Apostila UNIJUÍ - Pesquisa em administração
232 pág.

Apostila UNIJUÍ - Pesquisa em administração


DisciplinaPesquisa de Mercado5.578 materiais79.660 seguidores
Pré-visualização50 páginas
informações que interessam para um
objetivo específico;
Leitura seletiva, é realizada com o objetivo de escolher informações que interessam
para a elaboração de algum trabalho, já em perspectiva.
Leitura analítica, é realizada com o objetivo de estudo, de elaboração/produção de
conhecimento. A seguir serão apresentadas diversas formas e estratégias de leitura com ob-
jetivo de estudo.
3.2.2.3 \u2013 Leitura analítica
Denomina-se de analítica a leitura sistemática, em que se disseca o texto em seus
múltiplos elementos e desde diversos enfoques. Além de método, exige tempo e esforço de
reflexão do leitor.
Realiza-se principalmente sobre textos científicos e polêmicos. Classificam-se como
textos científicos os relatos de pesquisa os textos sobre tópicos das diversas áreas do conhe-
cimento, como História, Filosofia, Sociologia, Administração, Economia. Denominam-se
aqui de polêmicos os textos que expressam opiniões ou pontos de vista, como os que defen-
dem determinados posicionamentos sobre algum tema, os comentários críticos, os editoriais
dos órgãos de opinião, os ensaios, os que expressam pontos de vista de seus autores (Gover-
nos do R.G.S. 1992).
EaD
59
PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
A leitura analítica traz importantes resultados para quem a pratica. Dentre eles desta-
cam-se:
\u2022 favorece a compreensão mais objetiva e mais completa dos textos;
\u2022 pelo fato de favorecer a percepção da estrutura dos textos lidos, desenvolve a capa-
cidade para estruturar e escrever logicamente um texto;
\u2022 facilita a interpretação crítica de textos;
\u2022 estimula a reflexão e a produção intelectual e a conseqüente publicação de textos.
Para Severino (1989, p. 135), o autor brasileiro que melhor trata este tema, e cujas
recomendações serão aqui reproduzidas, os procedimentos básicos ou fases principais da
leitura analítica são:
(1) análise textual;
(2) análise temática;
(3) análise interpretativa;
(4) problematização;
(5) síntese pessoal.
(1) A análise textual facilita a preparação do leitor para realizar a fase seguinte, a leitura de
análise temática. Bons leitores não mergulham imediatamente na leitura sem antes ex-
plorar por alto o material que vão ler.
Consiste em:
\u2013 realizar uma \u201cleitura de contato\u201d, rápida, embora atenta, para obter uma visão global do
texto;
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
60
\u2013 buscar esclarecimentos necessários ou úteis para a compreensão do texto, tais como: in-
formações sobre o autor, sobre sua ideologia, suas intenções não explicitadas, sobre fa-
tos, doutrinas, teorias, autores citados, sobre termos desconhecidos, vocabulário especí-
fico. No caso de livros isto é feito lendo as \u201corelhas\u201d, a contracapa, as notas sobre o autor,
o sumário, a introdução ou, às vezes, quando existem, o prefácio e a apresentação;
\u2013 verificar a estrutura do texto, o que pode ser feito observando os títulos e subtítulos que o
texto contém, ou criando tais títulos e subtítulos quando não constam no texto.
O fundamental aqui é que o leitor se prepare para ler o texto com as melhores condi-
ções para captar plena e fielmente a mensagem nele contida.
(2) Análise temática, que tem como objetivo a compreensão do texto, a percepção clara da
mensagem do autor.
Neste momento o leitor está interessado em entender com segurança e clareza o que o
autor afirma. Evita fazer juízos de valor, concordar com ele ou discordar do que afirma.
Com relação a esta fase da leitura trabalhada é muito importante que os professores e os
leitores não se deixem seduzir pela ilusão de pensar que tudo o que se comunica é percebido,
apreendido, e por todos, da mesma maneira. \u201cNo caso da leitura, então, o fato de o texto estar
ali, nas mãos de cada um reforça o engano\u201d (CARVALHO; OLIVEIRA, 1996, p. 69).
