Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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importân-
cia, acabam por se definir como subparadigmas de gestão.
No paradigma contemporâneo as organizações tendem a
se descentralizar e a desenvolver mecanismos de participação, tor-
nando suas formas de gerência e liderança mais consultivas e
democráticas e promovendo a formação de grupos de trabalho na
produção.
É neste momento que ocorre a passagem do paradigma téc-
nico-administrativo (taylorista e fordista) para o paradigma
humanista e participativo, que amplia o escopo do trabalho.
Escopo
É um conjunto de quesitos em
que se quer atuar, podendo
ser implícito (associado às
expectativas e desejos) ou
explícito, controlável pelos
processos, apoiado em
documentos (projeto).
Ou
Escopo: especificação do limite
dentro do qual os recursos de
sistema podem ser utilizados.
EaD
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Se analisarmos os modelos de gestão dos americanos, eu-
ropeus e japoneses teremos o registro das seguintes característi-
cas, expressas no Quadro 4.
Quadro 4: Foco no modelo de gestão
Fonte: Elaborado com base em Nogueira (2007, p. 109).
Agora que você já tem uma visão mais ampla dos
paradigmas formadores e contemporâneos da Administração, va-
mos apresentar as contribuições de Fernando Prestes Motta para
identificar os paradigmas e os modos de gestão, a partir de cinco
categorias de análise teórica para delimitar os movimentos das
escolas de Administração, conforme a seção 2.3.
Americano 
Enriquecimento de cargos e tarefas, 
comportamento organizacional cooperativo e 
sistema participativo. 
Europeu 
Formação de grupos semi-autônomos, cuja 
experiência mais avançada foi o volvismo. 
Japonês 
Toyotismo, caracterizado pelos grupos de 
controle de qualidade e pela participação, 
flexibilidade e polivalência no trabalho. O 
toyotismo preconiza a organização enxuta, 
flexível e de qualidade, voltada para a demanda 
(o cliente), determinada pela introdução intensiva 
das tecnologias microeletrônicas. 
 
Volvismo
Também se trata de um
modelo de produção, que se
assemelha a um cérebro e cria
ao mesmo tempo: a)
conectividade e redundância;
b) especialização e generaliza-
ção. A organização é vista
como um sistema de
processamento de informa-
ções; um sistema holográfico
(consiste na reconstrução de
ondas, o que possibilita uma
espécie de fotografia inteira e
tridimensional \u2013 Crema, 1989)
e com capacidade de auto-
regulação. O objetivo do
modelo é dotar a organização
do máximo de flexibilidade e
capacidade de inovação. Deste
modelo surgiu a empresa
automobilística Volvo.
Toyotismo
É um sistema japonês de
gerenciamento do modelo da
indústria automobilística do
engenheiro japonês, dos anos
50, chamado Eiji Toyoda e de
seu especialista em produção,
Taichi Ohno. Neste sistema de
produção as mercadorias
deveriam ter um giro rápido,
eliminando estoques e adotan-
do o conceito de produção
flexível. Desta forma foi que
nasceu a mais eficiente
empresa automobilística \u2013
Toyota.
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Seção 2.3
Escolas de Administração e Categorias de Análise
As diversas escolas da Administração sustentadas pelas teorias que lhes proporcionam
a melhor base de apoio neste processo de entendimento e de aplicação da Administração
foram classificadas em cinco categorias de análise teórica (Quadro 5): a concepção da orga-
nização, as relações entre Administração e empregados, os sistemas de incentivos ou recom-
pensas, a concepção da natureza humana e os resultados esperados.
Estas categorias foram definidas pelos enfoques teóricos e metodológicos
caracterizadores das escolas de Administração:
a) enfoque prescritivo e normativo: os elementos da Administração são uma norma ou um
dever-ser;
b) enfoque explicativo: combina elementos para explicar os fenômenos organizacionais;
c) enfoque prescritivo e explicativo: leva em conta as mudanças tanto nos aspectos estrutu-
rais e objetivos quanto nos comportamentais e subjetivos.
Quadro 5: Escolas de administração e suas características
Fonte: Adaptado de Nogueira (2007, p. 111).
Escolas 
Administração 
Científica e 
Clássica 
Teoria 
Burocrática 
Relações 
Humanas 
Estruturalismo Comportamental 
Teoria 
dos 
Sistemas 
Teorias da 
Contingência 
Foco/enfoque Prescritivo Padronizada Prescritivo Explicativo Explicativo Explicativo 
Prescritivo e 
Explicativo 
Conceito 
Organização 
Formal Formal Informal Misto Cooperação 
Sistema 
Aberto 
Situacional e 
variável 
Relação 
Empresa-
Trabalhador 
Identidade de 
Interesses 
Mecanicista 
e normativa 
Identidade 
de 
Interesses 
Conflito 
Inevitável 
Conflito Inevitável 
Conflito de 
papéis 
socais 
Conflito 
variável 
Incentivos e 
Recompensas 
Materiais Materiais Sociais Mistos Mistos Mistos Variáveis 
Conceito de 
Homem 
Econômico Burocrata Social Organizacional Administrativo Funcional Situacional 
Resultados Máximos Máximos Máximos Máximos Satisfatórios Máximos Variável 
 
