Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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estudadas na
Unidade 3).
Assim sendo, vamos aprofundar nossas investigações bibliográficas sobre os
paradigmas de Administração \u2013 uma \u201cnova forma de ver o mundo\u201d da Administração na
seção 2.2.
Anos Teorias Administrativas 
1903 Administração Científica* 
1909 Teoria Burocrática* 
1916 Administração Clássica* 
1932 Teoria de Relações Humanas 
1947 Teoria Estruturalista* 
1951 Teoria de Sistema 
1953 Abordagem Sociotécnica 
1954 Teoria Neoclássica 
1957 Teoria Comportamental 
1962 Desenvolvimento Organizacional 
1972
1980
 Teoria Contingencial
Novos Paradigmas
 
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Seção 2.2
Um Novo Olhar Para a Teorização da Administração:
paradigmas de administração
Esta seção tem o propósito de apresentar uma maneira diferente de estudar a Adminis-
tração, ou seja, por meio dos paradigmas da Administração é possível reconstruir a história
da Administração e resgatar seus fundamentos principais, dividindo-os em dois grandes
blocos:
a) paradigmas formadores da administração;
b) paradigmas contemporâneos da Administração, que são apresentados no Quadro 3, como
parâmetros para a formação do conhecimento administrativo.
Quadro 3: Paradigmas da administração
Fonte: Nogueira (2007, p. 106).
A partir de agora vamos tentar explicar cada um dos paradigmas destacados por No-
gueira (2007, p. 106), a saber:
Paradigma técnico-
administrativo 
Composto pe las contribuições de Taylor, Ford, 
Fayol e Weber. 
Paradigma humanista e 
comportamental 
Formado pelas contribuições iniciais de Elton Mayo 
e pelas abordagens psicológicas e sociais que 
influenciam as noções de motivação e liderança. 
Paradigmas 
formadores da 
administração 
Paradigma 
organizacional 
Constituído pelas teorias e pelo estudo do poder, 
das modalidades e da dinâmica das organizações. 
Paradigma sistêmico e 
estratégico 
Composto pela teoria dos sistemas, pela
administração estratégica e pela abordagem 
sociotécnica. 
Paradigma da qualidade 
e da participação 
Formado pela administração da qualidade total, 
pela administração participativa e pelo modelo 
japonês de administração, que sintetizou de forma 
eficaz as duas noções no que se refere a 
resultados operacionais para o mundo global dos 
negócios. 
Paradigmas 
contemporâneos 
da administração 
Paradigma da 
reestruturação flexível
aprendizagem e
conhecimento
 
Originado fundamentalmente da extensão do 
modelo japonês para o mundo por meio da 
reestruturação produtiva, da busca da flexibilidade 
organizacional e da competitiv idade como diretriz 
estratégica. 
 
