Apostila UNIJUÍ - Administração da informação
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Apostila UNIJUÍ - Administração da informação


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à questão da diferenciação no mercado por meio do uso de sistemas de infor-
mação. Vamos debater isso, certo?
Em primeiro lugar, podemos nos diferenciar estando sempre atualizados nos recursos
de Tecnologia de Informação e de sistemas de informação. Isso garante estarmos ao menos
em pé de igualdade com as empresas mais dinâmicas do mercado. Outros competidores, no
entanto, facilmente podem nos acompanhar, se bem que não todos, portanto assim já nos
diferenciamos.
Em segundo lugar podemos nos diferenciar pela agilização do processo decisório que
podemos desenvolver em nossas empresas mediante o uso mais intenso e inteligente das
informações geradas pelo respectivo sistema. Isso já depende da capacitação dos seres hu-
manos de empregar os sistemas de informação para os negócios da empresa. Nesse aspecto
já é menor o número de empresas que fará o mesmo, pois é bem mais fácil adquirir novos
equipamentos e novos softwares do que desenvolver capacidade de uso desses recursos para
as tomadas de decisão.
Em terceiro lugar, podemos nos diferenciar pela utilização estratégica das informa-
ções geradas pelos sistemas de informação. Aí já estamos entrando no desenvolvimento de
conhecimento sobre a organização, sobre o negócio ou negócios em que a empresa atua,
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ADMINISTRAÇÃO DA INFORMAÇÃO
sobre o seu mercado, sobre os clientes e os concorrentes e sobre outros temas importan-
tes do contexto interno e externo da organização. Assim realmente avançamos para um
patamar em que poucas empresas poderão atingir o mesmo nível em que nós estamos. Ou
seja, quem consegue alcançar esse patamar de utilização dos sistemas de informação se
diferencia em relação a muitos competidores e se iguala com poucos.
É certo que nesse nível, e atente bem para o que vem a seguir, já não é mais suficiente
contarmos apenas com o nosso sistema de informação. As pessoas na empresa deverão ser in-
centivadas a buscar conhecimento realizando cursos em universidades, de Graduação a Pós-
Graduações, participação em eventos, palestras e estudos. A própria empresa se transformará,
para alcançar esse patamar, em uma instância de estudo e desenvolvimento de conhecimento.
Há ainda o quarto lugar, para onde podemos ir e para onde só poderão ir junto conosco
as empresas mais bem administradas do mundo. Como se caracteriza esse nível? O que você
acha que vem agora? Tente pensar um pouco. Pelo que já estudou, tem condições, não de
adivinhar, mas de propor algo nessa direção.
O quarto lugar é a geração de conhecimento sofisticado, ou seja, geração de teoria.
Por exemplo, podemos realizar pesquisas e estudos utilizando as séries históricas de nossos
sistemas de informação, para investigar o comportamento de nossos clientes. Podemos estu-
dar profundamente as estratégias de negócios de nossos principais concorrentes, e assim
por diante. Há muitos estudos que poderemos aprofundar utilizando nosso sistema de infor-
mação, além de outras fontes de conhecimento.
Nesse viés, observe o seguinte: se para desenvolver conhecimento não basta apenas
nos limitarmos à utilização do sistema de informação, aqui, para desenvolver teoria de-
veremos ampliar mais ainda a participação de outras instituições. Nesse caso necessita-
remos de cientistas em nosso meio, deveremos estabelecer parcerias com universidades
e instituições de pesquisas, com consultorias, etc. Uma empresa jamais poderá contar com
profissionais em todas as áreas do conhecimento em que deseja se tornar poderosa e se
diferenciar no mercado. Assim sendo, essas parcerias são imprescindíveis.