EaD
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
No estudo dos paradigmas, das escolas e dos modos de Administração, é importante
realizar pesquisas sobre empresas específicas e, porque não, em empresas em que você está
inserido, focando estudos de caso \u2013 para identificar como operam nos contextos internos e
externos. É relevante para a construção de seu conhecimento a prática reflexiva de um caso
prático, tendo como base o instrumento do Quadro 6. Faça a escolha de uma organização e
tente sistematizar essa análise.
Quadro 6: Esquema para realização de estudo de caso em organização
Fonte: Construído a partir de Nogueira (2007, p. 112).
Da mesma forma, é importante ter claro que não existe uma única forma de estudar e
analisar os paradigmas da Administração. Por exemplo, iniciamos os estudos focalizando a
lógica de Nogueira (2007), mas poderíamos adotar as percepções mais críticas e complexas
propostas por Reed (apud Clegg; Hardy; Nord, 1998) e Morgan (1996). Apesar de não nos
aprofundarmos no estudo destas propostas, iremos apresentar uma síntese de cada uma delas
para que você possa ampliar suas possibilidades de leitura teórica dos estudos organizacionais.
Estudo de Caso O que observar na organização? 
Contexto Interno 
(voltada para si) 
Práticas organizacionais formais e informais. 
Estruturas e regras. 
Cargos e a hierarquia. 
Divisão do trabalho. 
Modos de recompensa e de motivação. 
Visão sobre as pessoas. 
Valorização do trabalho. 
Estilo de trabalho da empresa \u2013 políticas organizacionais 
relativas ao corpo social, ao meio técnico e à tecnologia. 
Formas de condução, direção e liderança. 
Modos de controlar os processos, de tomar decisões e de 
avaliar os resultados. 
M
O
DO
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DE
 
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\u2013
 
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RA
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AS
 
Contexto Externo 
Instalações físicas, pelos produtos e/ou serviços e pelo 
relacionamento com consumidores, fornecedores, 
sindicatos, governo e comunidade. 
Identificação do papel econômico e social da organização na 
sociedade e no mercado. 
 
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Reed (apud Clegg; Hardy; Nord, 1998, p. 66) em sua pro-
posta revela os conflitos históricos em que a análise organizacional
se desenvolveu \u2013 um campo deve ser mapeado e atravessado le-
vando-se em consideração as inter-relações entre os fatores pro-
cessuais e contextuais em torno dos quais a área emergiu, desen-
volvendo uma relação dialética com processos históricos e sociais,
como formas contestadas e pouco estruturadas de conceitualizar
e debater aspectos-chave da organização.
A discussão inicia-se a partir das metanarrativas ou narra-
tivas analíticas estratégicas (Quadro 7), por meio das quais o
campo de estudos organizacionais é constituído enquanto práti-
ca intelectual dinâmica, permeada de controvérsias teóricas e
conflitos ideológicos em torno da questão de como a \u201corganiza-
ção\u201d pode e deve ser. Este modelo de análise é bastante complexo
e atual.
Dialética
É a arte de raciocinar; lógica;
arte de argumentar ou discutir;
argumentação dialogada.
Disponível em:
<http://www.priberam.pt/dlpo/
definir_resultados.aspx>.