Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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vizinha Detroit, para trabalhar como aprendiz de operador de máquinas,
primeiro na empresa James F. Flower & Bros., e mais tarde na Detroit Dry Dock Co.
Em 1882 ele retornou a Dearborn para trabalhar na fazenda da família e se tornar experiente na
operação dos motores a vapor portáteis da Westinghouse. Aos 19, Ford entrou para a Companhia
Westinghouse, no conserto e na montagem de locomóveis a vapor. Em 1885, trabalhando como
mecânico das oficinas da Eagle Motor Works, em Detroit, seu interesse se concentra nos motores
à explosão. Dois anos depois Ford construiu seu primeiro motor desse tipo, movido à gasolina.
Ford se casou com Clara Jane Bryant (1865-1950) em abril de 1888, e se sustentava com a
exploração da fazenda e mantendo uma serraria. Eles tiveram um único filho, Edsel Bryant Ford
(1893-1943) e adotaram um da China.
Por volta do ano de 1890 Ford assumiu o lugar de engenheiro maquinista na cidade de Detroit na
Edison Illuminating Company. Em 1893, após sua promoção ao cargo de engenheiro chefe, Ford
passou a ter bastante tempo e dinheiro para dedicar-se às suas experiências pessoais com moto-
res à gasolina. Estes experimentos culminaram em 1896 com a conclusão de seu próprio veículo
automotor denominado Quadriciclo, que ele dirigiu em teste em 4 de junho. Depois de vários
testes, Henry Ford planejou formas de melhorar o quadriciclo.
Sua primeira empresa foi a Detroit Automobile Company, sob a responsabilidade de ser engenhei-
ro chefe, entretanto a fábrica fechou devido à discordância com os outros diretores em relação à
adoção da produção em massa como modelo padrão. Anos mais tarde montou outra empresa,
esta voltada para carros de corrida, contudo a produção desses carros não obteve êxito. Mesmo
assim, Ford persistiu com a idéia e juntamente com o projetista Harold Wills montou o chamado
carro 999, com o qual Barney Oldfield se tornou campeão, divulgando o carro em todo país. Esse
passo foi importante, pois o rendimento financeiro proveniente do sucesso de seu carro deu
suporte financeiro a suas idéias e assim a Ford Motors Company foi fundada, em 1903, juntamente
com outros 11 investidores e 28.000,00 dólares de capital.
Ford maravilhou o mundo em 1914, oferecendo o pagamento de 5 dólares por dia, o que
mais do que duplicou o salário da maioria dos seus trabalhadores. O movimento foi extrema-
mente rentável; no lugar da constante rotatividade de empregados, os melhores mecânicos
de Detroit afluíram para a Ford, trazendo seu capital humano e sua habilidade, aumentando
a produtividade e reduzindo os custos de treinamento. Ford chamou isso de \u201csalário de mo-
tivação\u201d. O uso da integração vertical pela empresa também provou ser bem-sucedida quan-
do Ford construiu uma fábrica gigantesca, onde entravam matérias-primas e de onde saíam
automóveis acabados.
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O Ford Modelo T foi apresentado no dia 1º de outubro de 1908. Por volta de 1918, metade dos
carros na América do Norte eram Modelos T. A alta produção conseguida por Ford tem como
característica marcante a escolha de uma única cor de veículo, a preta.
Ford criou um sólido sistema de publicidade em Detroit para garantir que cada jornal transmi-
tisse notícias e anúncios sobre o novo produto. A rede de concessionários locais de Ford tornou o
carro onipresente em praticamente todas as cidades da América do Norte. Como revendedores
independentes, as franquias enriqueceram e fizeram a propaganda não apenas de Ford, mas
também do próprio conceito de automobilismo; clubes locais de automóveis surgiram para
ajudar novos motoristas e para explorar o campo. Ford foi sempre ávido para vender aos fazen-
deiros, que viram no veículo um dispositivo comercial para ajudar em seus negócios.
As vendas subiram rapidamente \u2013 vários anos tiveram 100% de lucros em relação ao ano
anterior. Sempre na busca de maior eficiência e menores custos, em 1913 Ford introduziu a
montagem em esteiras em movimento nas suas instalações, o que permitiu um enorme au-
mento da produção.
