Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem humanista
122 pág.

Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem humanista


DisciplinaAdministração101.377 materiais759.522 seguidores
Pré-visualização36 páginas
necessitaria ser eliminado; no paradigma
comportamental se amadurece enquanto concepções e entendi-
mentos aceitando a dimensão que Follett, naquele tempo, já dizia
ser algo construtivo. O conflito é algo que está dado e que precisa
ser administrado sem prévios julgamentos éticos; encarando-o como
a diferença de opiniões e de interesses. O conflito pode ser emoci-
onal (baseado nos sentimentos pessoais) ou substantivo (baseado
em metas de trabalho). Existem várias estratégias para gerenciar
os conflitos \u2013 abstenção, abrandamento, dominação ou interven-
ção do poder, acordo ou concessão mútua, e confronto. Pela tese
de Follett, entre os três métodos defendidos por ela para lidar com
o conflito, apenas a integração resolve definitivamente.
Com o conflito surge a discussão da negociação como um proces-
so pertinente à tomada de decisão conjunta entre as partes envol-
vidas. É algo que se aprende no dia-a-dia, com o exercício da prá-
tica. O processo de negociação é dado em sete etapas: preparação,
abertura, exploração, apresentação, clarificação, ação final, con-
trole e avaliação. É importante na personalidade do negociador \u2013
ética, empatia e inteligência racional.
O desafio da Administração é gerenciar todos esses temas ou aborda-
gens de forma sistêmica, de modo que todos possam contribuir para que
o fator humano deixe de ser encarado como simples fator de produção
ou recurso humano e passe a ser entendido como pessoas inseridas num
contexto organizacional de objetividade e subjetividade.
EaD
99
ESTUDOS ORGANIZAC IONAIS: Abordagem Humanis ta
Unidade 5Unidade 5Unidade 5Unidade 5
DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
OBJETIVOS DESTA UNIDADE:
\u2022 Apresentar a origem, os conceitos, os pressupostos básicos, as téc-
nicas e modelos de DO
\u2022 Permitir uma visão crítica do DO
AS SEÇÕES DESTA UNIDADE
Seção 5.1 \u2013 Origem, Conceitos, Pressupostos, Técnicas e Modelo de DO
Seção 5.2 \u2013 Apreciação Crítica do DO
Seção 5.3 \u2013 Ressignificação do Trabalho e da Gestão.
Seção 5.1
Origem, Conceitos, Pressupostos, Técnicas e Modelo de DO
Como o próprio Chiavenato (2000, p. 440) expressa em sua obra,
o movimento de DO surgiu a partir de 1962, como um \u201cconjunto de
idéias a respeito do homem, da organização e do ambiente, no senti-
do de facilitar o crescimento e desenvolvimento das organizações\u201d.
E você, tem idéia do que seja o Desenvolvimento
Organizacional \u2013 DO?
Pois bem, DO é um desdobramento prático e operacional da
Escola Comportamental em direção à abordagem sistêmica. Salien-
ta-se que não se trata de uma teoria administrativa, mas de um
movimento congregando vários autores (em sua maioria consul-
tores) com a finalidade de aplicar as ciências do comportamento \u2013
e principalmente a teoria comportamental \u2013 à Administração.
Abordagem sistêmica
A abordagem sistêmica foi
desenvolvida pelo biólogo
alemão Ludwig von Bertalanffy,
que elaborou por volta da
década de 50 uma teoria
interdisciplinar capaz de
transcender os problemas
exclusivos de cada ciência e
proporcionar princípios e
modelos gerais para todas as
ciências envolvidas, de modo
que as descobertas efetuadas
em cada ciência pudessem ser
utilizadas pelas demais \u2013
chamada Teoria Geral dos
Sistemas.
Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/
Abordagem_sist%C3%AAmica>.
Acesso em: 17 jun. 2009.
EaD Marivane da Sil va
100
Chiavenato (2000) explica os fatores que deram origens ao DO:
a) Dificuldade de operacionalizar os conceitos das diversas teorias administrativas pela di-
versidade de abordagens. Sendo assim, o DO resultou dos esforços da Escola
Comportamental no sentido de promover a mudança e a flexibilidade organizacional. O
treinamento, por si só, não provoca mudança, é necessário estabelecer um programa co-
erente de mudança em toda a organização.
b) Os estudos sobre motivação permitiram concluir que se mostrava necessária uma nova
abordagem da Administração que pudesse interpretar as diferentes concepções de homem
e de organização. Os objetivos dos indivíduos nem sempre se conjugam com os objetivos
organizacionais, levando as pessoas a um comportamento alienado e ineficiente que re-
tarda ou impede o alcance dos objetivos traçados.
c) A criação do National Training Laboratory (NTL), de Bethel, em 1947, e as primeiras pes-
quisas de laboratório sobre o comportamento do grupo. O Treinamento da Sensitividade
(ou educação em laboratório) por meio de T-Groups foi o primeiro esforço para melhorar o
comportamento de grupo.
d) A publicação do livro \u201cT-Group Theory and Laboratory Methods\u201d, em 1964, pelo coorde-
nador Leland Bradford, importante para explicitar as pesquisas com T-Groups, os resulta-
dos com o treinamento da sensitividade e as possibilidades de sua aplicação dentro das
organizações.
e) A pluralidade de mudanças no mundo: transformações rápidas e inesperadas do ambien-
te organizacional; aumento do tamanho das organizações; diversificação e complexidade
da tecnologia, exigindo integração entre atividades \u2013 pessoas especializadas \u2013, compe-
tências diferentes.
 
