Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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em: 29 jan. 2009.
 
 
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Figura 1: Dimensão preponderante no paradigma técnico-administrativo
Fonte: Elaborado com base em Nogueira (2007).
Depois de ter claro que existem duas dimensões do pensa-
mento administrativo (objetivo e subjetivo) e que há prevalência
dos elementos técnicos e objetivos na Administração deste
paradigma, é possível afirmar que, este \u201cdefende a racionaliza-
ção da produção, a divisão de tarefas em múltiplas etapas, a su-
pervisão cerrada e a obediência hierárquica\u201d (Ferreira; Reis; Pe-
reira, 2002, p. 14).
Este paradigma foca a racionalidade como variável funcio-
nal, ou seja, é um processo contingente, pressupõe um objetivo
preeestabelecido, concentrando a aplicação dos meios; enfatiza
o processo e ignora o conteúdo, e ainda, subordina os objetivos
humanos aos requisitos operacionais da sociedade, caracterizan-
do-se pela racionalidade funcional ou instrumental.
Vamos agora aprofundar nossos estudos nas contribuições
clássicas do paradigma técnico-administrativo, de forma separa-
da, a começar pelo taylorismo na Seção 3.1.
 Elementos 
Técnicos, administrativos e econômicos \u2013 composto pela parte física e 
material: máquinas, sistemas, produtos, registros e dinheiro \u2013 tanto 
quanto por itens como regras, ordem, planejamento, objetivos, estrutura, 
etc. 
Formam a ESTRUTURA EXPLÍCITA, aparente e operacional, pela 
qual a sociedade reconhece, identifica e dimensiona a empresa. 
Subordina-se a este processo a DS de uma organização, composta 
pelo meio social (formado pelas pessoas que realizam o trabalho). Os 
aspectos pessoais, comportamentais e sociais dessas dimensões são 
simplificados por uma redução à noção de RECURSO ou FATOR DE 
PRODUÇÃO, segundo a teoria econômica posta em prática pela 
administração. 
Os elementos da Dimensão OBJETIVA precedem os elementos da Dimensão 
Subjetiva, que se referem às pessoas. O alerta e o ponto fraco do paradigma eram: as 
pessoas eram vistas como instrumentos de produção para alcançar a eficiência para a 
organização. 
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Taylorismo ou
Administração científica
É o modelo de administração
desenvolvido pelo engenheiro
estadunidense Frederick
Winslow Taylor (1856-1915),
que é considerado o pai da
administração científica.
Caracteriza-se pela ênfase nas
tarefas, objetivando-se
aumentar a eficiência da
empresa aumentando-se a
eficiência ao nível operacional.
Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/
Taylorismo.
Acesso em 3 dez. 2008.
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Seção 3.1
Taylorismo
O cenário econômico daquela época era capitalista e industrial, marcado pelo avanço
da industrialização, fato que levou à preocupação com o aumento da eficiência econômica
e a redução dos desperdícios; é a razão principal da origem do modelo taylorista.
A contribuição de Taylor foi pensar na maximização da eficiência e da
produtividade por meio da racionalização e do controle de trabalho.
Imagino que você esteja se perguntando: Quem era Frederick Winslow Taylor? Qual sua
origem? Vou contar um pouco dele para você, tendo como fonte os dados de Silva (2002, p. 117):
Frederick Winslow Taylor nasceu na Filadélfia, Pensilvânia/Estados Unidos em 20 de março de
1856, de uma família Quaker, e teve uma educação básica rígida e disciplinada, com conheci-
mentos clássicos de francês e de alemão e viagens ocasionais pela Europa.
Aos 18 anos, apesar de aprovado nos exames de Harvard para o curso de Direito, Taylor resolveu
iniciar seu aprendizado como operário, numa pequena metalúrgica da Filadélfia, aí permane-
cendo por quatro anos.
Em 1878, Taylor mudou-se para a Midvale Steel Co., também na Filadélfia, como trabalhador
comum de uma indústria metalúrgica. Nesta empresa, Taylor passou de operário a engenheiro
chefe, em 1884, por ter-se graduado no Stevens Institute of Technology de Hoboken, New Jersey,
em 1883.
