Apostila UNIJUÍ - Estudos organizacionais - abordagem humanista
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construir uma \u201cvisão relativamente consensual
do significado da Administração e da gestão\u201d. A formação do co-
nhecimento administrativo se deu pelos paradigmas que enfatizam:
a) os aspectos técnicos e administrativos (meios de produção,
sistemas de controle, metas e objetivos, eficiência e produtivi-
dade, etc.), que remetem às premissas econômicas, técnicas e
racionais de seus fundadores no início do século 20;
Eficiência
É a melhor utilização dos
recursos e ênfase nos
processos.
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ESTUDOS ORGANIZAC IONAIS: Abordagem Humanis ta
b) o entendimento da organização no contexto social, econômico e político do pós-guerra
(Segunda Guerra Mundial), que discute e complementa os paradigmas anteriores, cons-
tituindo-se no período de maior estruturação e burocratização das organizações nas soci-
edades capitalistas e socialistas;
c) os elementos psicológicos, pessoais e sociais (como comportamentos, atitudes, formas
de relacionamento no trabalho, grupos informais, motivação e liderança), que
complementam o paradigma técnico-administrativo com experiências e propostas desen-
volvidas a partir da década de 30 do século 20;
d) as mudanças estruturais e os valores da sociedade \u2013 chamada de sociedade das organi-
zações. Neste contexto, a noção de homem organizacional ganha espaço na teoria da
Administração e o indesejável conflito de interesses dos paradigmas anteriores passa a ser
encarado como natural e administrável. O homem organizacional é aquele que tem capa-
cidade de formar uma visão múltipla e integrada das organizações e de ter habilidade nos
relacionamentos interno e externo das diversas modalidades da organização.
Em síntese, vamos apresentar no Quadro 1 a matriz dos paradigmas.
Quadro 1: Paradigmas da Administração
Fonte: Nogueira (2007, p. 106).
Paradigma técnico-
administrativo 
Composto pelas contribuições de Taylor, 
Ford e Fayol 
Paradigma humanista 
e comportamental 
Formado pelas contribuições iniciais de 
Elton Mayo e pelas abordagens 
psicológicas e sociais que influenciam as 
noções de motivação e liderança. 
Paradigmas 
formadores da 
Administração 
(como tudo iniciou) 
Paradigma 
organizacional 
Constituído pelas teorias e pelo estudo do 
poder, das modalidades e da dinâmica das 
organizações \u2013 Weber, Etzioni, Blau e 
Scott. 
Paradigma sistêmico e 
estratégico 
Composto pela teoria dos sistemas, pela 
Administração estratégica e pela 
abordagem sociotécnica. 
Paradigma da 
qualidade e da 
participação 
Formado pela Administração da qualidade 
total, pela Administração participativa e 
pelo modelo japonês de Administração, 
que sintetizou de forma eficaz as duas 
noções no que se refere a resultados 
operacionais para o mundo global dos 
negócios. 
Paradigmas 
contemporâneos da 
Administração 
(evolução atual) 
Paradigma da 
reestruturação flexível 
Originado fundamentalmente da extensão 
do modelo japonês para o mundo por meio 
da reestruturação produtiva, da busca da 
flexibilidade organizacional e da 
competitividade como diretriz estratégica. 
 
EaD Marivane da Sil va
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A visão global dos paradigmas permite ampliar seu enten-
dimento e fazer o recorte ao objeto de estudo \u2013 paradigma
humanista e comportamental. Salienta-se que a ênfase desloca-
se da recompensa material para a recompensa social e simbólica,
sem uma ruptura drástica, como do paradigma técnico e admi-
nistrativo. O trabalhador passa a ser visto como pessoa, com ne-
cessidades que incluem relações interpessoais, o sentir-se bem no
grupo e o reconhecimento social. Nesta fase se percebe uma evo-
lução com relação ao trabalho e à natureza humana, ou seja, o
comportamento individual passa a se adaptar ao comportamento
organizacional.
O conflito entre capital e trabalho passa a ser administrável
e repercute numa mudança nas relações de trabalho, mais espe-
cificamente nas formas de recompensas, aliando aos aspectos
materiais também os aspectos simbólicos de reconhecimento, ati-
tude e comportamento.
