 
 
7.7 - Restabelecimento do "sursis " 
 
57 
 
O restabelecimento do "sursis " não é previsto por lei, quando tornado sem efeito pelo não 
comparecimento do réu à audiência admonitória. Entretanto, uma vez que a lei prevê 
expressamente a possibilidade do condenado justificar sua ausência, e no intuito de evitar que 
o mesmo não receba o benefício a que faz jus, tem a jurisprudência entendido que o juiz 
poderá, nessa hipótese, restabelecer o "sursis ". 
 
7.8 - Prorrogação do "sursis" 
Ocorre a prorrogação do "sursis " quando o condenado pratica outra infração penal durante o 
período de prova. 
A prorrogação se dá em conseqüência da prática de nova infração penal, pois que, somente a 
condenação com trânsito em julgado é causa de revogação. 
Assim, se o condenado pratica infração penal durante o período de prova, o prazo da 
suspensão fica prorrogado até o julgamento definitivo. 
A prorrogação se dá em face de novo processo, e não em face da mera prática, em tese, de 
infração penal ou pela instauração de inquérito policial. 
 
8. LIVRAMENTO CONDICIONAL 
 
Durante o cumprimento de sua pena, o condenado poderá fazer jus a uma série de benefícios 
legais, podendo-se destacar, dentre eles, o livramento condicional. Como medida de política 
criminal, o livramento condicional permite que o condenado abrevie sua reinserção no 
convívio social, cumprindo parte de sua pena em liberdade, desde que presentes os requisitos 
de ordem subjetiva e objetiva, mediante o cumprimento de determinadas condições. 
O livramento condicional assume, portanto, papel de grande importância na ressocialização 
do condenado, fazendo com que tenha esperança de um retorno mais
Daniel
Daniel fez um comentário
material excelente, mas gostaria de saber se alguém tem ele disponibilizado para o download
0 aprovações
Francisco
Francisco fez um comentário
Gostei
0 aprovações
Francisco
Francisco fez um comentário
Quero participipar
0 aprovações
carlindo
carlindo fez um comentário
NAO ESTOU CONSEQUINDO ESTUDA POR QUE LEIO O ASSUNTO MAS NAO ENTENDO NADA.
0 aprovações
EDMILSON
EDMILSON fez um comentário
Só alegria! Muito bom!
2 aprovações
Carregar mais