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a) Ênfase nos aspectos técnicos e administrativos (meios de produção, sistemas de contro-
le, metas e objetivos, eficiência e produtividade, etc), que remete às premissas econômi-
cas, técnicas e racionais de seus fundadores no início do século 20.
b) Ênfase no entendimento da organização no contexto social, econômico e político do
pós-guerra (2ª Guerra Mundial), que discute e complementa os paradigmas anteriores.
Constitui o momento de maior estruturação e burocratização das organizações das soci-
edades capitalistas e das sociedades socialistas em expansão.
c) Ênfase nos elementos psicológicos, pessoais e sociais (como comportamentos, atitudes,
formas de relacionamento no trabalho, grupos informais, motivação e liderança), que
complementa o paradigma técnico-administrativo com experiências e propostas desen-
volvidas a partir da década de 30 do século 20.
d) Ênfase nas mudanças estruturais e nos valores da sociedade \u2013 chamada de sociedade das
organizações. Neste contexto, a noção de homem organizacional ganha espaço na teoria
da Administração e o indesejável conflito de interesses dos paradigmas anteriores passa a
ser encarado como natural e administrável. O homem organizacional é aquele que tem
capacidade de formar uma visão múltipla e integrada das organizações e mostra habilidade
nos relacionamentos interno e externo das diversas modalidades de organização.
Com essas referências apresentadas, construiu-se uma visão relativamente consensual
do significado da Administração e da gestão. \u201cNa teoria, são doutrinas e modelos gerados
para planejar, organizar, dirigir e controlar as atividades empresariais e, na prática, manei-
ras de tomar decisões sobre recursos disponíveis a fim de atingir objetivos\u201d (Nogueira, 2007,
p. 107).
É importante destacar que neste componente curricular não serão aprofundados os
estudos de todos os paradigmas apresentados no Quadro 3, porém neste momento é im-
portante que você tenha uma visão sistêmica e global do que abrange o estudo dos
paradigmas da Administração. Sendo assim, vamos resumidamente dar a dimensão do
que trata cada um deles. O paradigma técnico-administrativo e organizacional será dis-
cutido na Unidade 3.
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
O primeiro momento da gestão relaciona-se com a transferência do conhecimento dos
trabalhadores sobre o processo de execução do trabalho e da produção para a instância da
gerência, dividindo, assim, as atividades de planejamento, organização, execução e contro-
le. Esta foi a principal tarefa iniciada pelo taylorismo e desenvolvida pelo fordismo e fayolismo,
cujas contribuições formam um paradigma centrado no controle sobre o trabalho e sobre a
empresa para maximizar os resultados econômicos.
A administração das organizações tem como foco a recompensa econômica,
que se resume aos salários dos trabalhadores.
Com a formação do paradigma humanista, a ênfase desloca-se da recompensa materi-
al para a recompensa social e simbólica, sem significar uma ruptura com o paradigma técni-
co-administrativo. O trabalhador passa a ser visto como pessoa, com necessidades que in-
cluem relações interpessoais, o sentir-se bem no grupo e o reconhecimento social.
A partir de então as escolas de gestão começam a responder de modo mais sofisticado
aos problemas do trabalho e das organizações na consecução de seus objetivos.
As abordagens estruturalistas, comportamentais e sistêmicas consideram que as pes-
soas são adaptáveis às empresas e às funções, ou seja, os objetivos individuais podem se
adaptar e compartilhar interesses pessoais com os objetivos organizacionais. Neste momen-
to se admite que o conflito entre capital e trabalho existe, e passa a ser administrável, refle-
tindo-se na proposta de recompensas mistas ao trabalhador: aspectos materiais, simbólicos
de reconhecimento, atitude e comportamento.
No âmbito dessa abordagem a \u201corganização é o espaço da integração cooperativa e
sistêmica, aberta ao contexto externo, ou seja, ao mercado e à sociedade, que se tornam o
alvo e o problema da gestão\u201d (Nogueira, 2007, p. 108).
O paradigma sistêmico e estratégico (pertencente ao bloco do paradigma contemporâ-
neo) desenvolve parâmetros cuja finalidade é adaptar a empresa ao contexto externo em
que ela se insere. Entende que o subsistema social, composto pelas pessoas e por sua forma
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de comportamento, deve integrar-se ao subsistema técnico, cons-
tituído pelos aspectos visíveis e identificáveis nas organizações,
como estrutura, máquinas e equipamentos, hierarquia e regras
explícitas.
Este paradigma tem seu foco em obter a integração
funcional no contexto interno das empresas para garantir
seu desempenho no contexto externo do mercado e da
sociedade.
A teoria dos sistemas (paradigma sistêmico e estratégico)
entende a organização pela interação das partes componentes
dos subsistemas, como recursos humanos, produção, tecnologia,
finanças e marketing. Cada uma das partes deve contribuir para
o alcance do objetivo geral do sistema, que é criar uma relação
positiva com o contexto externo, ocorrendo sempre a avaliação e
o retorno de informações sobre o funcionamento do \u201csistema em-
presa\u201d no \u201csistema mercado\u201d, o que se chama de feedback.
Destacam-se, no paradigma sistêmico, as abordagens
sociotécnica, contingencial e estratégica, que, por sua