Apostila UNIJUÍ - Pesquisa_Operacional
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Apostila UNIJUÍ - Pesquisa_Operacional


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dois produtos.
O resultado deste exemplo indica que a Pizzas do Sul deve produzir 4 unidades de
pizzas \u201cG\u201d e nenhuma unidade de pizza \u201cGG\u201d, gerando um lucro máximo de R$ 32,00. A
produção ficou limitada a esta quantidade devido ao número de funcionários disponíveis,
que é de apenas 8. Além disso, considerando essa quantidade produzida, sobraram 4 horas
de mão de obra sem serem utilizadas, e uma demanda de 16 unidades de pizzas \u201cG\u201d ainda a
ser atendida, além da demanda de 28 unidades de pizzas tamanho \u201cGG\u201d. E como chegar a
estas conclusões? A resposta é simples: com o uso das ferramentas de Pesquisa Operacional.
Na segunda seção deste livro utilizaremos este mesmo exemplo e ensinaremos o passo-a-
passo para chegar a este resultado.
Este é apenas um exemplo relacionado à aplicabilidade das ferramentas da Pesquisa
Operacional. Programação Linear, Problemas de Transporte, Teoria das Filas, Programação
Dinâmica, Modelos de Estoque e Simulação são os conteúdos que compõem o universo da
Pesquisa Operacional.
EaD
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PESQUISA OPERACIONAL
Seção 1.2
Fases de um Estudo em Pesquisa Operacional
De acordo com Andrade (2000), são seis as fases de um estudo em Pesquisa Operacional,
expostas na Figura 1: definição do problema, construção do modelo, solução do modelo,
validação do modelo, implementação dos resultados e avaliação final.
Essa sequência de passos não é rígida, mas indica as principais etapas que devem ser
seguidas. Os procedimentos utilizados nessas fases dependem do tipo do problema em aná-
lise e do contexto que o envolve.
Figura 1 \u2013 Fases de um estudo em Pesquisa Operacional
Fonte: Andrade (2000).
a) Definição do problema
A definição do problema baseia-se em três aspectos: identificação das variáveis de de-
cisão, descrição e definição dos objetivos e reconhecimentos das limitações, restrições e exi-
gências do sistema.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEFINIÇÃO DO PROBLEMA 
PERCEPÇÃO DA DEMANDA POR SOLUÇÃO 
PROBLEMA 
CONSTRUÇÃO DO MODELO 
SOLUÇÃO DO MODELO 
VALIDAÇÃO DO MODELO 
IMPLEMENTAÇÃO DOS 
RESULTADOS 
SOLUÇÃO DO MODELO 
EXPERIÊNCIA 
EaD Martin Ledermann \u2013 N iv ia Maria Kinalski
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O problema começa a ser resolvido a partir da definição dos objetivos, os quais podem
ser de maximização ou minimização de algo. O segundo ponto é determinar as variáveis de
decisão, que devem estar relacionadas aos objetivos. Já o terceiro elemento é composto
pelas restrições, limitações ou exigências existentes.
b) Construção do modelo
O modelo a ser construído deve estar baseado na definição do problema. Esta é a fase
que exige maior criatividade do analista, uma vez que a qualidade de todo o processo de-
pende desta etapa. Modelos matemáticos são muito utilizados pelas empresas em seus pro-
cessos decisórios.
c) Solução do modelo
Tem por objetivo encontrar uma solução para o modelo construído. Em Pesquisa
Operacional algumas técnicas conhecidas como o Método Simplex, Análise de Sensibilida-
de, Dualidade, Simulação, entre outras, são empregadas na solução de modelos.
d) Validação do modelo
Segundo Andrade (2000), é necessário verificar a validade do modelo. Um modelo é
válido quando for capaz de fornecer uma previsão aceitável do comportamento do sistema e
uma resposta para a qualidade da decisão a ser tomada.
