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DisciplinaContabilidade e Mercado de Trabalho1.951 materiais7.662 seguidores
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movimentação dos recursos. A figura 1 demonstra a 
trajetória etimológica do termo no decorrer da história. 
 
CONTRA ROLATUS Latim medieval 
 2000 a.C 
 \u2193 
COUNTROLLOUR Corte inglesa 
 Século XV 
 \u2193 
COUNTROLLER Responsável pelas contas na repartição 
 Lord Chamberlain - Inglaterra 
 \u2193 
COMPTROLLER Adaptada da terminologia compt 
 (contar) do Frances \u2013 século XVI 
Figura 1 Evolução etimológica do termo controller 
Fonte: Lunkes e Schnorrenberger (2009) adaptado pelos autores 
 
 6 
 De acordo com Tung (1993), a palavra controller não existe no vocabulário brasileiro 
e foi inserida à linguagem administrativa recentemente. É definido pelo autor como sendo o 
executivo financeiro de organizações de grande e médio porte. 
 
3.2.2 Funções do Controller de acordo com referências teóricas 
 À medida que as profissões se desenvolvem, as funções dos profissionais que atuam 
nas respectivas áreas vão se definindo ao longo do tempo. Apesar disso, Oliveira, Perez Jr. e 
Silva (2007) destacam que não há, ainda, nitidez na definição das funções do controller e da 
controladoria. Mas os mesmos autores entendem por controller um dos principais executivos 
das organizações responsáveis pela gestão do sistema de informação. 
 Nakagawa (1993) corrobora com a ideia de que o controller é responsável pelo 
sistema de informação, pois dele depende o projeto, a implementação e a manutenção desse 
sistema que capacita os gestores a planejarem, executarem e controlarem adequadamente as 
atividades das organizações. Já, Kanitz (1977), enfatiza que o controlador pode ter diversas 
funções, mas isso depende das dimensões e da filosofia que orienta seus dirigentes. O mesmo 
autor define que a função básica do controlador consiste em dirigir e em grande parte 
implantar os sistemas de: informação, motivação, coordenação, avaliação, planejamento e 
acompanhamento. 
 Convém destacar que Lunkes e Schnorrenberger (2009), salientam que com o passar 
do tempo a função do controller deixou de ser apenas contábil com ênfase em controles e 
passou a ser multidisciplinar, envolvendo conhecimentos relacionados a outras áreas como 
administração, economia, estatística e psicologia. Os autores citam Horváth (2006) quando 
defende que usar controle e controladoria como sinônimos é impensável. 
 Mosimann e Fisch (1999) comentam que, em virtude do porte e crescimento da 
empresa, a função do controller não se configura formalmente, mas como a empresa vai 
crescendo há a necessidade de um responsável pelo exercício da função financeira e a partir 
desta descentralização das atividades surge o cargo do controller. Assim definem que o 
controller é um gestor que ocupa um cargo na estrutura de linha porque toma decisões quanto 
à aceitação de planos, sob o ponto de vista da gestão econômica. Segundo os autores, os 
controllers encontram-se no mesmo nível dos demais gestores, na linha da diretoria ou da 
cúpula administrativa, embora também desempenhem funções de assessoria para as demais 
áreas. 
 Para Frezatti et.al. (2009), o controller é o profissional que, por possuir informações 
monetárias, físicas e operacionais, geralmente tem condições de visualizar a empresa 
(sistema) e os departamentos (subsistemas), podendo assim, compreender as inter-relações 
entre as partes. Ainda, segundo o mesmo autor, o controller deve possuir conhecimento de 
gestão para que possa participar do planejamento e gestão da instituição. 
 O que se observa na literatura é que a função de controller é de grande 
responsabilidade nas organizações pelo nível de funções elencadas. Por outro lado, não há 
uma padronização destas funções, mesmo porque as organizações vão se adaptando, e devido 
à complexidade dos processos e a alta competitividade, buscam profissionais com capacidade 
de adquirir novas competências em um processo contínuo de aprendizagem. 
 
