Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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Acesso em: 10 jan. 2009.
Modelo de 
metanarrativa 
interpretativa 
Problemática 
principal Perspectivas ilustrativas/exemplos Transições contextuais 
Racionalidade Ordem 
Teoria das organizações clássicas, 
administração científica, teoria da decisão, 
Taylor, Fayol e Simon. 
De Estado guarda-noturno 
a Estado industrial 
Integração Consenso 
Relações humanas, neo-RH, 
funcionalismo, teoria da 
contingência/sistêmica, cultura corporativa, 
Durkheim, Barnard, Mayo, Parsons. 
De capitalismo empresarial 
a capitalismo de bem-estar 
Mercado Liberdade 
Teoria da firma, economia institucional, 
custos de transação, teoria da atuação, 
dependência de recursos, ecologia 
populacional, teoria organizacional liberal. 
De capitalismo gerencial a 
capitalismo neoliberal 
Poder Dominação 
Weberianos neo-radicais, marxismo 
crítico-estrutural, processo de trabalho, 
teoria institucional, Weber e Marx. 
De coletivismo liberal a 
corporativismo negociado 
Conhecimento Controle 
Etnométodo, símbolo/cultura 
organizacional, pós-estruturalista, pós-
fordista/moderno, Foucault, Garfinkel, 
teoria do ator-rede. 
De industrialismo/ 
modernidade a pós-
industrialismo/pós-
modernidade 
Justiça Participação 
Ética de negócios, moralidade, democracia 
industrial, teoria participativa, teoria crítica, 
Habermas. 
Da democracia repressiva 
à democracia participativa 
 
Quadro 7: Metanarrativas em análise organizacional, propostas por Reed (1993 apud Clegg; Hardy; Nord, 1998).
Fonte: Clegg; Hardy; Nord, 1998, p. 65.
EaD
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Para maiores estudos e orientações de aprofundamento teórico sugere-se a leitura da
obra Handbook de estudos organizacionais: modelos de análise e novas questões em estu-
dos organizacionais, de Clegg, Hardy e Nord, 1998, vol. 1.
A lógica das metáforas proposta e discutida por Morgan (1996), supõe que cada uma
delas não pode capturar a natureza total da vida organizacional e as referidas metáforas
são explicitadas resumidamente no Quadro 8.
Metáforas Fundamentos de sua dimensão 
Mecânica 
Sua base é a racionalidade instrumental, utiliza concepções mecânicas 
e o desenho organizacional é comparado à máquina. As pessoas são 
valorizadas pelas habilidades instrumentais. Na definição das 
características organizacionais dá ênfase aos conceitos de estrutura 
formal e tecnologia. A organização é avaliada pela eficiência e visualiza-
a como um sistema fechado. Valoriza os objetivos operacionais 
específicos e os princípios organizacionais, ou melhor, a maneira de 
administrar. 
Orgânica 
As organizações são constituídas de partes mutuamente conectadas e 
dependentes para compartilhar uma vida em comum. Seu foco está em 
sua atividade vital, entendendo ser um sistema aberto, enfatizando as 
relações organização/ambiente e a continuidade da vida organizacional. 
Por ser considerada a organização uma entidade viva, compreende-se o 
fluxo constante de mudança e interação com o ambiente. Enfatiza a 
flexibilidade gerencial, a importância do uso e da aquisição de recursos 
e a relevância do processo organizativo mais que o simples alcance dos 
objetivos organizacionais. Valoriza aspectos contingenciais na 
Administração, com destaque à inovação como meio para atingir a 
flexibilidade e garantir a sua sobrevivência. Preocupa-se com a ecologia 
das organizações e com as relações interorganizacionais. 
Cérebro 
As organizações são sistemas de informações, que dependem do seu 
processamento. Elas são vistas como cérebros processadores de 
informações e ao mesmo tempo sistemas de comunicação e sistemas 
de tomadas de decisão. Por meio do processamento de informações é 
possível compreender as organizações e identificar as formas 
organizacionais. Esta metáfora favorece o aprendizado organizacional e 
a compreensão das capacidades de auto-organização; contribuições da 
Administração estratégica para o aprender a aprender; utilização dos 
meios para ir além da limitada racionalidade que caracteriza muitas 
organizações. 
 
