Apostila UNIJUÍ - Administração da informação
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são, principalmente em situações difíceis e ambíguas.
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d) Fator de produção: a informação é importante para que se possa lançar produtos ou
serviços novos no mercado e que apresentam maior valor adicionado. Quanto maior o
valor adicionado do produto, maior também será a necessidade de informação em todas
as etapas, que vão da concepção até o seu lançamento no mercado. As empresas que
possuem maior valor adicionado são também aquelas que estão mais bem equipadas com
recursos de sistemas de informação. São também as empresas que revelam maior vanta-
gem competitiva no mercado em que atuam. Ou seja, outros fatores, como terra, mão-de-
obra ou recursos financeiros passam, a não ser mais os recursos que garantem a sua
vantagem competitiva, e sim, em primeiro lugar, as informações. E essa tendência cresce
cada vez mais.
e) Fator de sinergia: esse é um argumento adicional sutil, pouco perceptível por parte de
muitos executivos. A verdade, contudo, é que empresas bem posicionadas em sistemas
de informação, e competentes para tirar proveito deles, possuem também um alto de-
sempenho global. Ou, na ótica inversa, em empresas que tenham bom desempenho em
suas unidades foi percebido que no todo não têm tido um desempenho satisfatório. É o
efeito do tamanho da empresa, que requer melhor proveito no uso das informações, para
que obtenham maior produtividade em seus setores, departamentos e nas unidades, e
também na comercialização de seus produtos. A empresa precisa criar o efeito sinergia,
ou seja, um efeito multiplicador em tudo o que faz, valendo-se das informações também
de modo produtivo e criativo. O desempenho global de uma empresa é grandemente defi-
nido pelo seu elo mais frágil, ou seja, pelos gargalos de produção. Enquanto isso, também
o desempenho é fortemente afetado pela qualidade das relações que são estabelecidas
entre as unidades que constituem a empresa. Assim, as informações em empresas grandes
devem ser utilizadas para que nelas se possa obter uma harmonia nos negócios, que so-
bem numa direção única.
f) Fator determinante de comportamento: segundo os autores consultados, este é o argu-
mento mais mal compreendido e pouco explorado. Ora, se é importante a utilização das
informações para obter um bom relacionamento entre as unidades, o mesmo é de se espe-
rar com relação às pessoas. Os executivos, espera-se isso deles, devem valer-se dos siste-
mas de informação para orientar o sistema social da empresa numa direção construtiva.
O comportamento dos indivíduos deve ser condizente com os objetivos da empresa. E
observam Lesca e Almeida (1994, p. 4) \u201cexternamente à empresa a informação tem por
interesse influenciar o comportamento dos \u201catores\u201d externos de modo favorável aos seus
objetivos: clientes atuais ou potenciais, fornecedores, governo, grupos de influência, etc.\u201d
Por esta razão a informação torna-se um vetor estratégico da maior importância, acres-
centam eles.
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ADMINISTRAÇÃO DA INFORMAÇÃO
De um modo geral, as empresas não estão empregando devidamente todo o potencial
de seus sistemas de informação. O potencial estratégico de um sistema de informação é
sempre maior do que efetivamente é o resultado que todas as empresas têm obtido, mas,
em muitas empresas, o que fazem com esses sistemas é muito pouco. Sabe-se que é bem
difícil extrair o máximo das informações, isso, aliás, é impossível. Para todas as empresas, no
entanto, é possível melhorar o uso das informações, e para a maioria, é possível melhorar
muito o uso delas.
Lesca e Almeida (1994, p. 6) asseguram que se pode identificar três tipos de empresas
quanto ao uso estratégico das informações:
O primeiro grupo é constituído por empresas que administram a informação como um recurso
estratégico, como uma arma competitiva. Poderíamos citar algumas destas empresas \u201cestrelas\u201d
neste campo, mas estas empresas não têm nenhum anseio em ver seu nome por escrito, pois elas
preferem manter discretamente seu trunfo estratégico.