3.2.3 O controller sob a ótica dos órgãos de representação oficiais 
 Na tentativa de identificar como os órgãos de representação oficiais definem a função 
de controller, realizou-se pesquisas em órgão como: International Federation of Accounting 
(IFAC), Ministério do Trabalho e Emprego, Conselhos Federais de Contabilidade, 
Administração e Economia e Associação Brasileira de Engenharia de Produção. 
Calijuri (2004) cita que a International Federation of Accounting (IFAC) define o 
controller como o profissional que: identifica, mede, acumula, analisa, prepara, interpreta e 
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relata informações (tanto financeiras como operacionais) para uso da administração de uma 
empresa, nas funções de planejamento, avaliação e controle de suas atividades e para 
assegurar o uso apropriado e a responsabilidade abrangente de seus recursos. 
 O Ministério do Trabalho e Emprego, com a finalidade de uniformizar e identificar as 
ocupações no mercado de trabalho para fins classificatórios junto aos registros administrativos 
e domiciliares, instituiu através da Portaria Ministerial No. 397 de 09 de outubro de 2002, a 
Classificação Brasileira de Ocupações. Esta portaria prevê que a função de controller está 
inserida na CBO como sinônimo da ocupação contador, e pela estrutura apresentada é 
designada como família das demais funções inerentes à profissão. 
 Cabe salientar que os efeitos de uniformização pretendida pela Classificação Brasileira 
de Ocupações, conforme informação do Ministério do Trabalho e Emprego, são de ordem 
administrativa e não se estendem às relações de trabalho. 
 Quanto à regulamentação das profissões, estas são realizadas por meio de lei federal, 
pelos órgãos de classe que representam cada profissão, definindo as prerrogativas 
profissionais. O Conselho Federal de Contabilidade criado pela Lei N.° 9.295/46 instituiu a 
resolução CFC N.° 560/83, que em seu artigo 2º prevê a função de controller como 
prerrogativa da profissão contábil. Contudo, não há descrição desta função. 
O Conselho Federal de Administração define as atribuições da profissão de 
administrador fundamentadas na Lei No. 4.769/65, Art. 2º e Decreto 61.934/67, Art. 3º. 
Analisando os referidos textos, verificas-se que não há evidenciação da função controller. Já o 
Conselho Federal de Economia, que fundamenta as atribuições do economista no Decreto 
31.794/52, Art. 3° e suas Resoluções, também descreve como prerrogativas da profissão a 
função de controller. 
Da mesma forma, a Associação Brasileira de Engenharia de Produção, quando relaciona 
as habilidades e competências do engenheiro de produção não menciona funções de 
controller. 
 Assim sendo, os órgãos oficiais da área contábil destacam que a função do controller é 
prerrogativa da profissão, enquanto que os demais órgãos pesquisados não se referem a esta 
função como sendo de competência de seus profissionais. 
 
3.2.4 Competências do controller de acordo com as referências teóricas 
 De modo geral, a literatura apresenta diversas definições de competência, no entanto, 
neste trabalho, será considerada a definição do termo de Perrenoud (2000, p.19) quando diz 
que competência \u201cé a aptidão para enfrentar uma família de situações análogas, mobilizando 
de forma correta, rápida, pertinente e criativa, múltiplos recursos.\u201d 
 Deste modo, as competências do controller, que Frezatti et.al. (2009), tratam como 
perfil pessoal, é o de um profissional que deva ter bom raciocínio lógico, alto nível de energia, 
maturidade, que seja perspicaz e dinâmico e, que tenha iniciativa e postura proativa. Além 
disso, ter espírito de liderança, ser capaz de motivar seus subordinados, gostar de trabalhar em 
equipe, saber comunicar-se, tanto oralmente, como por escrito, atualizar-se constantemente, 
não somente com o que ocorre na organização, mas também no mundo. 
Tung (1980) identifica algumas características do controller, que são a de ter 
capacidade de prever os problemas que poderão surgir, ter uma visão proativa e preocupada 
com o futuro,