Apostila UNIJUÍ - Administração da informação
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Apostila UNIJUÍ - Administração da informação


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Eles foram negritados e sublinhados. Impossível não ter
notado! Reflita um pouco na profundidade dessas expressões. Vejamos cada uma delas:
\u2013 Pessoas inteligentes interagindo entre si. Aí estão dois conceitos muito bem
relacionados entre si e que podem não ser percebidos com facilidade. Atente para
os dois: \u201cPessoas inteligentes\u201d e \u201cinteragindo entre si\u201d. Percebeu a diferença e
como eles se relacionam entre si? Veja bem: 1º) há aí um pressuposto que as pes-
soas sejam inteligentes para haver interação; 2º) portanto, elas precisam adquirir
inteligência (ora, isso é óbvio!). Caso forem pouco inteligentes, se relacionarão
menos, e produzirão menos! Assim sendo, será que não é do interesse das organi-
zações que desejam competir com mais eficácia promoverem a inteligência das
pessoas em seu interior?
\u2013 O segundo ponto destacado é a \u201cinteligência organizacional estratégica\u201d. Que
expressão pomposa, não acha? E o ruim é que ela é mais importante que sua
pomposidade. Duvido que você tenha entendido o seu nível de importância para
uma organização inserida no contexto da globalização, em que a competição
está cada vez mais acirrada! Vamos lá, porém! O que esta expressão significa?
Inteligência organizacional é mais que o somatório da inteligência dos indivídu-
os que a integram. É o que eles construíram em conjunto para competir. São as
tecnologias que eles assimilaram ou que desenvolveram. É a sua capacidade
interativa de pensarem em conjunto e desenvolverem novas tecnologias, novos
métodos de produção e novas estratégias. E muitas outras coisas mais. O que
acha disso tudo? Bom, não é? E isso tudo será estratégico se essa competência
estiver voltada para o ambiente externo, numa perspectiva de longo prazo. Aí
estoura a boca do balão!
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Pois bem, agora vamos à questão: como, afinal, se gera conheci-
mento no indivíduo? Talvez seja melhor irmos direto ao ponto que interes-
sa: como se gera esse conhecimento no interior de uma organização? O
que acha da pergunta? Importante ou pouco relevante?
Vamos perguntar a um educador famoso sobre como as pessoas aprendem. É o russo
Lev Vygostky. Ele foi psicólogo e apesar da vida curta, muito contribuiu para melhor conhe-
cermos os processos de aprendizagem. Veja só o que ele ensina:
...as pessoas aprendem habilidades cognitivas elevadas ao passar dos objetos e ações para o
\u201ccampo do significado\u201d. ... Por exemplo, uma pessoa que esteja aprendendo a escrever primeiro
se concentra em objetos e ações, tais como traçar letras e memorizar regras gramaticais; quando
a pessoa avança para a construção e interpretação de texto, ela passa a operar no campo do
significado (in Starkey; Peres, 1997, p. 240).
Entendeu o que ele explicou? Vamos raciocinar um pouco: \u201ccampo do significado\u201d é a
relação entre os conceitos e o que eles significam. Em outras palavras, a aplicação dos
conceitos na prática, a capacidade de vincular o abstrato (idéias) com o concreto (reali-
dade). Ajudou? Espero que sim.
Pois bem, o que Vygotsky afirma aqui é o seguinte:
(a) Primeiro aprendemos sem conseguir nos \u201cabstrair\u201d dos objetos. É como aprender quase
sem pensar. Lembra daquela professora de Matemática com laranjas nas mãos pergun-
tando quantas frutas ela tem? Pois é isso, inicialmente todos nós temos dificuldade no
raciocínio abstrato.
(b) Com o tempo e o esforço, contudo, e mais a experiência adquirida, ingressamos no fan-
tástico e maravilhoso mundo das idéias, do abstrato, do pensamento. É então que somos
capazes de transitar mentalmente no \u201ccampo do significado\u201d. Isto equivale a dizer: so-
mos capazes de pensar. E se somos capazes de pensar, não será difícil aplicar esse pen-
samento na prática (quanta enrolação para dizer isto, mas foi importante).