Embora seja muito comum pensar que todos os leitores de um mesmo texto deveriam
chegar aos mesmos resultados, captar a mesma mensagem que nele está contida, na verda-
de cada qual terá percepções bastante diferentes. Ocorre sempre que o sentido do texto se
instaura em cada um com grande carga de subjetividade. Desde os estudos da escola psico-
lógica \u201cgestáltica\u201d se constatou que as percepções são estruturações num primeiro plano
sobre o plano de fundo da realidade, induzidas principalmente pelas aprendizagens pregressas
e pelas motivações presentes do sujeito.
O leitor transporta para o ato de ler todo seu imenso cabedal de aprendizagens obti-
das e os estímulos que sofre no momento. Tais aprendizagens são naturalmente muito mais
abrangentes, variadas e numerosas para o professor, especialista num determinado assunto,
EaD
61
PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO
do que para o aluno iniciante. As motivações de alguém que há muito tempo se dedica ao
estudo de um tema certamente são diferentes das daquele que está no início de uma cami-
nhada semelhante.
É por essa razão que existe \u201cuma leitura para cada leitor num mesmo momento e uma
leitura diferente para o mesmo leitor em momentos diversos\u201d, como afirma Ângela Kleiman
(1989).
Assim que, embora não seja possível alcançar homogeneidade de resultados, ao se ler
e estudar um mesmo texto é muito útil observar alguns procedimentos sistemáticos para
captar com mais eficiência e objetividade a mensagem, o conteúdo de um texto. Para tanto,
conforme recomenda Severino (1989), é preciso que o leitor identifique o tema, o problema,
a tese e a linha de raciocínio do texto.
Nem sempre o tema ou assunto de que trata o texto fica evidente no seu título, embora
na maioria dos casos aí esteja expresso.
Identificar o problema é determinar a lacuna, a carência de conhecimentos, que o
autor se propõe suprir, a pergunta que ele objetiva responder com o texto. Muitas vezes o
autor deixa claro qual é o problema com que se ocupa, chegando a formular a pergunta que
o expressa. Outras vezes o problema é abordado de forma implícita, declarando qual é o
objetivo do texto, por exemplo.
É necessário que o leitor distinga o problema existente na realidade, objeto de análise,
e o problema de estudo ou pesquisa. O problema de estudo, questão a ser identificado no
texto é a pergunta que o autor explícita ou implicitamente formula sobre uma problemática
da realidade. Suponhamos que o texto se ocupe de como resolver o problema de liquidez de
empresas de comercialização. A falta de liquidez seria o problema da realidade (das empre-
sas). O tema seria a liquidez. O problema do texto poderia ser, por exemplo, quais as estra-
tégias que as empresas de comercialização precisam adotar para melhorar sua liquidez? O
problema poderia ser também: quais as causas da falta de liquidez das empresas?
Formular perguntas (o quê?, como?, qual?, por quê?...) ajuda a identificar o problema
do texto. Nos textos bem estruturados geralmente o problema aparece na introdução.
EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia
62
Determinar a tese é verificar qual a resposta que o autor dá ao problema, à pergunta
explícita ou implicitamente formulada. É identificar a idéia central do texto. Naturalmente
ficará difícil a um leitor identificar corretamente qual é a tese de um texto se não tiver antes
definido qual o problema levantado no mesmo.
Refazer a linha de raciocínio do autor é identificar as idéias principais e as secundá-
rias, bem como os argumentos utilizados para comprovar sua tese. São consideradas secun-
dárias aquelas idéias que se fossem retiradas do texto o empobreceriam, mas não compro-
meteriam o raciocínio básico do autor.
Muitas vezes os professores solicitam que os alunos \u201cextraiam as idéias principais
dum texto\u201d. Para que isto possa ser feito com uma percepção mais correta do conteúdo do
texto e com um grau maior de homogeneidade, é indispensável que os leitores identifiquem
antes o problema, e a tese. Sem isto, fica muito difícil saber o que é principal e o que é
secundário num texto. Dependendo da interferência da subjetividade, dos interesses ou ob-
jetivos