EaD Marivane da Sil va
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Cultural 
A organização é vista como o lugar onde residem idéias, valores, 
normas, rituais e crenças que a sustentam como realidade socialmente 
construída. O contexto cultural é decisivo na natureza das organizações 
e sua cultura delineia o seu caráter organizacional. Sua ênfase está no 
significado simbólico ou em alguns aspectos racionais da vida 
organizacional. Centraliza sua atenção no lado humano da organização 
que outras metáforas ignoram ou encobrem e contribui para a 
compreensão da mudança organizacional. 
Política 
Uma organização política deve ser entendida como aquela que mensura 
os conflitos existentes e as várias maneiras de manifestação de poder 
consolidadas entre os grupos de interesses que a compõem. Fornece o 
conhecimento necessário para que se avalie o comportamento humano 
na organização baseada em interesses, conflitos e poder. Ajuda a 
aceitar a realidade da política como algo inevitável à vida organizacional, 
bem como reconhece as tensões entre os interesses dos indivíduos, dos 
grupos e das organizações, assim como reconhece as implicações 
sociopolíticas dos diferentes tipos de organizações e dos papéis que 
estas desempenham na sociedade. 
Prisão 
Psíquica 
É entendida como os aspectos inconscientes, afetivos, defensivos, 
ameaçadores e individuais de cada um, entrelaçados com os 
conscientes e racionais, de forma que, muitas vezes, os primeiros criam 
\u201cprisões\u201d que influenciam diretamente as atividades e as direções das 
organizações. Esta metáfora apresenta perspectivas para a exploração 
do significado oculto dos nossos mundos tidos como verdadeiros. 
Encorajam a conhecer o mundo do inconsciente e respectivo modelo de 
controle que aprisionam as pessoas e as empresas em modelos não 
saudáveis. Alertando para a racionalização ocorrida em excesso nas 
organizações e chama a atenção às bases éticas da organização ao 
reforçar que esta é humana no sentido mais complexo. Incentiva lidar 
com as relações de poder estabelecidas na vida organizacional e que 
todos nós desempenhamos um papel na construção destas relações 
inconscientes de poder e como este conhecimento pode ter um efeito 
fortalecedor. Ajuda a identificar as barreiras existentes ao caminho da 
inovação e da mudança. 
 
EaD
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Quadro 8: Metáforas discutidas por Morgan
Fonte: Elaborado com base em Andrade; Amboni, 2007, p. 27-28.
Será que você não está curioso para saber qual das oito metáforas é foco central de
discussão deste componente curricular? Caso não tenha descoberto, informamos-lhes que
se trata da metáfora mecânica, em que as organizações são comparadas à máquinas. Para
ajudar na sua compreensão, sugerimos ver o filme: O nascimento da Ford, que possibilitará
analisar as características de um modelo extremamente mecânico.
Fluxo e da 
transformação 
Significa compreender a lógica da mudança que dá forma à vida social. 
Enfatiza como as organizações são sistemas autoprodutores, que se 
criam nas suas próprias imagens. Propõe o entendimento da 
transformação ou da evolução dos sistemas vivos como resultados de 
mudanças geradas internamente. Enfatiza a maneira pela qual o sistema 
global de interações acaba por moldar seu próprio futuro. A outra lógica 
refere-se aos resultados de fluxos circulares de feedback positivo e 
negativo. Necessidade de pensar a mudança como círculos e não linhas 
e substitui a idéia da causalidade mecânica. A lógica seguinte sugere 
que a mudança seja o produto de uma lógica dialética por meio da qual 
todos os fenômenos tendem a gerar o seu oposto. Três princípios 
dialéticos podem explicar a mudança: 1) processos de mudanças 
autogerados, em que os fenômenos mudam a si próprios como 
resultado de tensões ante seus opostos; 2) explica como a mudança 
pode assumir um caráter de desenvolvimento, no sentido de que cada 
negação rejeita uma forma anterior (cultura anterior); 3) processos de 
mudança revolucionários