O segundo grupo é formado por empresas que não administram a informação de maneira estratégi-
ca, mas que começaram a dedicar algum esforço neste sentido. Seus esforços, todavia, são
freqüentemente dispersos e sem coerência, obtendo-se então resultados inferiores aos que poderiam
ser alcançados. Estas empresas progridem, mas têm ainda um caminho a percorrer diante delas.
O terceiro grupo é formado por empresas que não estão sensibilizadas à questão da administra-
ção estratégica da informação, nem da vantagem competitiva que elas poderiam obter. Consta-
tamos que as empresas deste grupo são ainda numerosas, seja no Brasil, seja na França, mas não
por muito tempo, pois ou se darão conta da importância da questão e irão reagir e evoluir ou
então desaparecerão.
As empresas do terceiro grupo devem esforçar-se para migrar para o segundo grupo, e
junto com as que já estão nele, para o primeiro grupo. A não percepção da importância da
informação tem como resultado a má administração. E advertem Lesca e Almeida (1994, p.
6) que \u201cas empresas vêem dificuldade em desenvolver uma administração estratégica da
informação porque a informação é identificada de maneira fragmentada, dispersa.\u201d
Então, observe o seguinte: vendo a informação fragmentada, ou seja, não conseguin-
do vê-la de modo global, a importância estratégica da informação passa despercebida. O
mais curioso é que muitas dessas empresas possuem bom volume de informações, mas, ou
elas são repassadas a especialistas que não têm influência estratégica, ou o que eles fazem
com a informação não chega a esse nível, ou a informação é simplesmente esquecida.
Ora, uma boa gestão, que obtém grande proveito das informações, faz com que elas
fluam dentro da empresa. É preciso acabar com os \u201cdonos ciumentos da informação\u201d, que a
geram e dificultam sua disseminação. Assim as unidades funcionam como ilhas que não se
relacionam, ou se relacionam mal e, portanto, não agregam desempenho umas às outras. As
unidades não contribuem umas com as outras. Em se tratando de fazer fluir a informação
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na empresa, podemos aprofundar com o que nos ensinam Lesca e
Almeida (1994, p. 7). Eles explicam que existem três grandes flu-
xos de informação nas empresas:
\u2022 fluxo de informação produzida pela empresa para uso interno;
\u2022 fluxo de informação captada fora da empresa e utilizada por ela;
\u2022 fluxo de informação produzida pela empresa orientada para
fora, para o mercado.
Eles explicam que cada um desses fluxos apresenta dois com-
ponentes. E todos esses componentes dependem reciprocamente
um do outro. São eles: \u201cinformação de atividade\u201d e \u201cinformação
de convívio\u201d. A informação de atividade é necessária para o
funcionamento da empresa. Por sua vez, a informação de conví-
vio é importante para que, nas palavras desses autores, \u201cos indi-
víduos convivam em relação uns com os outros.\u201d Ela permite tam-
bém que haja influência em seus comportamentos. Ou seja, é como
o cimento da organização e é vital nas empresas. Eles citam como
exemplo \u201cum jornal interno, uma reunião de serviço, um relatório
comercial contendo impressões de um cliente, uma ação publicitá-
ria\u201d. Esse tipo de informação tende a ser em boa parte informal. É,
como se pode dizer, aquela informação que propicia com que as
pessoas amem umas às outras, se respeitem, se tratem bem e cola-
borem umas com as outras. Veja só como é importante a gestão
estratégica da informação.
Retornando aos três fluxos de informação nas empresas,
vamos analisar em cada um deles? Vamos entendê-los um pouco
melhor, pois também são importantes para a visão estratégica das
informações nas empresas.
O primeiro fluxo de informações, conforme os autores con-
sultados, é a informação interna, gerada e utilizada pela empresa.
Podem ser informações de atividade ou de convívio. Para as de ati-
vidade Lesca e Almeida (1994, p. 9) apresentam os seguintes exem-
plos: \u201cnota de pedido interno; situação do estoque; informações