Apostila UNIJUÍ - Pesquisa em administração
50 pág.

Apostila UNIJUÍ - Pesquisa em administração


DisciplinaPesquisa de Mercado3.852 materiais62.895 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de cada leitor, o que para um é importante para outro pode não o ser.

(3) O momento ou fase da análise interpretativa e da problematização é aquele em que o

leitor, depois de ter realizado um esforço sistematizado para captar a mensagem do autor,

assume um posicionamento avaliativo, julgando o conteúdo do texto. E o leitor exibe um

comportamento crítico diante da mensagem dum autor quando:

\u2013 verifica a coerência interna e a validade dos argumentos empregados;

\u2013 avalia características como a originalidade e a profundidade, atualidade de tratamento do

tema;

\u2013 estima as conseqüências e o alcance da(s) tese(s) ou conclusão(ões); verifica, em certos

textos, os pressupostos e o conseqüente alinhamento filosófico e ideológico do autor;

\u2013 levanta problemas (indagações) implícitos ou expressamente relacionados com que foi

tratado no texto;

\u2013 verifica quais as operações de pensamento, como estratificação, dedução, indução,

mensuração ou avaliação, análise, que são realizadas ao longo do texto. (veja o capítulo

3 deste livro)

EaD

63

PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

(4) A síntese pessoal consiste na reelaboração pessoal do leitor por meio da redação própria

de um novo texto, com acréscimos e reflexões próprias.

No caso de se estar fazendo pesquisa bibliográfica, é o momento de se realizar a

integração dos dados e elementos encontrados, que passarão a fazer parte do novo estudo.

A síntese pessoal supõe que tenham sido feitas as fases anteriores da leitura trabalhada.

A síntese pessoal é o que resultará de mais importante de todo trabalho, realizado nos

momentos anteriores.

3.2.3 \u2013 SEMINÁRIOS

O termo \u201cseminário\u201d é usado para designar diversas estratégias de ensino em peque-

nos grupos. Pode-se conceituar seminário, no entanto, como um grupo que trabalha para

preparar, expor e discutir um assunto em profundidade a partir de diferentes ângulos, sob a

orientação de um coordenador (professor).

É um processo de ensino-aprendizagem utilizado em universidades alemãs e

norteamericanas desde fins do século XVII (Moreira, 2000).

Por ser uma técnica de ensino bastante antiga, já foi detalhadamente analisada e

avaliada por estudiosos de metodologia de ensino.

Como observa Nerici (1967, p. 166) o seminário objetiva mais a formação da capaci-

dade de aprender do que a informação, pois busca desenvolver as habilidades para:

a) a pesquisa ou manejo de recursos e procedimentos para realizá-la;

b) a análise de dados e fatos;

c) o trabalho em equipe;

d) a reflexão sobre problemas;

e) a exposição e comunicação do próprio pensamento;

f) desenvolvimento da autoconfiança e do pensamento original.

EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia

64

Nos cursos de Graduação o seminário desempenha um papel complementar. Torna-se

indispensável e é amplamente utilizado nos cursos de Pós-Graduação.

Para produzir os resultados esperados um seminário precisa observar um roteiro que

tem como fases básicas:

1. estruturação do grupo, com definição e atribuição de funções;

2. preparação individual, por meio de leituras, pesquisa, análise e reflexão sobre o tema;

3. comunicação ou exposição para o grupo do resultado da preparação individual;

4. debate em grupo, sob a coordenação de um moderador (professor);

5. síntese dos resultados ou fechamento dos trabalhos.

3.2.4 \u2013 ESTUDO DE CASO

O estudo de caso é amplamente empregado em cursos de Administração das melhores

escolas européias e dos Estados Unidos, como a Harvard Business School e a Wharton School.

A bibliografia sobre o método de estudo de caso é abundante.

O estudo de caso tem duas acepções principais: a de método de pesquisa e a de técnica

de estudo e ensino. Aqui é considerada apenas neste último sentido.