O precursor do movimento teórico foi Leland 
Bradford (1905-1981), fundador e o primeiro diretor do 
National Training Laboratory (NTN), onde atuou durante 25 
anos. O DO foi uma das principais inovações sociais do 
século 20. Em 1939 concluiu seu Doutorado em Psicologia 
Educacional na Universidade de Illinois. Da mesma forma, 
que contribuiu com os processos de instrução e de 
reeducação, trabalhou as idéias: a integração da pessoa 
como um todo; o poder da aprendizagem experimental; 
redefinição da relação do professor-aprendizagem. 
 
EaD
101
ESTUDOS ORGANIZAC IONAIS: Abordagem Humanis ta
f) Mudanças no comportamento administrativo devido a um novo
conceito de homem baseado no conhecimento de suas mutáveis
e complexas necessidades; novo conceito de poder, com base
na colaboração e na razão; e novo conceito de valores
organizacionais, baseado em ideais humanístico-democráticos.
g) A grande invenção do século 20 \u2013 a inovação. Ela mudou a
visão de mundo, as percepções das pessoas, dos grupos e modi-
ficou a vida em sociedade. O DO é uma resposta às mudanças
e à inovação.
h) Fusão de tendências no estudo das organizações: análise da es-
trutura e do comportamento humano nas organizações. Uma
conciliação entre estrutura e processo. A estrutura corresponde
aos elementos estáticos da organização (divisão do trabalho, au-
toridade e responsabilidade, níveis hierárquicos,
departamentalização, amplitude de controle). O processo é dinâ-
mico e se refere às normas culturais, que determinam o ambiente
da organização, a qualidade das comunicações humanas, as fun-
ções assumidas pelas pessoas dentro de seus grupos, as maneiras
pelas quais os problemas são interpretados e resolvidos e como as
decisões são tomadas, os valores da organização, o estilo de lide-
rança e autoridade, a competição e cooperação entre grupos. O
DO exige mudanças estruturais e nos processos entre pessoas e
grupos. É uma mudança de cultura organizacional.
i) Os estudos sobre conflitos interpessoais, pequenos grupos, pas-
sando à administração pública e outros tipos de organização
(indústrias, serviços, organizações militares, etc.), recebendo
modelos, processos, métodos de diagnóstico de situação e de
ação. Afirma-se que o DO surgiu como uma especialidade da
Psicologia e uma continuação do behaviorismo ou paradigma
comportamental, e se consolidou com a Teoria dos Sistemas.
j) Os modelos de DO baseiam-se em quatro variáveis \u2013 1) ambi-
ente, 2) organização, 3) grupo e 4) indivíduos \u2013 em processo de
interdependência para diagnosticar a situação e intervir em
aspectos estruturais e comportamentais para provocar mudan-
ças que permitam a conciliação dos objetivos individuais e
organizacionais.
Cultura
Entendida como o complexo
dos padrões de comportamen-
to, das crenças, das institui-
ções e de outros valores
transmitidos coletivamente e
típicos de uma sociedade. É
algo em constante mutação e
sob influências das variáveis
tecnológicas,