Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural
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Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem estrutural


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Blau a burocracia ocorre principalmente nas grandes organiza-
ções, mas elas não são estáticas, podendo ocorrer mudanças de forma programada ou es-
pontânea, decorrentes das influências externas e internas das organizações. Ele não criti-
cou Weber, apenas propôs um esquema alternativo, que compreende quatro categorias
estruturadas de acordo com o beneficiário principal da organização (Quadro 4).
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Quadro 4: Categorias estruturadas das organizações, segundo Blau e Scott
Fonte: Nogueira (2007, p. 157).
Voltando às contribuições de Morgan (1996), explicitadas na Unidade 3, percebere-
mos que a imagem de organismo remete à idéia de um sistema vivo que se relaciona com o
ambiente. Neste sentido, as metáforas propostas por Morgan constituem-se num importan-
te método de análise de organizações e nos permitem fazer um diagnóstico organizacional.
Lembramos que para fazê-lo é preciso, em primeiro lugar, saber que tipo de organizações se
está pesquisando ou estudando, ou ainda, administrando.
Uma das razões ou explicações dadas por Nogueira (2007) para o esgotamento do
paradigma organizacional foi pela própria dinâmica do mercado capitalista exigir maior
liberdade de ação das organizações.
Vamos sintetizar no quadro a seguir as principais idéias dos três autores e suas contri-
buições ao estudo das organizações deste modelo (Quadro 5) para recuperar sua essência.
Quadro 5: Principais contribuições ao estudo das organizações
Fonte: Adaptado de Maximiano (2002, p. 133).
Tendo presente as contribuições dos clássicos ao estudo das organizações, vamos
explicitar a síntese das três principais teorias \u2013 científica, administrativa e burocrática (Qua-
dro 6) \u2013 ao estudo do paradigma técnico-administrativo e organizacional, salientando que
Etzioni, Blau e Scott não possuem uma teoria específica que os represente e sim
complementam os estudos do paradigma organizacional.
Beneficiário Exemplo 
Próprios membros da organização Clubes, associações, cooperativas. 
Proprietários ou dirigentes Empresas de forma geral. 
Clientes Hospitais, agências sociais, universidades. 
Sociedade em geral Organizações do Estado e do governo. 
 
Autores Principais idéias 
Max Weber Tipo ideal de burocracia 
Amitai Etzioni Tipologia das organizações com base nos tipos de poder 
Blau e Scott Tipologia das organizações com base nos tipos de beneficiários 
 
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Quadro 6: Comparação entre os principais autores
Fonte: Sobral; Peci, 2008, p. 47; Silva, 2002.
Entre as críticas da burocracia podemos fazer referência à visão dos empresários, dos
empregados e da academia, conforme Silva (1990):
Empresários
\u2013 expressão burocracia soa como sinônimo de empresa pública;
\u2013 utilizam a burocracia para dinamizar a empresa, melhorando o controle de qualidade e
instituindo ficha de descrição de cargos;
\u2013 confronto entre a ficha de descrição de cargo e o formulário de realização de tarefas;
\u2013 afirmam que a burocracia trouxe mais benefícios do que desvantagens à empresa privada;
\u2013 contribuição de Weber é singular para os objetivos dominante (ideológico) e da explora-
ção (da produção).
Principais 
autores 
TAYLOR 
Administração 
Científica 
FAYOL 
Teoria 
Administrativa 
WEBER 
Teoria 
Burocrática 
Orientação ao 
modelo teórico Prescritiva Prescritiva Descritiva 
Pressupostos 
básicos 
Organização como 
sistema fechado. 
Existem princípios gerais 
de administração, com 
capacidade de 
universalização 
Organização como sistema 
fechado. 
Existem princípios gerais de 
administração, com 
capacidade de 
universalização 
Organização como 
sistema fechado 
Burocracia é um 
modelo ideal, 
impossível de ser 
encontrado na prática 
Foco de análise Processos operacionais 
de trabalho \u2013 
empregados 
Organização como um 
todo. 
Estrutura da organização \u2013 
Gerente 
Organização como um 
todo 
Benefícios Produtividade 
Eficiência 
Estrutura definida 
Profissionalização dos 
papéis gerenciais 
Consistência 
Eficiência 
Principal 
conclusão 
Há uma melhor maneira 
de administrar e 
organizar 
Há uma melhor maneira de 
administrar e organizar 
A burocracia é a forma 
organizacional mais 
eficiente 
Principal crítica Foco interno, em 
detrimento da análise do 
ambiente. 
Não consideração das 
necessidades sociais 
Foco interno, em detrimento 
da análise do ambiente. 
Excessiva ênfase ao 
comportamento racional 
Foco interno, em 
detrimento da análise 
do ambiente 
Rigidez e lentidão 
 