Já a proposta de Motta e Vasconcelos (2002) para estudar
a evolução do pensamento administrativo dá-se a partir das Es-
colas de Administração. Estes definem a Teoria das Organiza-
ções como um \u201cmosaico\u201d que evolui para os estudos
organizacionais e preocupam-se em explicitar a evolução gradu-
al das concepções sobre o homem, a organização, o meio ambi-
ente e sua complexidade ao longo dos tempos.
Os autores entendem que a classificação do conhecimento
em Escolas de Administração nos permite visualizar cronologica-
mente as etapas de sua evolução e ter claro que as escolas são
complementares, pois evoluem a partir das críticas e de novas
pesquisas empíricas que proporcionam um aperfeiçoamento a
partir da evolução dialética.
Na obra Teoria Geral da Administração (Motta, 1998) os
pilares do pensamento administrativo foram divididos por três
enfoques: a) prescritivos; b) explicativos; c) prescritivo-
explicativo, explicitados na obra revisada e reeditada de Motta e
Vasconcelos (2002) e também revisada por Nogueira (2007).
Simbólica
É todo signo que a
convencionalidade predomina
possui uma relação símbolo,
entendido como um elemento
essencial do processo de
comunicação, encontrando-se
difundido pelo cotidiano e
pelas mais variadas vertentes
do saber humano. Exemplo
disso é a paz mundial e a
pomba da paz. A convenção
fez da imagem semelhante a
uma pomba branca um
símbolo de paz. De acordo
com a semiótica podemos
resumir símbolo como alguma
coisa que representa algo para
alguém.
Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/
S%C3%ADmbolo>.
Acesso em: 12 mar. 2009.
Dialética
É a arte de raciocinar; lógica;
arte de argumentar ou discutir;
argumentação dialogada.
Disponível em:
 <http://www.priberam.pt/dlpo/
definir_resultados.aspx>.
Acesso em: 10 jan.2009.
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ESTUDOS ORGANIZAC IONAIS: Abordagem Humanis ta
Cabe destacar que Motta e Vasconcelos revisam a primeira edição em 2002 e ressal-
tam que os enfoques explicativos tratam de teorias formuladas com base em pesquisas
empíricas \u2013 observações práticas; já os enfoques prescritivos são abordagens que propõem
técnicas e ferramentas, visando a solucionar problemas específicos.
Para delimitar os movimentos das Escolas de Administração, Motta (1998) definiu
cinco categorias de análise teórica: 1) a concepção da organização; 2) as relações entre
Administração e empregados; 3) sistemas de incentivos ou recompensas; 4) a concepção da
natureza humana, e 5) os resultados.
Quadro 2: Escolas de Administração e suas características
Fonte: Adaptado de Nogueira (2007, p. 111).
É importante ter claro que não existe uma única forma de estudar e analisar os
paradigmas da Administração. Iniciamos os estudos adotando a lógica de Nogueira (2007),
depois a divisão proposta por Motta (1998), Motta e Vasconcelos (2002), e mais adiante,
apresentamos as percepções mais críticas e complexas propostas por Reed (1993, apud Clegg;
Hardy; Nord, 1998) e Morgan (1996).
Reed (1993, apud Clegg; Hardy; Nord, 1998), em sua proposta, revela que os modelos
interpretativos formam o campo intelectual de conflitos históricos em que a análise
organizacional se desenvolveu. \u201cUm campo que deve ser mapeado e atravessado levando-se
em consideração as inter-relações entre os fatores processuais e contextuais em torno dos
quais a área emergiu\u201d (p. 66).
O modelo de metanarrativas interpretativas proporcionou o desenvolvimento dos es-
tudos organizacionais, principalmente pela relação dialética construída com os processos
históricos e sociais da época.
 
Administração 
Científica e 
Clássica 
Teoria 
Burocrática 
Relações 
Humanas Estruturalismo Comportamental 
Teoria dos 
Sistemas 
Teorias da 
Contingência 
Foco/enfoque Prescritivo Padronizada Prescritivo Explicativo Explicativo Explicativo Prescritivo e Explicativo 
1) Conceito da 
Organização Formal Formal Informal Mista Cooperação 
Sistema 
Aberto 
Situacional e 
variável 
2) Relação 
3) Empresa \u2013
Trabalhador 
Identidade de 
Interesses