Vamos adiante. Leia com atenção a próxima citação, escrita pelos autores referenciados,
mas inspirada no grande Vygotsky. Veja aqui como é fundamental trocar idéias
para aprender mais. É o tal do debate. Aliás, no primeiro encontro presencial
que tivermos, poderíamos destinar algum tempo para trocar idéias sobre es-
ses pontos e suas implicações dentro das empresas. O que acha? Agora,
leia a citação adiante bem devagar, buscando entendê-la em sua pro-
fundidade. Depois terei uma pergunta para você refletir.
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ADMINISTRAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Uma segunda condição para o aprendizado é a meditação social. Aprender é uma experiência
social; o aprendizado ocorre através de interações com outras pessoas e de seu auxílio. Para
passar dos objetos e ações para o campo do significado, o aprendiz conversa com outras pessoas
para expandir seu campo de entendimento. Durante o diálogo, idéias e experiências são compar-
tilhadas e o aprendiz expõe seus problemas, gera hipóteses, conduz experimentos e reflete sobre
os resultados (Starkey; Peres, 1997, p. 243).
O que você acha do que os autores propõem? Poderia ser essa uma estratégia para as
empresas aprenderem? Sim ( ) ou não ( ).
Estudaremos esse ponto logo mais, no tópico seguinte. Então, tenha em mente o sig-
nificado dessa citação. Sublinhe as partes vitais, as \u201cpérolas\u201d.
Enquanto isso, reflita mais um pouco sobre a citação que segue. Imagine a afirmação
no contexto empresarial. Imagine-se lá dentro, pode ser na sua organização mesmo. Pense
um pouco nos resultados se o que ali está escrito ocorrer na prática. Como você se sentiria?
Como isso influenciaria o ambiente de trabalho? Como isso afetaria a capacidade competiti-
va da organização? (Anote suas respostas em algum lugar, tá?)
Indagar \u2013 fazer perguntas \u2013 é o primeiro passo a dar na estrada que leva à criação de novos
significados e portanto de novos insights empresariais. Num ambiente de indagação, as pessoas
conversam umas com as outras e jogam com as idéias (1997, p. 246).
Ah, sim, antes de irmos adiante: fazer perguntas é o princípio do funcionamento da ciência.
Sabia disso? \u201cA única pergunta tola é aquela que a gente não faz\u201d (Starkey; Peres, 1997, p. 247).
Antes de partir para o segundo item, dê-se ao trabalho de
fazer um esquema dos conceitos que já aprendeu. Ele será funda-
mental para definir para a sua mente o que é importante não mais
esquecer. E precisa escrever, é um poderoso meio de aprender mais
profundamente. Quer uma ajuda? Basta, por exemplo, responder
às seguintes perguntas (Não esqueça de criar um título para o
seu esquema):
a) Por que estudantes de Administração devem estudar sobre a formação da inteligência
nos indivíduos?
b) No processo de aprendizagem individual, em que a pessoa se concentra primeiro? E
depois, como prossegue para aprender mais?
c) E, para expandir sua capacidade de aprender, por sermos seres sociais, o que as pesso-
as devem continuar fazendo?
d) Por último, para criarmos novos significados, como se procede?
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Agora dê uma descansada. Caminhe um pouco enquanto medita no que aprendeu.
Isso é importante. Relaxe por uns minutos, levante e respire fundo para renovar sua mente
e só então prosseguir. O próximo ponto é fundamental para um bom administrador, portan-
to não siga adiante se estiver um pouco desatento pela canseira.
Seção 6
Como se Gera Conhecimento na Organização: as Learning Organizatios
Neste tópico nos basearemos no texto \u201cAprendendo a aprender: análise de três estu-
dos de caso em aprendizagem organizacional a partir do construtivismo,\u201d escrito por Elizabeth
Loiola e Maria Célia Furtado Rocha. Faremos uma síntese das idéias que elas apresentam
no texto.
Desde a década de 70 vem aumentando a preocupação com a aprendizagem
organizacional. Sabe por quê? É que desde aqueles anos vem se aprofundando o \u201cacirra-
mento da competição nos mercados\u201d, afirmam as autoras citadas. E também desde esse
tempo que a gestão pública vem enfrentando um número maior de problemas, como o das
drogas, criminalidade, insegurança, corrupção, atentados contra a natureza, entre outros.
E é verdade, não acha? Assim sendo, vejamos em poucas palavras o que as autoras sugerem