Apostila UNIJUÍ - Fundamentos da gestão organizacional
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Apostila UNIJUÍ - Fundamentos da gestão organizacional


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Organização, São Paulo: Atlas, 1996.
RONDEAU, Alain. A gestão dos conflitos nas organizações. In: CHANLAT, J. F. (Org.). O
indivíduo na organização: dimensões esquecidas. São Paulo: Atlas, 1996.
FUNDAMENTOS DA GESTÃO ORGANIZACIONAL
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FUNDAMENTOS DA GESTÃO ORGANIZACIONAL
Unidade 8Unidade 8Unidade 8Unidade 8
Outras Teorias da Administração
Marivane da Silva
Na Unidade 2 conhecemos as teorias de Administração e as abordagens clássica, hu-
mana e comportamental (década de 40). Nesta Unidade 8 vamos dar continuidade ao estu-
do das demais teorias, considerando:
a) a abordagem estruturalista e do desenvolvimento organizacional;
b) teorias integrativas: sistêmicas e contingenciais.
Para melhor entendimento, essa Unidade será subdividida em quatro seções:
Seção 1 \u2013 Escola Estruturalista
Seção 2 \u2013 Desenvolvimento Organizacional (DO)
Seção 3 \u2013 Escola Sistêmica
Seção 4 \u2013 Administração Por Objetivos (APO)
Seção 5 \u2013 Abordagem Contingencial
\u2013 Seção 1 \u2013
Escola Estruturalista
A Escola Estruturalista surgiu em decorrência do declínio do movimento das relações
humanas, no final da década de 50 do século 20. O impasse criado pela Escola Clássica e
pela de Relações Humanas não foi superado pela teoria da burocracia. Surge então a Esco-
la Estruturalista, pelas seguintes razões, explicitadas por Andrade e Amboni (2007, p. 139):
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a) oposição entre os aspectos formais e informais, valorizados pelas escolas anteriores;
b) necessidade de visualizar a organização como um todo, e não de forma compartimentada
e isolada, considerando seus aspectos internos e externos;
c) repercussão dos resultados dos estudiosos estruturalistas na compreensão das organiza-
ções como um todo integrado e complexo.
Embora tenhamos apresentado as razões do surgimento da Escola Estruturalista, você
deve estar se perguntando: o que é mesmo o estruturalismo?
Estruturalismo é uma modalidade de pensar e um método de análise praticado nas ciências do
século XX, especialmente nas áreas humanas (...). Os estruturalistas se preocupam com as rela-
ções e interconexões das partes na constituição e na compreensão do todo. O estruturalismo está
alicerçado na totalidade e na reciprocidade para facilitar o entendimento de que o todo é maior
que a simples soma das partes (Andrade; Amboni, 2007, p. 140).
O francês Claude Lévi-Strauss é um expoente importante da Escola Estruturalista,
com apresentação de modelos abstratos representando a realidade empírica. O fundador da
escola, porém, foi o sociólogo Amitai Etzioni, que anunciou a origem da teoria estruturalis-
ta pela ótica humanista, por visualizar a organização como uma unidade social grande e
complexa, na qual interagem muitos grupos sociais.
Etzioni (apud Ribeiro, 2003, p. 97) relaciona as mudanças do ambiente organizacional
às mudanças havidas na sociedade. Ferreira, Reis e Pereira (2002) corroboram apresentando
as características do estruturalismo:
a) submissão do indivÍduo à socialização. Devido ao desejo de obter recompensas materiais e
sociais o indivíduo aceita desempenhar vários papéis sociais em seu trabalho;
b) conflitos entre os interesses dos funcionários e os objetivos da empresa;
c) a hierarquia é vista como negativa à comunicação dentro da empresa;
d) visto de uma forma global, os incentivos materiais e sociais são importantes para os trabalha-
dores.