Um sistema pode ser validado por meio da análise de dados passados do próprio siste-
ma e da utilização desses dados para verificar se o sistema reproduziu o mesmo comporta-
mento ou comportamento parecido.
e) Implementação da solução
Avaliadas as vantagens e a validade da solução obtida, esta deve ser convertida em
regras operacionais. A implementação é uma etapa crítica do estudo. É importante que seja
controlada por uma equipe responsável e com poder de decisão, pois a nova solução, quan-
do colocada em prática, pode exigir mudanças na empresa, afetando os vários setores.
f) Avaliação final
A avaliação dos resultados é fundamental em qualquer etapa do processo. A avaliação
final possibilita identificar pontos fracos e possíveis gargalos que devem ser corrigidos em
ações posteriores. Um fator importante na avaliação final é a experiência do pessoal envol-
vido no estudo.
EaD
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PESQUISA OPERACIONAL
Seção 1.3
Pesquisa Operacional e a Relação com o Processo Decisório
As ferramentas de Pesquisa Operacional fornecem instrumentos para as tomadas de
decisão. Dessa forma, é importante entender os principais conceitos de decisão. Decisão pode
ser descrita como o curso de ação escolhido por alguém (pessoa, instituição) para alcançar os
objetivos desejados, ou seja, para resolver um problema que incomoda (Andrade, 2000).
É o resultado de um processo que se desenvolve a partir do momento em que um
problema foi detectado, mediante a percepção de alguns sintomas. O processo de decisão
empresarial se inicia quando uma pessoa ou grupo percebe sintomas de que algo está erra-
do. A partir dessa percepção inicia-se a busca pela identificação do problema. Na sequência
do livro-texto serão abordadas as características do processo decisório, como as decisões
são classificadas, a qualidade das decisões e os obstáculos a uma decisão de qualidade.
1.3.1 \u2013 CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DECISÓRIO
Andrade (2000) destaca quatro características principais do processo decisório. São elas:
\u2022 o processo de decisão é sequencial;
\u2022 é um processo complexo;
\u2022 é um processo que envolve valores subjetivos;
\u2022 é um processo desenvolvido dentro do ambiente institucional com regras mais ou menos
definidas e, até certo ponto, inflexíveis.
a) Processo sequencial
Parte do pressuposto de que todas as decisões são consequências de uma série de fatos
anteriores que criaram as bases do processo decisório. Isso significa que uma decisão é um
conjunto de muitas outras decisões que se desenvolvem durante um longo período de tempo.
b) Processo complexo
Os processos decisórios são extremamente complexos. Vários são os fatores que con-
duzem a esta afirmação. Primeiramente, podemos afirmar que quase sempre as informações
relacionadas ao problema são insuficientes. Além disso, o processo decisório envolve inter-
relacionamento entre pessoas, em que interesses pessoais muitas vezes se sobrepõem aos
interesses organizacionais.
EaD Martin Ledermann \u2013 N iv ia Maria Kinalski
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O processo decisório também inclui interesses e objetivos diferentes dos participantes.
Em situações em que há um grande número de interesses antagônicos, o processo decisório
torna-se lento, incerto e, muitas vezes, ineficaz. A complexidade do processo decisório tam-
bém se confirma pelo estilo de liderança dos administradores, que podem ser centralizadores
ou descentralizadores. Outros fatores que fazem do processo decisório um processo comple-
xo são:
\u2022 tamanho do grupo de decisão;
\u2022 tipos de sistemas de informações gerenciais;
\u2022 tipos de decisões que devem ser tomadas e
\u2022 nível de decisão dentro da empresa.
c) Processo inclui valores subjetivos
Decisões são tomadas por pessoas. Por mais que se busque a participação coletiva
no processo decisório e que esta seja baseada em dados e informações, quem realmente
decide é um conjunto limitado de pessoas. E é nesse momento que os fatores intuitivos,
provenientes da experiência pessoal e da personalidade de quem decide, se fazem pre-
sentes.
Não se quer aqui negar a importância desses fatores no processo de decisão. Muito
pelo contrário, é o uso desses fatores que diferencia o bom do mau administrador (Andrade,
2000).
d) Processo em ambiente institucional
A estrutura organizacional influencia diretamente o processo de tomadas de decisão
nas organizações. Qual, entretanto, é a estrutura mais indicada para desenvolver decisões
eficazes? Aquela centralizada em uma ou poucas pessoas, mais verticalizada? Ou a melhor
estrutura é aquela em que todas as pessoas pertencentes à empresa têm participação direta
e efetiva no processo?
É difícil encontrar uma resposta exata para esses questionamentos.