direito_penal I Visão Geral
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Infrações Penais 
 
2.1 - Classificação tripartida e bipartida 
 
Conforme orientação do Professor Cezar Roberto Bitencourt, apesar das várias 
classificações existentes de crimes, analisaremos, sucintamente, aquelas que apresentam 
maior interesse prático. 
 
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Alguns países, como Alemanha, França e Rússia, utilizam uma divisão tripartida na 
classificação das infrações penais, dividindo-as em crimes, delitos e contravenções, segundo 
a gravidade que apresentem. A divisão mais utilizada, porém, pelas legislações penais, 
inclusive pela nossa, é a bipartida ou dicotômica, segundo a qual as condutas puníveis 
dividem-se em crimes ou delitos (como sinônimos) e contravenções, que seriam espécies do 
gênero infração penal. 
Ontologicamente não há diferença entre crime e contravenção. As contravenções, que por 
vezes são chamadas de crimes-anões, são condutas que apresentam menor gravidade em 
relação aos crimes, por isso sofrem sanções mais brandas. O fundamento da distinção é 
puramente polttico-critninal e o critério é simplesmente quantitativo ou extrínseco, com base 
na sanção assumindo caráter formal. 
Com efeito, nosso ordenamento jurídico aplica a pena de prisão, para os crimes, sob as 
modalidades de reclusão e detenção, e, para as contravenções, quando for o caso, a de prisão 
simples (Decreto-lei n. 3.914/41). Assim, o critério distintivo entre crime e contravenção é dado 
pela natureza da pena privativa de liberdade cominada. 
 
2.2 - Crimes doloso, culposo e preterdoloso 
 
Essa classificação refere-se à natureza do elemento volitivo caracterizador da infração 
penal. 
Diz-se o crime doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; 
culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou 
imperícia (art. 18 do CP). Preterdoloso ou preterintencional é o crime cujo resultado total é 
mais grave do que o pretendido pelo agente. Há uma conjugação de dolo (no antecedente) e 
culpa (no subseqüente): o agente quer um minus e produz um majus. 
 
2.3 - Crimes comissivo, omissivo e comissivo-omissivo 
 
O crime comissivo consiste na realização de uma ação positiva visando um resultado 
tipicamente ilícito, ou seja, no fazer o que a lei proíbe. A maioria dos crimes previstos no 
Código Penal e na legislação extravagante é constituída pelos delitos de ação, isto é, pelos 
delitos comissivos. 
Já o crime omissivo próprio consiste no fato de o agente deixar de realizar determinada 
conduta, tendo a obrigaçãojurídica de fazê-lo; configura-se com a simples abstenção da 
conduta devida, quando podia e devia realizá-la, independentemente do resultado. 
A inatividade constitui, em si mesma, crime (omissão de socorro). No crime omissivo 
impróprio ou comissivo por omissão, a omissão é o meio através do qual o agente produz um 
resultado. Nestes crimes, o agente responde não pela omissão simplesmente, mas pelo resulta-
do decorrente desta, a que estava, juridicamente, obrigado a impedir (art. 13, § 22, do CP). 
 
 
 
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2.4 - Crimes instantâneo e permanente 
 
Crime instantâneo é o que se esgota com a ocorrência do resultado. Segundo Damásio, é 
o que se completa num determinado instante, sem continuidade temporal (lesão corporal). 
Instantâneo não significa praticado rapidamente, mas significa que uma vez realizados os seus 
elementos nada mais se poderá fazer para impedir sua ocorrência. Ademais, o fato de o agente 
continuar beneficiando-se com o resultado, como no furto, não altera a sua qualidade de 
instantâneo. Permanente é aquele crime cuja consumação se alonga no tempo, dependente 
da atividade do agente, que poderá cessar quando este quiser (cárcere privado, seqüestro). 
Crime permanente não pode ser confundido com crime instantâneo de efeitos permanentes 
(homicídio, furto), cuja permanência não depende da continuidade da ação do agente. 
 