Outros estruturalistas deram suas contribuições, tais como:
a) Blau & Scott, com o estudo das organizações formais focadas no grupo (o clima estabele-
cido no grupo pode mudar as atitudes de seus membros, assim como a atitude prevalecen-
te no grupo pode alterar as atitudes de seus componentes, independentemente de suas
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próprias atitudes individuais), criaram um esquema de classificação para as organiza-
ções, a partir da natureza do comportamento, baseada no controle (dos que têm o poder e
sob os quais ele é exercido): coercitivas, utilitárias e normativas.
b) Thompson atribui ao modelo burocrático a falta de compreensão da organização como
um todo.
c) Perrow, segundo o qual o ambiente da organização é influenciado pelas outras organiza-
ções e pela sociedade em que se insere, por isso considera importante a incorporação da
análise do ambiente ao elaborar os objetivos da organização.
Na verdade, você percebeu que a Escola Estruturalista procurava integrar o formal e o
informal, mas que ainda busca o equilíbrio entre, as formas organizativas e sua interação
com o ambiente.
Etzioni entendia que existiam apenas dois modos de conceber uma organização: pelo
racional (como um sistema fechado) ou pelo natural (sistema aberto). Neste sentido, passa
a utilizar a abordagem do sistema aberto, tendo como base o modelo natural da organiza-
ção. Da mesma forma, acreditava que os conflitos são os elementos gerados pelas mudanças
e pelo desenvolvimento organizacional.
Arriscamos afirmar que a Escola Estruturalista faz a ponte da teoria de transição para
a teoria de sistemas, na qual se definiu o conceito de homem organizacional, ou seja, o
homem que desempenha papéis em diferentes organizações.
Em seguida vamos tentar entender o que foi o Desenvolvimento Organizacional.
\u2013 Seção 2 \u2013
Desenvolvimento Organizacional (DO)
Entendido como uma teoria por Andrade e Amboni (2007, p. 157) como:
(...) uma resposta da organização às mudanças, que implica em mudanças de atitudes, compor-
tamentos e estrutura da organização, de tal maneira que esta possa se adaptar melhor às novas
conjunturas, mercados, tecnologias, problemas e desafios que estão surgindo na economia
globalizada.
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O DO como um processo de mudança envolve a organização como um todo e o seu
ambiente direto ou indireto. Ele não surgiu, como a maioria das outras escolas, do trabalho
de um único autor, mas de um conjunto de idéias e estudos que envolveram modelos de
diagnósticos e ação para a mudança planejada, trabalhando alterações estruturais,
tecnológicas e comportamentais na organização formal. Podemos, entretanto, citar alguns
nomes que se destacaram, tais como: a) Warren G. Bennis; b) Blake; c) Edgard Schein; d)
Chris Argrys; e) Lawrence; f) Willian J. Reddin.
Há duas tendências que definem a priori a orientação a ser dada a um Programa de
Desenvolvimento Organizacional, segundo Ferreira, Reis e Pereira (2002):
a) orientação para os processos de relacionamento entre as pessoas e grupos dentro da orga-
nização (Bennis, Schein e Walton);
b) orientação para a necessidade de uma cultura organizacional adequada à consecução
dos objetivos de eficiência e lucros empresariais (Blake & Mouton) e para a necessidade
de organizar o trabalho e os relacionamentos humanos, em função de fatores intrínsecos
às tarefas e de fatores externos à organização (Lawrence & Lorsch).
Desse modo, toda organização pode ser entendida e analisada sob três aspectos que
configuram a sua atividade empresarial:
a) Estrutura \u2013 envolve a hierarquia administrativa, os sistemas e processos de trabalho inter-
no, o fluxo de comunicação e a definição da missão, objetivos e políticas organizacionais;
b) Tecnologia \u2013 são os sistemas operacionais adotados, equipamentos, engenharia do pro-
cesso e do produto, desenvolvimento de pesquisa, métodos de trabalho;
c) Comportamento \u2013 são os procedimentos adotados na administração de recursos humanos
da organização, que implicam em tratar dos conhecimentos, das habilidades e das atitu-
des das pessoas que fazem parte do contexto organizacional, assim como do relaciona-
mento interpessoal estabelecido entre elas.
Os estágios de instituição do DO são apresentados na forma de um modelo que tem o
objetivo de diagnosticar
ELIANE
ELIANE fez um comentário
Muito obrigada por este rico conteúdo colega, tem me ajudado muito nas minhas pesquisas e estudos. Deus te abençoe sempre em sua trajetória.
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