Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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a pro-
cura por uma teoria das organizações apontou Max Weber e seu modelo burocrático.
Os estudos e trabalhos de Weber estavam cronologicamente paralelos aos estudos de
Taylor e Fayol (Silva, (2002, p. 160, e em parte disponível em: <http://pt.wikipedia.org/
wiki/Max_Weber>. Acesso em: 12 jan. 2009.
Agora vamos descobrir o que era a burocracia de Weber.
Weber concebeu o que seria a burocracia ideal, cujo modelo procura estabelecer estru-
tura, estabilidade e ordem nas organizações por meio de uma hierarquia integrada de ativi-
dades especializadas, definidas por regras sistemáticas, ou seja, o paradigma burocrático
surgiu da \u201cnecessidade de criar um modelo organizacional que considerasse todos os aspec-
tos organizacionais, humanos e estruturais\u201d (Oliveira; Silva, 2006, p. 82).
Entendendo a afirmativa, você saberia listar as características da burocracia?
Vamos buscar o apoio de Silva (2002, p. 161) para ajudá-lo a defini-las:
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a) Divisão do trabalho: as atividades são desmembradas em tarefas simples, de tal modo que
qualquer pessoa, de qualquer tipo de organização, poderia se tornar especializada num
tempo mínimo; a especialização torna o trabalho humano intercambiável e gera eficiên-
cia organizacional. Cada posição possui suas funções de responsabilidades e delegação
de autoridade competentes definidas claramente.
b) Hierarquia de autoridade: posições ou empregados são organizados de modo a formar a
hierarquia (cadeia de comando) na qual a organização está estruturada; cada posição
apresenta responsabilidades e deveres específicos, bem como privilégios.
c) Racionalidade: todos os membros da organização são selecionados com base na qualifi-
cação técnica para um desempenho adequado; as promoções ocorrem por desempenho e
capacitação técnica (mérito);
d) Regras e padrões: as decisões gerenciais são guiadas por regras, disciplina e controles,
relacionados à conduta dos deveres oficiais, aplicados de forma impessoal tanto aos em-
pregados da organização quanto aos clientes, fora dela.
e) Compromisso profissional: os administradores trabalham por salários fixos e não são os
donos dos negócios que administram; os gerentes são treinados para as atividades admi-
nistrativas visando à melhor qualificação para o alcance da eficiência organizacional e
para o controle das atividades dos empregados.
f) Registros escritos: com o objetivo de estabelecer continuidade organizacional e uniformi-
dade de ação, as burocracias mantêm registros, elaborados para detalhamento das tran-
sações da organização.
g) Impessoalidade: as regras e os procedimentos são aplicados de modo uniforme e im-
parcial; todos os funcionários são avaliados de acordo com regras objetivas, de tal
modo que não se permita ao superior fazer considerações pessoais ou emocionais
nas avaliações.
Com base nestas características é possível fazer a seguinte constatação:
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Ao analisar o tipo ideal de burocracia verificou-se que se tratava de técnicos ou admi-
nistradores profissionais que se dedicavam a seus cargos mesmo não possuindo o domínio
dos meios administrativos que determinam as funções e competências desses cargos. Esse
poder é da burocracia e não dos ocupantes dos cargos.
As organizações modernas são estruturas burocráticas, de poder e de autoridade. A autoridade
tradicional apóia-se em procedimentos legitimados pelo uso continuado; a autoridade
carismática centra-se na figura de um líder pessoal; a autoridade moderna tem como base a
racionalidade legal (Nogueira, 2007, p. 154).
Resumindo as características apresentadas anteriormente, pode-se afirmar que o mo-
delo burocrático de Weber decorre de seu estatuto legal e de sua competência funcional
baseada em regras racionais, nos limites técnicos dessa competência e em uma ordem im-
pessoal e universalista.
A autoridade racional-legal é a forma de dominação legítima,
fundamentada em regras, que caracteriza a organização burocrática.
No Quadro 1 vamos apresentar as diferenças entre os tipos de autoridade.