2.5 - Crimes de dano e de perigo 
 
Crime de dano é aquele para cuja consumação é necessária a superveniência da lesão 
efetiva do bem jurídico. A ausência desta pode caracterizar a tentativa ou um indiferente 
penal, como ocorre com os crimes materiais (homicídio, furto, lesão corporal). Crime de 
perigo é aquele que se consuma com a simples criação do perigo para o bem jurídico 
protegido, sem produzir um dano efetivo. Nesses crimes, o elemento subjetivo é o dolo de 
perigo, cuja vontade limita-se à criação da situação de perigo, não querendo o dano, nem 
mesmo eventualmente. 
O perigo, nesses crimes, pode ser concreto ou abstrato. Concreto é aquele que precisa 
ser comprovado, isto é, deve ser demonstrada a situação de risco corrida pelo bem 
juridicamente protegido. O perigo só é reconhecível por uma valoração subjetiva da 
probabilidade de superveniência de um dano. O perigo abstrato é presumido juris et de jure. 
Não precisa ser provado, pois a lei contenta-se com a simples prática da ação que pressupõe 
perigosa. 
 
2.6 - Crimes material, formal e de mera conduta 
 
 O crime material ou de resultado descreve a conduta cujo resultado integra o próprio 
tipo penal, isto é, para a sua consumação é indispensável a produção de um dano efetivo. 
O fato se compõe da conduta humana e da modificação do mundo exterior por ela operada. 
 
 A não-ocorrência do resultado caracteriza a tentativa. Nos crimes materiais a ação e o 
resultado são cronologicamente distintos (homicídio, furto). 
O crime formal também descreve um resultado, que, contudo, não precisa verificar-se 
para ocorrer a consumação. Basta a ação do agente e a vontade de concretizá-lo, 
configuradoras do dano potencial, isto é, do eventus periculi (ameaça, a injúria verbal). Afirma-
se que no crime formal o legislador antecipa a consumação, satisfazendo-se com a simples 
ação do agente, ou, como dizia Hungria, "a consumação antecede ou alheia-se ao eventus 
damni". 
 
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 Seguindo a orientação de Grispigni, Damásio distingue do crime formal o crime de mera 
conduta, no qual o legislador descreve somente o comportamento do agente, sem se 
preocupar com o resultado (desobediência, invasão de domicílio). 
Os crimes formais distinguem-se dos de mera conduta \u2014 afirma Damásio \u2014 porque "estes 
são sem resultado; aqueles possuem resultado, mas o legislador antecipa a consumação à sua 
produção". A lei penal se satisfaz com a simples atividade do agente. Na verdade, temos 
dificuldade de constatar com precisão a diferença entre crime formal e de mera conduta. 
 
2.7 - Crimes unissubjetivo e plurissubjetivo 
 
Crime unissubjetivo é aquele que pode ser praticado pelo agente individualmente \u2014 que 
também admite o concurso eventual de pessoas \u2014, constituindo a regra geral das condutas 
delituosas previstas no ordenamento jurídico-penal. 
Crime plurissubjetivo, por sua vez, é o crime de concurso necessário, isto é, aquele que 
por sua estrutura típica exige o concurso de, no mínimo, duas pessoas. A conduta dos 
participantes pode ser paralela (quadrilha), convergente (adultério e bigamia), ou divergente 
(rixa). 
 
2.8 - Crimes unissubsistente e plurissubsistente 
 
O crime unissubsistente constitui-se de ato único. O processo executivo unitário, que não 
admite fracionamento, coincide temporalmente com a consumação, sendo impossível, 
conseqüentemente, a tentativa (injúria verbal). 
Os delitos formais e de mera conduta, de regra, são unissubsistentes. Contrariamente, no 
crime plurissubsistente sua execução pode desdobrar-se em vários atos sucessivos, de tal 
sorte que a ação e o resultado típico separam-se espacialmente, como é o caso dos crimes 
materiais, que, em geral, são plurissubsistentes. 
 
2.9 - Crimes comum, próprio e de mão própria 
 
 Crime comum é o que pode ser praticado por qualquer pessoa (lesão corporal, 
estelionato, furto). 
 
 Crime próprio
Daniel
Daniel fez um comentário
material excelente, mas gostaria de saber se alguém tem ele disponibilizado para o download
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Francisco
Francisco fez um comentário
Gostei
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Francisco
Francisco fez um comentário
Quero participipar
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carlindo
carlindo fez um comentário
NAO ESTOU CONSEQUINDO ESTUDA POR QUE LEIO O ASSUNTO MAS NAO ENTENDO NADA.
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EDMILSON
EDMILSON fez um comentário
Só alegria! Muito bom!
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