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford>. Acesso em: 13 jan. 2009.
A consolidação do fordismo como um processo de produção em massa por meio da
linha de montagem, a partir de 1914, confunde-se com o estilo de vida e o padrão de consu-
mo desenvolvido no mundo ocidental durante todo o século 20.
Inspirado na visão taylorista sobre especialização e divisão do trabalho, Ford visualizava
sua força de trabalho (trabalhadores) não apenas como mão-de-obra, mas como um públi-
co-alvo de consumo. Por isso, inovou no incentivo monetário ou do interesse econômico do
trabalhador como meio de controle e gestão.
Ao pagar salários acima da média do mercado permitiu aos trabalhadores terem um
padrão de vida e de consumo elevado, impulsionando significativamente o progresso econô-
mico e social dos EUA. Com isso, Ford agrega às visões taylorista e fayolista, acrescentando:
\u201cO trabalhador é um consumidor\u201d (Nogueira, 2007, p. 123).
A principal obra publicada no Brasil denomina-se \u201cOs princípios da prosperidade\u201d, em
1967, traduzida por Monteiro Lobato, que o considera um gênio, pela seguinte razão: Ford
\u201cenriqueceu enriquecendo a humanidade, enriquecendo e tornando feliz o operário, enri-
quecendo e facilitando a vida do consumidor\u201d (Lobato, apud Nogueira, 2007, p. 124).
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Se analisarmos os produtos e serviços de nosso cotidiano perceberemos que os funda-
mentos do fordismo ainda estão presentes na sociedade contemporânea, globalizada e capi-
talista.
O ensinamento do paradigma fordista é o controle sobre o processo de trabalho e pro-
dução. Ele foi capaz de determinar o ritmo e o tempo do processo de produção, quase sem
levar em conta o desempenho de cada trabalhador. A compensação financeira por dia de
trabalho refletia-se em filas intermináveis por emprego na Ford, que chegou a ter 80 mil
trabalhadores em uma única fábrica.
O resultado prático do modelo fordista foi uma redução radical no custo do processo
produtivo e dos automóveis, bem como no tempo despendido na realização das tarefas. Com
a adoção da linha de montagem, o tempo necessário para fabricar um automóvel caiu de 12
horas e 30 minutos para 1 hora e 30 minutos, o que elevou a produtividade e permitiu
aumentar os salários dos trabalhadores.
Na década de 30, porém, o sistema deu mostras de esgotamento, o mercado se retraiu,
o desemprego cresceu e a Ford enfrentou a primeira greve da sua história. Nessa epoca
consolida-se o sindicalismo nos Estados Unidos e se reconhecia o direito de negociação pela
classe trabalhadora. A partir deste fato ficaram evidentes os limites do fordismo e as contra-
dições do modelo, apesar de ser mundialmente socializado e com reflexos visíveis nas áreas
de prestação de serviços públicos e privados.
Sintetizando a Unidade, podemos afirmar que a combinação dos elementos do
taylorismo e do fordismo, somada ao conceito da função administrativa de Henri Fayol e aos
princípios de organização burocrática (ainda a ser estudado), forma o paradigma técnico-
administrativo, constituinte da abordagem (ou escola) clássica da Administração.
O trio Taylor, Fayol e Ford são inesquecíveis no campo da Administração, prevalecen-
do por quase todo o século 20 e ainda muito presente na mentalidade de todos os gestores e
estudiosos da atualidade.
Ainda cabe destacar que outros modelos ou paradigmas foram importantes para a
indústria automobilística brasileira, tais como o toyotismo e o volvismo.
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Se voltar à leitura da obra de Morgan (1996) você vai encon-
trar suas metáforas para explicar a complexidade da organização e
da administração e identificá-las aos paradigmas como:
a) Fordismo = máquina; b) Toyotismo = organismo; c)
Volvismo = cérebro.
A imagem das organizações vista como máquinas colocam
as pessoas nesta mesma metáfora e moldam o trabalho com prin-
cípios mecânicos; horários rígidos;