O método consiste em os alunos tomarem conhecimento de uma situação-problema

de Administração, analisá-la, propor e avaliar soluções, escolher e sugerir a solução consi-

derada a melhor. Cabe ao aluno toda a iniciativa para o encaminhamento realização da

análise e a proposição de soluções. O professor não emite avaliações em termos de certo ou

errado sobre a análise feita e a solução dada. Seu papel é estimular o debate, não apresentar

soluções, o que deve ser feito pelos alunos.

Embora os casos possam ser adaptados da realidade ou serem até fictícios, em geral

trabalha-se com situações reais, que contém problemas fundamentais e recorrentes em uma

área de Administração. Quando os estudantes tiverem melhores condições em termos de

prática e de conhecimento, os casos para estudo podem ser interdisciplinares.

EaD

65

PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

A dinâmica do método pode variar em seus detalhes, mas para produzir os resultados

esperados deve obedecer às seguintes fases:

a) Apresentação do caso, mediante uma descrição do contexto, apresentação de fatos e

dados, bem como definição de objetivos específicos do estudo, isto é, definição do que o

estudante deve fazer. A apresentação do caso não deve conter sugestões de solução.

b) Estudo individual, em que o aluno deverá analisar o caso, refletir sobre ele e fazer ano-

tações sobre pontos que considerar substanciais. Nesse tipo de trabalho o aluno deverá

empenhar-se em usar ou aplicar os conhecimentos (conceitos, teorias, técnicas) da(s)

área(s) com as quais se relaciona o caso, buscar dados originais, praticando a observa-

ção direta.

c) Discussão em pequenos grupos, em que os alunos apresentam, analisam, avaliam seus

pontos de vista, propõem várias soluções e escolhem a alternativa considerada melhor.

d) Sessão plenária, em que cada pequeno grupo apresenta sua solução. Nesta fase é de

fundamental importância para o sucesso na aprendizagem que o professor comente as

contribuições de cada grupo, enfatizando aspectos positivos e chamando a atenção para

eventuais falhas.

Diversos autores relacionam as vantagens do método do caso (Moreira, 2000). Desta-

cam-se as seguintes:

\u2022 Leva os estudantes a desenvolverem sua própria forma e suas aptidões para abordar

problemas e chegar a uma solução.

\u2022 Coloca os alunos, os professores e a escola em contato com a realidade exterior, com

a prática de Administração. Estimula a prática da observação, caminho para come-

çar a pensar, a ter idéias novas, a ser criativo e ter opinião independente.

\u2022 Torna o processo de ensino-aprendizagem mais motivador e produtivo do que aulas

expositivas.

EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia

66

\u2022 Ajuda a entender melhor e a lembrar mais facilmente as idéias que são aplicadas

para a solução de problemas reais.

\u2022 Desenvolve as habilidades para o trabalho em grupo e em equipe.

\u2022 Desenvolve a autonomia e autoconfiança do estudante.

\u2022 Desenvolve a capacidade para lidar com a ambigüidade, com a incerteza, com o

risco, pois geralmente os casos não têm uma solução certa, mas têm diversas possibi-

lidades de solução, cada uma com suas conseqüências favoráveis e desfavoráveis.

No início do uso da técnica os alunos podem sentir-se inseguros e ansiosos quanto ao

resultado em termos de aprendizagem, posto que o professor se abstém de emitir uma opi-

nião conclusiva. Ao final de algum tempo, porém, depois de se usar repetidas vezes esta

técnica, o aluno aprende a fazer as perguntas certas sobre a situação-problema apresenta-

da, a enfocar os temas relevantes. Identificar situações-problema é uma das competências

requeridas ao profissional de Administração.

3.2.5 \u2013 VIVÊNCIAS

Se refletirmos um pouco sobre nossas aprendizagens, sobre as circunstâncias em que

se deram, facilmente concordaremos com os educadores que enfatizam a importância do

contato direto com a realidade no processo de aprender. Este contato facilita, torna mais

autêntico, mais rico e significativo o processo todo da aprendizagem.

Recentemente estudos sobre inteligência emocional (Cooper; Sawaf, 1997) destacam

que as vivências vão construindo nosso quociente de inteligência emocional (QE), que em

sua essência é a fonte primária da energia da autenticidade