Quadro 1: Diferenças entre os tipos de autoridade
Fonte: Adaptado de Nogueira (2007, p. 155); Neto (2001, p. 38).
Tipos de 
Autoridade 
Concepções Poder Sociedade 
Autoridade 
racional-legal 
Envolve um corpo administrativo 
organizado e toma a forma de 
burocracia. 
Mérito (regras, 
padrões) 
Normas impessoais 
(empresas e 
exército) 
Autoridade 
tradicional 
É imposta por procedimentos 
considerados legítimos em nome da 
tradição. 
Herdado 
(tradição, 
costume) 
Patriarcal (família, 
medieval) 
Autoridade 
carismática 
Depende da legitimidade do líder 
diante de seus seguidores, envolve 
lealdade pessoal e geralmente se 
opõe à ordem estabelecida. 
Delegável 
(\u201cheroísmo\u201d) 
Personalística 
(partidos) 
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Muniz e Faria (2007, p. 56) afirmam que a burocracia não
deixa de ser:
(.. .) uma forma de organização humana que se baseia na
racionalidade adequada dos meios para atingir objetivos pre-
tendidos, a fim de prestar a máxima eficiência no alcance dos
objetivos. (...) um sistema social organizado mediante normas
escritas, visando à racionalidade e à igualdade no tratamento
de seu público.
Weber preocupou-se apenas com as relações formais entre
os elementos da burocracia, ignorando a organização informal e
os fatores humanos e sociais do comportamento, gerando, desta
forma, o homem burocrata (volte ao Quadro 5 da Unidade 2),
cujo comportamento é padronizado, previsto e funcional, pois o
rigor das normas institucionais não permite um comportamento
espontâneo, criativo e inovador .
A percepção da função das organizações burocratas é:
Reproduzir o sistema político-econômico dominante, seja
ele capitalista ou socialista (Nogueira, 2007, p. 156).
Robert K. Merton criticou o modelo de Weber afirmando
que apresentava muitas disfunções e que este:
(...) idealizou uma organização que na prática não consegue
funcionar com o rigor determinado pelas características essen-
ciais da burocracia, gerando, assim, imprevisões ou disfunções,
cujo prejuízo está no desempenho das tarefas e na inexecução
total ou parcial dos objetivos organizacionais (Muniz; Faria,
2007, p. 57).
Robert K. Merton
Nasceu em 4 de julho de 1910
e morreu em 23 de fevereiro
de 2003. Nascido Meyer R.
Schkolnick, foi um sociólogo
americano, importante como
teórico da burocracia, da
sociologia, da ciência e da
comunicação em massa.
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Desta forma, Merton criou a teoria das disfunções estruturais fundadas, também conhe-
cidas como \u201cfontes estruturais da superconformidade\u201d, defendendo que as disfunções esta-
vam ligadas ao comportamento do funcionário e poderiam ser compreendidas pela aplicação
do conceito de incapacidade treinada, psicose ocupacional e deformação profissional.
Muniz e Faria (2007) apresentam as disfunções de Merton caracterizadas por:
a) maior internalização das regras e exagerado apego aos regulamentos;
b) excesso de formalismo e de papelada;
c) resistências a mudanças;
d) despersonalização do relacionamento;
e) categorização como base do processo decisorial;
f) superconformidade às rotinas e aos procedimentos;
g) exibição de sinais de autoridade (uso da força hierárquica do cargo, uniforme, localiza-
ção da sala, banheiro privativo, refeitório, tipo de mesa);
h) dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público;
i) imprevisibilidade de comportamento, impedindo a inovação e a criatividade e
desconsideração à chamada \u201corganização informal\u201d.
Cabe destacar outros dois nomes também considerados importantes para o estudo do
modelo burocrático:
a) Philip Selznick, também sociólogo, propôs outro modelo com destaque à delegação de
autoridade. Ele mostrou como o emprego da delegação gera uma série de conseqüências
imprevistas que, geralmente, originam-se de problemas ligados à manutenção de siste-
mas altamente interligados, de