Seus doze anos na Midvale (1978-1889) serviram de base para as suas idéias sobre administra-
ção de oficinas. Sua personalidade era analisada como:
a) experimentador e pesquisador;
b) autor e divulgador dos seus experimentos;
c) formador de uma equipe e linha de pensamento.
Taylor revolucionou os processos tradicionais dos métodos de trabalho através da aplicação de
\u201cmétodos científicos\u201d a muitas empresas norte-americanas. Ele não possuia treinamento em
Administração e se baseava somente nas suas investigações sobre o que deveria ser feito.
Faleceu em 21 de março de 1915.
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Agora que você já sabe um pouco do clássico da Administração, conhecido como o
\u201cpai da Administração Científica\u201d, vamos dar continuidade à exposição do que é este
paradigma!
Silva (2002) afirma que os estudos de Taylor se dividem em duas fases, cada uma
correspondendo à publicação de um livro:
1ª) Administração de Oficinas (1903), que tratava exclusivamente de técnicas de racionali-
zação do trabalho do operário, por meio do estudo dos tempos e movimentos;
2ª) Princípios de Administração Científica (1911), apresentava os seus estudos sobre Adminis-
tração geral, que denominou Administração Científica, sem deixar, contudo, a preocupa-
ção com relação às tarefas dos operários. Não se tratava apenas de um modo de adminis-
trar, mas de um desejo de universalização dos princípios e normas administrativas.
Na primeira obra Taylor relatou a experiência de análise e construção de técnicas para
racionalizaçaõ do trabalho. Com um cronômetro constatava quanto tempo era gasto na
realização de uma tarefa, como ela era feita e a que preço, o que serviu de base para redefinir
como o trabalho deveria ser realizado e medir a produtividade.
As conclusões finais de sua obra \u201cAdministração de Oficinas\u201d sintetizam:
Objetivo de uma boa administração: pagar altos salários e ter baixos custos de produção;
Administraçâo: deveria aplicar métodos científicos de pesquisa e experimento, a fim de formu-
lar princípios e estabelecer processos de padronização para o controle das operações de produ-
ção;
Empregados: deveriam ser cientificamente colocados em postos em que os materiais e condi-
ções de trabalho também fossem cientificamente selecionados, para que as normas fossem cum-
pridas;
Alta direção: deveria desenvolver uma atmosfera de cooperação para com os trabalhadores, de
modo a garantir um ambiente de trabalho adequado (adaptado de Silva, 2002, p. 120).
A obra \u201cPrincípios de Administração Científica\u201d sintetiza quatro princípios básicos e
sete secundários, conforme Chiavenato (1999, p. 39):
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Princípios básicos de Taylor:
1. Princípio do planejamento: substituir o trabalho individual do operário pelo trabalho em
conjunto (em série), a improvisão e a atuação empírico-prática por métodos baseados nos proce-
dimentos científicos. Este princípio é de responsabilidade da gerência e o operário tem apenas o
papel de executor da tarefa.
2. Príncipio do preparo: selecionar cientificamente os trabalhadores e prepará-los e treiná-los
para produzirem mais e melhor, sendo esta uma incumbência da gerência.
3. Príncipio do controle: controlar o trabalho para se certificar de que ele está sendo executado
de acordo com as normas estabelecidas e segundo o plano previsto. O controle deve focalizar as
exceções ou desvios de padrões. A gerência deve verificar as ocorrências que se afastam dos
padrões para corrigi-las adequadamente.
4. Princípio da execução: distribuir distintamente as atribuições e as responsabilidades para
que a execução do trabalho seja a mais disciplinada possível.
Princípios secundários de Taylor:
1. Estudo de tempos e movimentos: para eliminar movimentos inúteis e racionalizar o traba-
lho do operário e estabelecer o método ideal de trabalho, ou seja, a melhor maneira de executar
o trabalho.
2. Seleção científica do trabalhador: processo seletivo para adequar as pessoas às tarefas