Na prática como isso pode funcionar? A empresa, firmando convênios com institui-
ções de ensino superior, pode abrir suas portas para que acadêmicos realizem nela seus
trabalhos de conclusão de curso. Ela pode desenvolver linhas de pesquisa de seu interesse,
que podem ir somando conhecimento na medida em que esses trabalhos forem
realizados. Não pára aí, porém: mestrandos e doutorandos também podem
participar. Eles bem que irão aderir, pois, como temos um bom sistema de in-
formação, a matéria-prima que esses estudiosos e pesquisadores precisam para
realizar seus trabalhos já está disponível, ou é facilmente obtida. E a empresa
pode financiar parcialmente ou totalmente esses estudos. Nesse caso, geral-
mente a empresa irá impor algum tipo de restrição quanto à publicação do
estudo, por algum tempo. Nas palavras de Rezende e Abreu (2002):
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A idéia central é administrar as informações transformando-as em conhecimento explícito e
compartilhado, que possa ser utilizado por todas as pessoas da empresa, como suporte à obten-
ção da vantagem competitiva inteligente. Nesse sentido a TI pode contribuir significativamente
e também pode ser usada como ferramenta para impulsionar o desenvolvimento das pessoas e
das empresas.
E doutores podem nela realizar seus estudos. Contam com a mesma facilidade dos
anteriores, pois as informações já existem. E se um estudo requer pesquisa para obtenção de
dados e informações primárias, a empresa, tendo interesse nesse estudo, pode viabilizar e
facilitar sua obtenção. É uma simbiose entre quem se dedica à pesquisa e quem se qualifica
para utilizar conhecimento novo para se capacitar a competir no mercado.
Bem, dessa forma poderemos nos diferenciar mais que apenas nos valendo de sistemas
de informação como nos casos anteriores, não é mesmo? E seremos capazes de nos diferen-
ciar tanto a ponto de ficarmos sozinhos nessa corrida de maratona mercantil? Pode ser, por
algum tempo, mas é evidente que logo alguém já nos alcançará, mas também é certo que as
empresas competidoras a nos alcançarem serão poucas.
A lógica aqui é a seguinte: quanto mais sofisticada a diferenciação, menos compe-
tidores se disporão a nos acompanhar. Então o número de competidores com os quais tere-
mos de lidar será menor. Imagine uma maratona. É uma boa analogia para se entender essa
questão vital. Adaptando um pouco, podemos entender melhor a questão da diferenciação
das empresas no mercado pela geração de conhecimento. Nas maratonas há o grupo dos
últimos. É a maioria. No mercado estão aí as empresas que, quando muito, copiam das
outras tempos depois. Nesse grupo a competição é acirrada. Na frente desse grupo estão os
que correm melhor, mas distantes da vitória. Aí a competição é menos acirrada, pois há
menor número de competidores. Então temos o pelotão da frente. Aí a competição é menos
acirrada ainda, pois são poucos, ele eles estão bem preparados. E bem na frente está um
pequeno grupo, do qual um será o campeão, o outro será o que chegar em segundo lugar, e
depois o que chegará em terceiro lugar. São só três, e eles subirão ao pódio. Eles não enfren-
tam aqueles que estão no pelotão dos últimos, nem os intermediários. Eles só competem
entre si, e talvez com mais alguns que os seguem de perto. Eles são realmente muito capa-
citados para chegarem na frente. Talvez a nossa empresa, agindo pelo caminho do desenvol-
vimento de conhecimento sofisticado, não consiga chegar em primeiro lugar, mas estará no
pelotão da frente, disputando esse lugar. Ela não se preocupará com a maciça maioria que
está lá atrás. Estes, além de enfrentarem a severa competição entre si, e eles são muitos,
encaram também a competição com todos os demais que estão a sua frente. Ou seja, eles
têm de competir com todos os concorrentes, enquanto que os primeiros só se preocupam
com os outros primeiros.
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ADMINISTRAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Deu para entender por quais caminhos passa a questão da diferenciação via utiliza-
ção dos sistemas de informação, e por conseguinte, da Tecnologia da Informação? É uma
olimpíada fenomenal, não é mesmo? Ainda voltaremos a esse tema mais adiante.
Entendeu o que é diferenciação? Pois é o desenvolvimento de condi-
ções tais que os nossos clientes nos vejam como únicos, ou, pelo menos,
entre os poucos que são especiais. Aqui, porém, vai um alerta: a situação dos
competidores que estão lá trás