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ESTUDOS ORGANIZACIONAIS: Abordagem Estrutural
Empregados
\u2013 definem a burocracia como um obstáculo ao crescimento pessoal, por inibir e reprimir, em
sua concepção, a liberdade;
\u2013 ao escrever e assinar está formulando uma posição que não poderá reverter;
\u2013 se percebem como pouco espontâneos, inibidos e extremamente programados.
Academia
\u2013 analisam o eterno \u201cvigiar\u201d e \u201cpunir\u201d decorrente da luta entre capital e trabalho;
\u2013 disciplina com função econômica (produtividade), política (obediência) \u2013 por meio da vigi-
lância hierárquica (controle da atividade, sanção normatizadora, exame);
\u2013 possuem ao seu favor a CLT \u2013 Consolidações das Leis do Trabalho;
\u2013 níveis de penalidades: tempo (horários de trabalho), atividade, discurso, maneira de ser
(desavenças), comportamento, desvio...;
\u2013 a fragmentação do trabalho torna o empregado infeliz.
Um outro tema importante, em decorrência desse modelo, é a Administração por Obje-
tivos, que significou um marco importante na gestão, deslocando a atenção das \u201cativida-
des-meio\u201d para os objetivos ou finalidades da organização. O enfoque no processo passou a
ser substituído por um enfoque nos resultados e objetivos alcançados (fins), ou seja, a pre-
ocupação de \u201ccomo\u201d administrar passou à preocupação do \u201cpor que\u201d ou \u201cpara que\u201d admi-
nistrar. Vamos aprofundar nossos estudos deste paradigma na seção 4.3.
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Seção 4.3
Administração por Objetivos
Pode-se afirmar que a Administração por Objetivos (APO) tem seu nascedouro a partir
da reestruturação socioeconômica do mundo ocorrida no período pós-Segunda Guerra
Mundial (1939-1945), em que, durante a década de 50, as empresas buscavam se reorgani-
zar e se fortalecer para satisfazer os anseios cada vez mais materialistas e consumistas das
pessoas (produção em massa).
A APO, portanto, emerge da necessidade de as organizações adotarem princípios ca-
pazes de aprimorar as práticas até então desenvolvidas, o que permite uma melhoria signifi-
cativa na avaliação dos resultados.
Peter Drucker, em 1954, já traçava as primeiras idéias acerca do enfoque APO,
também conhecido como gestão por objetivos ou Administração por Resultados, com o
lançamento da obra \u201cA prática da Administração de Empresas\u201d, que apresentava seus
princípios.
Vamos conhecer um pouco mais de Peter Drucker?
Peter Ferdinand Drucker nasceu a 19 de novembro
de 1909 em Viena, Áustria. Foi filósofo e economista.
De origem austríaca, é considerado por todos o pai da
gestão moderna, sendo o mais reconhecido dos pensa-
dores do fenômeno dos efeitos da globalização na eco-
nomia em geral e em particular nas organizações. Ain-
da hoje, mesmo após a sua morte, permanece inquestionavelmente como \u201cúnico\u201d pai
da gestão, subentendendo-se a gestão moderna como a ciência que trata sobre pesso-
as nas organizações, como afirmava ele.
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Peter Drucker argumentava que a empresa que conseguir vender o produto/serviço
certo, para o cliente certo, com a distribuição adequada, por um preço adequado e no
momento oportuno, verá seus esforços de venda reduzirem-se a quase zero, ou seja, a
venda tornar-se-á automática em função de a demanda ter sido corretamente
equacionada e trabalhada.
Presidente honorário da Drucker Foundation e professor de Ciências Sociais da
Claremont Graduate University, Califórnia, EUA, escreveu muitos artigos e mais de 30
livros. O pensador produziu ao longo de